Entre sopa, cantigas e memórias: a alma caramela voltou às ruas da vila
A identidade do Pinhal Novo voltou a ganhar vida no fim de semana de 8 a 10 de Maio, com mais uma edição do Mercado Caramelo, que trouxe milhares de visitantes à vila para celebrar tradições, sabores, memórias e costumes profundamente ligados à cultura caramela. Durante três dias, a freguesia transformou-se numa autêntica viagem no tempo, onde a sopa caramela, o pão cabeçudo, o abafadinho caramelo, dos pirulitos e o pudim de abóbora voltaram a ocupar o lugar principal à mesa, num certame que recebeu mais de 35 mil pessoas, mesmo debaixo de chuva.![]() |
| Mercado Caramelo voltou a encher o largo de história |
Entre pingas persistentes, nuvens escuras e guarda-chuvas abertos, o recinto manteve-se cheio até às últimas horas de domingo. Havia crianças a correr entre os expositores, famílias inteiras à mesa, visitantes vindos de vários pontos do país e muitos pinhalnovenses [de origem ou adoção] orgulhosos da sua terra. Porque o Mercado Caramelo já ultrapassou há muito a dimensão de um simples certame: tornou-se um símbolo da identidade local.
A presidente da Confraria da Sopa Caramela, Cristina Pereira, não escondia a satisfação no balanço final do evento. “Correu tudo bem”, afirmou, brincando depois com o mau tempo que acompanhou parte do fim de semana. “Só não pagámos a tempo as licenças ao São Pedro”, disse, entre risos.
Apesar da chuva, a responsável sublinhou aquilo que mais marcou esta edição: “O recinto esteve sempre cheio, e isso é gratificante”. Para Cristina Pereira, o crescimento contínuo do Mercado Caramelo demonstra que o evento ganhou raízes profundas na região e junto de quem o visita ano após ano.
Ao longo da 11.ª edição, as tradições rurais e os costumes ligados à história caramela voltaram a ocupar o centro das atenções. Entre receitas antigas, produtos regionais, ranchos, associações e recriações etnográficas, o Mercado transformou-se novamente numa montra viva da cultura popular do território.
As tradições que já são únicas
O sucesso da desfolhada, do velório caramelo - onde ecoou, entre gargalhadas e dramatizações populares, o irreverente anúncio de que 'morreu o Celestino Bombista' -, das benzedeiras, da representação do Dia da Espiga na Capela de São José, do namoro à janela, da bênção dos animais, do jogo do pau e das inúmeras atividades do Mercadito Caramelo voltou a reunir famílias inteiras e visitantes de várias gerações num ambiente profundamente marcado pela tradição.
O folclore, o cante, os gaiteiros e as charangas deram ritmo constante ao recinto, enchendo as ruas de sons e memórias antigas. E nem a chuva conseguiu travar a animação: as noites acabaram sempre de coreto cheio, com bailes populares onde ninguém resistiu a um pé de dança.
Ao longo dos três dias, o recinto manteve-se cheio, mesmo perante os períodos de chuva que marcaram o fim de semana.
“Continuamos a superar as expectativas, continuamos a crescer e continuamos a mostrar-nos além-fronteiras”, reforçou Luciana Amieiro, também dirigente da Confraria da Sopa Caramela, destacando o trabalho coletivo que torna possível um evento desta dimensão. “Estamos todos de parabéns. Toda a equipa, todos os voluntários, a Junta de Freguesia como parceira e a Câmara Municipal pelo apoio”, referiu, deixando já o convite para a próxima edição, marcada para os dias 7, 8 e 9 de Maio de 2027.
Ao longo dos três dias, o recinto manteve-se cheio, mesmo perante os períodos de chuva que marcaram o fim de semana.
“Continuamos a superar as expectativas, continuamos a crescer e continuamos a mostrar-nos além-fronteiras”, reforçou Luciana Amieiro, também dirigente da Confraria da Sopa Caramela, destacando o trabalho coletivo que torna possível um evento desta dimensão. “Estamos todos de parabéns. Toda a equipa, todos os voluntários, a Junta de Freguesia como parceira e a Câmara Municipal pelo apoio”, referiu, deixando já o convite para a próxima edição, marcada para os dias 7, 8 e 9 de Maio de 2027.
Já perto da hora de fecho, Cristina Pereira destacava precisamente aquilo que mais a impressionou ao longo dos três dias: a resistência do público. “Mesmo com esta temperatura amena e com estas pingas que foram caindo ao longo do dia, as pessoas não arredaram pé”, sublinhou em entrevista à ADN, olhando para um recinto ainda cheio de visitantes.
O termo “Caramelo” identifica as populações que se fixaram no Pinhal Novo durante o século XIX para trabalhar na agricultura e na construção da ferrovia. Essas comunidades deixaram uma marca profunda na identidade cultural da vila e continuam hoje presentes na memória coletiva da freguesia.
O Mercado Caramelo tornou-se precisamente o espaço onde essa herança continua viva.
Durante três dias, jovens, novos moradores, famílias inteiras e associações locais juntam-se para preservar costumes, tradições e expressões populares que fazem parte da identidade do território. Muitos vestem trajes típicos, participam nas recriações históricas e ajudam a manter vivo um património cultural que continua a atravessar gerações.
Mais do que um mercado, o evento é hoje um retrato vivo da história do Pinhal Novo.
Na abertura oficial do Mercado Caramelo, a presidente da Câmara Municipal de Palmela, Ana Teresa Vicente, destacou o valor identitário do evento para o concelho.
“Este é um daqueles momentos do ano que demonstram a identidade do nosso concelho e as características mais particulares de cada uma das suas freguesias”, afirmou.
Para a autarca, o Mercado Caramelo “traz aquilo que a freguesia de Pinhal Novo tem de mais genuíno”, evidenciando também “a capacidade que esta vila tem de acolher novas pessoas”.
Ana Teresa Vicente valorizou especialmente o papel do movimento associativo local, lembrando o empenho das coletividades que mantêm as tradições vivas ao longo de todo o ano.
“O concelho de Palmela não seria tão rico, mesmo podendo ter tantas empresas importantes, se não tivesse esta riqueza humana e esta participação que todos trazem com empenho em cada iniciativa”, destacou.
A presidente da Câmara recordou ainda que o município é parceiro da Junta de Freguesia de Pinhal Novo e da Confraria da Sopa Caramela na organização do evento e manifestou vontade de “continuar a levar por diante este extraordinário Mercado Caramelo”.
A 11.ª edição recebeu da Câmara Municipal um apoio financeiro de 7.500 euros, além de apoio logístico avaliado em cerca de 12 mil euros.
Segundo o município, os apoios justificam-se pelo impacto económico e turístico do Mercado Caramelo, bem como pelo importante trabalho de recuperação do receituário tradicional e valorização da cultura popular do território.
No final de mais uma edição, ficou novamente provado que o Mercado Caramelo é muito mais do que uma festa popular. É memória, identidade, pertença e comunidade. É o Pinhal Novo inteiro a contar a sua história com sotaque caramelo, de mesa cheia e coração aberto.
Um mercado com alma e sotaque caramelo
| Os pequeninos já começam a sentir o peso das "vestes caramelas" |
O Mercado Caramelo tornou-se precisamente o espaço onde essa herança continua viva.
Durante três dias, jovens, novos moradores, famílias inteiras e associações locais juntam-se para preservar costumes, tradições e expressões populares que fazem parte da identidade do território. Muitos vestem trajes típicos, participam nas recriações históricas e ajudam a manter vivo um património cultural que continua a atravessar gerações.
Mais do que um mercado, o evento é hoje um retrato vivo da história do Pinhal Novo.
“As pessoas passam o ano à espera do mercado”
O presidente da Junta de Freguesia de Pinhal Novo, João Estróia Vieira, destacou o impacto crescente da iniciativa e o forte envolvimento da população.
“As pessoas passam o ano à espera da próxima edição do Mercado Caramelo”, afirmou.
O autarca considerou que esta edição consolidou os diferentes espaços do recinto e voltou a oferecer animação para públicos de todas as idades. Apesar das condições meteorológicas, João Estróia Vieira garante que o ambiente nunca esmoreceu.
“Foi um balanço extremamente positivo, apesar da chuva, que não quis sair de perto de nós. Mas toda a gente se divertiu”, resumiu.
O presidente da Junta lembrou ainda o enorme trabalho de preparação exigido por um evento desta dimensão, envolvendo dezenas de expositores, patrocínios e uma articulação permanente entre a Junta de Freguesia e a Confraria da Sopa Caramela.
“Houve expositores com excelentes noites e outros com resultados mais modestos por causa da chuva, mas não podemos dizer que não foi um mercado super positivo”, acrescentou.
O presidente da Junta de Freguesia de Pinhal Novo, João Estróia Vieira, destacou o impacto crescente da iniciativa e o forte envolvimento da população.
“As pessoas passam o ano à espera da próxima edição do Mercado Caramelo”, afirmou.
O autarca considerou que esta edição consolidou os diferentes espaços do recinto e voltou a oferecer animação para públicos de todas as idades. Apesar das condições meteorológicas, João Estróia Vieira garante que o ambiente nunca esmoreceu.
“Foi um balanço extremamente positivo, apesar da chuva, que não quis sair de perto de nós. Mas toda a gente se divertiu”, resumiu.
O presidente da Junta lembrou ainda o enorme trabalho de preparação exigido por um evento desta dimensão, envolvendo dezenas de expositores, patrocínios e uma articulação permanente entre a Junta de Freguesia e a Confraria da Sopa Caramela.
“Houve expositores com excelentes noites e outros com resultados mais modestos por causa da chuva, mas não podemos dizer que não foi um mercado super positivo”, acrescentou.
Câmara de Palmela destaca a riqueza humana do concelho
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| Nem a chuva impediu a dança junto ao coreto |
“Este é um daqueles momentos do ano que demonstram a identidade do nosso concelho e as características mais particulares de cada uma das suas freguesias”, afirmou.
Para a autarca, o Mercado Caramelo “traz aquilo que a freguesia de Pinhal Novo tem de mais genuíno”, evidenciando também “a capacidade que esta vila tem de acolher novas pessoas”.
Ana Teresa Vicente valorizou especialmente o papel do movimento associativo local, lembrando o empenho das coletividades que mantêm as tradições vivas ao longo de todo o ano.
“O concelho de Palmela não seria tão rico, mesmo podendo ter tantas empresas importantes, se não tivesse esta riqueza humana e esta participação que todos trazem com empenho em cada iniciativa”, destacou.
A presidente da Câmara recordou ainda que o município é parceiro da Junta de Freguesia de Pinhal Novo e da Confraria da Sopa Caramela na organização do evento e manifestou vontade de “continuar a levar por diante este extraordinário Mercado Caramelo”.
A 11.ª edição recebeu da Câmara Municipal um apoio financeiro de 7.500 euros, além de apoio logístico avaliado em cerca de 12 mil euros.
Segundo o município, os apoios justificam-se pelo impacto económico e turístico do Mercado Caramelo, bem como pelo importante trabalho de recuperação do receituário tradicional e valorização da cultura popular do território.
No final de mais uma edição, ficou novamente provado que o Mercado Caramelo é muito mais do que uma festa popular. É memória, identidade, pertença e comunidade. É o Pinhal Novo inteiro a contar a sua história com sotaque caramelo, de mesa cheia e coração aberto.
Paulo Jorge Oliveira
Fotografia: Paulo Jorge Oliveira


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