Do monumento ao jardim: a freguesia transforma o 25 de Abril num grande dia de comunidade
Pinhal Novo prepara-se para viver um 25 de Abril intenso e profundamente comunitário. Entre corrida simbólica, cante alentejano, música, atividades para famílias e momentos institucionais, a freguesia assinala o 52.º aniversário do Dia da Liberdade com um programa pensado para levar a celebração para a rua e reforçar a identidade local. "É, para mim, o feriado mais bonito de todos. E digo isto sem hesitação". A frase é de João Estróia Vieira, presidente da Junta de Freguesia do Pinhal Novo, e resume o espírito com que a freguesia prepara para celebrar a revolução dos cravos.
O dia 25 de Abril de 2026 promete ser vivido de forma plena em Pinhal Novo. A Junta de Freguesia, em colaboração com várias associações locais, organizou um programa que cruza cultura, desporto e convívio, convidando toda a população a participar nas comemorações do 52.º aniversário da Revolução de 1974.As iniciativas pretendem recordar a conquista da liberdade e, ao mesmo tempo, reforçar os laços comunitários que definem a vida da freguesia.
Para o presidente da Junta de Freguesia, João Estróia Vieira, o significado do 25 de Abril ultrapassa a dimensão histórica.
"O 25 de Abril não é uma data no calendário: é o que nos permite, todos os dias, sermos quem somos. É a liberdade de discordar na rua, de conversar sem medo, de construir comunidade mesmo quando pensamos diferente. É isso que faz a democracia local respirar", afirmou em entrevista à ADN–Agência de Notícias.
No ano em que também se evocam os 50 anos das primeiras eleições livres após a Revolução, o autarca sublinha que a memória deve continuar viva e sentida.
Há, segundo o próprio, uma dimensão profundamente emocional associada à data. "Há qualquer coisa que me atravessa sempre que oiço o Grândola, Vila Morena e não é nostalgia, é responsabilidade. É lembrar que aquilo que hoje damos como garantido foi conquistado com coragem", disse.
Um programa pensado para todas as gerações
As comemorações começam logo pela manhã. Às 09h15, realiza-se a deposição de uma coroa de flores no monumento evocativo do 25 de Abril, na Quinta do Pinheiro, num momento simbólico que contará com a atuação da banda da Sociedade Filarmónica União Agrícola.
Poucos minutos depois, às 09h30, tem início a iniciativa "Correr a Liberdade – 1974 metros", uma corrida aberta à população que percorre um trajeto com a mesma distância do ano da Revolução dos Cravos.
A manhã continua dedicada ao convívio familiar. A partir das 10h30, o Jardim José Maria dos Santos recebe atividades desportivas e infantis, incluindo aulas de zumba, pinturas faciais, modelagem de balões e jogos tradicionais.
Ao início da tarde, a partilha assume protagonismo com o Piquenique da Liberdade, marcado para 12h30, também no jardim José Maria dos Santos.
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| Será um dia cheio de comunidade, música e comemorações |
Durante a tarde, a festa ganha novo ritmo com um desfile da fanfarra dos bombeiros e a atuação do Bardoada - Grupo do Sarrafo, às 14h30, na Avenida da Liberdade e no Largo José Maria dos Santos.
A partir das 15 horas, o palco regressa ao Jardim José Maria dos Santos para vários momentos musicais e institucionais.
Entre os destaques está a atuação do grupo As Maganas, seguida das intervenções alusivas ao 25 de Abril, agendadas para 15h30.
Logo depois, às 15h45, sobe ao palco o grupo Cante Novo, e a programação encerra às 16h15 com a atuação do Grupo Coral e Musical da Associação de Reformados, Pensionistas e Idosos de Pinhal Novo.
Segundo João Estróia Vieira, a presença reforçada do cante alentejano nas celebrações tem um significado especial.
"Este ano damos um passo que considero muito bonito: trazer o cante alentejano com mais força às celebrações. Vamos ter grupos como os Cante Novo, o Canto da ARPI e as nossas As Maganas. E há um detalhe que me emociona particularmente: ver tantas mulheres em palco, a ocupar este espaço de expressão, num dia que celebra precisamente isso: a igualdade, a voz, a liberdade", sublinhou.
Democracia vivida na escala da freguesia
Para o presidente da Junta de Freguesia, as comemorações são mais do que um evento simbólico: são uma forma de manter viva a participação cívica.
"A democracia local constrói-se assim - não apenas nas urnas, mas na forma como vivemos em comunidade, como participamos, como damos espaço aos outros. O 25 de Abril ensinou-nos isso, e cabe-nos agora garantir que essa aprendizagem não se perde", afirmou.
Em Pinhal Novo, a celebração de Abril assume assim um significado particular: não apenas recordar a história, mas reforçar uma identidade coletiva construída diariamente na vida da comunidade.


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