Novo palco, mesma tradição: Festas prometem surpreender entre 4 e 10 de Junho
Entre tradição, identidade cultural e o impacto que todos os anos mobiliza milhares de pessoas e dinamiza a economia local, as Festas Populares do Pinhal Novo entram numa nova fase. Entre 4 e 10 de Junho de 2026, o epicentro da celebração muda pela primeira vez das ruas do centro da vila para o recinto do Mercado Mensal, na Salgueirinha, num passo que promete renovar a festa sem perder a essência que há décadas marca a comunidade.![]() |
| João Serrão acredita no potencial das Festas no Mercado Mensal |
Durante décadas, as ruas do centro do Pinhal Novo foram mais do que apenas um palco para as festas. Foram o verdadeiro coração da celebração, onde varandas iluminadas, música e encontros espontâneos criaram uma identidade coletiva difícil de replicar noutro espaço.
Este ano, contudo, o mapa das festas muda. A edição de 2026 será a primeira a decorrer no recinto do Mercado Mensal, uma alteração que surge ao mesmo tempo como resposta a limitações logísticas e como aposta numa nova organização do evento.
João Serrão, presidente da Associação das Festas Populares do Pinhal Novo, explica que esta possibilidade já estava em cima da mesa desde o início do mandato da atual direção.
"Esta mudança acaba por ser um bocadinho das duas coisas. Por um lado torna-se inevitável porque começámos a sentir falta de espaço no centro da vila para algumas atividades que fazem parte das festas. Por outro lado também foi uma opção assumida desde que tomámos posse, algo que até foi referido logo na Assembleia, porque entendíamos que era importante pensar no futuro das festas e na forma como elas podem crescer".
Para o responsável, quem visitar o evento este ano deverá preparar-se para encontrar uma realidade diferente daquela que existia até agora.
"Eu acho que quem vier às festas vai encontrar muita coisa diferente, porque estamos a falar de um novo espaço, de uma nova forma de ocupar o recinto e também de uma distribuição diferente das atividades. Obviamente que vão existir praticamente todas as componentes que já faziam parte das festas, mas acredito que a experiência global será nova e que as comparações com o passado acabarão por ser relativamente pequenas".
Ainda assim, o espírito mantém-se resumido no lema escolhido para esta edição: "A mesma festa, um novo espaço".
Identidade cultural em mudança
A deslocação das festas levanta inevitavelmente uma questão que muitos habitantes da vila colocam: pode uma festa popular manter a sua identidade quando abandona o território onde sempre aconteceu?
Para João Serrão, a resposta é clara.
"As festas são as festas e, na nossa perspetiva, não dependem exclusivamente do local onde acontecem. O que verdadeiramente faz as festas são as pessoas, o convívio e a forma como a comunidade participa".
Mesmo assim, o dirigente reconhece a forte ligação emocional ao centro da vila.
"Eu próprio cresci com estas festas aqui no centro e tenho naturalmente pena que deixem de acontecer nestas ruas, porque há espaços que funcionavam muito bem e que fazem parte da memória de todos nós. Mas também temos de encarar a realidade e perceber que há momentos em que é preciso adaptar as coisas"
Quanto às críticas que surgiram após o anúncio da mudança, a organização prefere uma postura de respeito.
"Acho que não devemos entrar em confrontos. As pessoas têm direito a ter a sua opinião e nós temos de respeitar isso. O mais importante agora é trabalhar para que as festas corram bem".
Um recinto mais funcional para o futuro
Se a mudança levanta questões emocionais, no plano prático apresenta vantagens evidentes. A concentração das atividades num único recinto é um dos principais argumentos da organização.
Segundo João Serrão, a resposta dos comerciantes e operadores tem sido bastante positiva.
"A parte comercial está muito satisfeita com esta reorganização porque, ao ficar tudo concentrado no mesmo espaço, torna-se mais fácil para quem trabalha e também para quem visita. Os feirantes, as roulotes, os carrosséis e outros operadores têm-nos transmitido que o recinto está bem organizado, que o ambiente é agradável e que estão confiantes em termos de negócio".
A mesma visão é partilhada pelo presidente da Junta de Freguesia do Pinhal Novo, João Estróia Vieira.
"Em termos de organização, estamos a falar de um espaço muito mais concentrado e isso facilita bastante a gestão do evento. Permite reduzir custos e também simplifica o trabalho das várias entidades envolvidas".
O autarca destaca igualmente as vantagens para a segurança.
"Para as forças de segurança, para os bombeiros e para a proteção civil é muito mais simples controlar um único espaço bem delimitado do que vários pontos espalhados pela vila. Essa centralização traduz-se também numa redução muito significativa de custos".
Se a mudança levanta questões emocionais, no plano prático apresenta vantagens evidentes. A concentração das atividades num único recinto é um dos principais argumentos da organização.
Segundo João Serrão, a resposta dos comerciantes e operadores tem sido bastante positiva.
"A parte comercial está muito satisfeita com esta reorganização porque, ao ficar tudo concentrado no mesmo espaço, torna-se mais fácil para quem trabalha e também para quem visita. Os feirantes, as roulotes, os carrosséis e outros operadores têm-nos transmitido que o recinto está bem organizado, que o ambiente é agradável e que estão confiantes em termos de negócio".
A mesma visão é partilhada pelo presidente da Junta de Freguesia do Pinhal Novo, João Estróia Vieira.
"Em termos de organização, estamos a falar de um espaço muito mais concentrado e isso facilita bastante a gestão do evento. Permite reduzir custos e também simplifica o trabalho das várias entidades envolvidas".
O autarca destaca igualmente as vantagens para a segurança.
"Para as forças de segurança, para os bombeiros e para a proteção civil é muito mais simples controlar um único espaço bem delimitado do que vários pontos espalhados pela vila. Essa centralização traduz-se também numa redução muito significativa de custos".
Mudanças no programa e novas áreas temáticas
A mudança de recinto traz também algumas alterações ao programa das festas.
Uma das principais novidades é a substituição do tradicional cortejo etnográfico por um desfile do movimento associativo, uma ideia que recupera o espírito das primeiras edições das festas.
"Nas primeiras festas do Pinhal Novo não existia cortejo etnográfico, o que existia era um desfile das associações da terra. Este ano queremos voltar um pouco a essa origem e criar um desfile com todas as associações que queiram participar, porque acreditamos que o movimento associativo é uma das grandes forças da nossa comunidade".
As marchas populares continuam garantidas e, segundo a organização, o novo recinto até poderá oferecer melhores condições para a sua realização.
"Acreditamos que o espaço reúne boas condições para as marchas e que pode até valorizar esse momento do programa".
Entre as novidades destaca-se ainda o Espaço Auto & Motos, dedicado à exposição e venda de carros e motas antigas, com presença de veículos clássicos e uma exposição histórica da GNR.
O Espaço Gastronomia surge numa versão ampliada, com mais mesas, grelhadores, esplanadas reforçadas e animação em palco.
Outra novidade será o Largo das Festas, pensado como ponto central de convívio, com bailes, artesanato local, vinhos, queijos e petiscos tradicionais.
Para quem procura atividades mais dinâmicas surge também o Espaço Aventura, com jogos, desafios de equilíbrio e atividades para todas as idades.
Mantêm-se ainda no programa:
- palco principal com concertos
- discoteca
- marchas populares
- fogo de artifício
- jogos tradicionais
- artesanato
- exposições
- stands comerciais
- divertimentos para crianças
A distância mede-se em metros e em hábitos
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| A discoteca e os concertos prometem atrair milhares |
A organização está a tentar garantir soluções de mobilidade que facilitem a deslocação dos visitantes.
"Estamos neste momento a trabalhar com várias entidades para tentar encontrar soluções que permitam às pessoas deslocarem-se com mais facilidade até às festas. Já falámos com a Carris Metropolitana, com a Fertagus e com a Câmara de Palmela para perceber se é possível criar algum tipo de transporte gratuito durante o período das festas".
Ainda assim, para João Estróia Vieira a distância não deverá ser um problema.
"Se olharmos bem para o mapa da vila estamos a falar de uma distância muito curta, cerca de cinco minutos a pé entre o antigo local das festas e o novo recinto. Muitas vezes o que existe também é um certo hábito de as pessoas não quererem andar um pouco".
O autarca reconhece, no entanto, que se perde um elemento muito característico da festa tradicional.
"É verdade que se perde aquela imagem muito típica de andar pelas ruas do centro com um copo de cerveja na mão debaixo das varandas. Essa era uma das imagens mais fortes das festas".
Um teste para o futuro das festas
Para já, a mudança não é definitiva. João Serrão lembra que o futuro dependerá das próximas direções e da avaliação feita após esta edição.
"Neste momento não posso garantir que seja uma mudança definitiva, até porque as direções vão mudando e o nosso mandato termina este ano. O que posso dizer é que foi feito um investimento muito grande em termos de organização e trabalho para que este modelo funcione".
Do lado da Junta de Freguesia, a posição é clara: primeiro experimentar, depois avaliar.
"A nossa ideia é testar este novo modelo e perceber como corre. Se correr mal, cá estaremos para apoiar o regresso das festas ao centro da vila. Se correr bem, então poderá fazer sentido continuar".
Entre 4 e 10 de Junho, o Pinhal Novo prepara-se assim para escrever um novo capítulo na história das suas festas.
Porque, como lembra João Serrão, o objetivo mantém-se inalterado.
"O principal propósito das festas sempre foi trazer as pessoas para a rua, promover a alegria, o convívio e o encontro entre amigos e famílias. É ouvir música, partilhar momentos e celebrar a nossa comunidade e esperamos que isso continue exatamente da mesma forma".
João Serrão acredita que o novo recinto poderá abrir portas a uma nova etapa na evolução do evento.Para já, a mudança não é definitiva. João Serrão lembra que o futuro dependerá das próximas direções e da avaliação feita após esta edição.
"Neste momento não posso garantir que seja uma mudança definitiva, até porque as direções vão mudando e o nosso mandato termina este ano. O que posso dizer é que foi feito um investimento muito grande em termos de organização e trabalho para que este modelo funcione".
Do lado da Junta de Freguesia, a posição é clara: primeiro experimentar, depois avaliar.
"A nossa ideia é testar este novo modelo e perceber como corre. Se correr mal, cá estaremos para apoiar o regresso das festas ao centro da vila. Se correr bem, então poderá fazer sentido continuar".
Entre 4 e 10 de Junho, o Pinhal Novo prepara-se assim para escrever um novo capítulo na história das suas festas.
Porque, como lembra João Serrão, o objetivo mantém-se inalterado.
"O principal propósito das festas sempre foi trazer as pessoas para a rua, promover a alegria, o convívio e o encontro entre amigos e famílias. É ouvir música, partilhar momentos e celebrar a nossa comunidade e esperamos que isso continue exatamente da mesma forma".
"O espaço oferece condições que o centro da vila já não conseguia garantir. Estamos a falar de um recinto fechado, com muitos lugares de estacionamento no exterior e com melhores respostas ao nível da água, da eletricidade e também da segurança".
Mas, acima de qualquer logística ou organização, o que realmente está em jogo é a continuidade de uma tradição profundamente enraizada na comunidade.
Porque no Pinhal Novo as festas nunca foram apenas um evento. São memória, encontro e pertença.
E se o palco muda, a alma permanece.
A história continua agora a escrever-se num novo espaço, com mais espaço para dançar, mais ruas para percorrer e mais histórias para contar. Mas com o mesmo orgulho de quem sabe que, nesta vila ferroviária onde gerações cresceram entre carris e pinhais, a tradição é um comboio que nunca para.
Paulo Jorge Oliveira
Fotografia: Paulo Jorge Oliveira


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