Entre tradição e sátira: Queima do Judas regressa às ruas históricas de Palmela

Vila revive ritual pagão na Páscoa com a tradicional Queima do Judas no Centro Histórico

Um ritual pagão que sobrevive dentro das tradições da Páscoa continua a atrair olhares e curiosidade em Palmela. No sábado de Aleluia, 4 de Abril, o Centro Histórico transforma-se novamente no palco da emblemática Queima do Judas, um dos momentos mais marcantes das tradições pascais em Portugal e uma experiência singular para quem procura descobrir o que visitar no Centro Histórico de Palmela nesta época festiva.
Boneco de Judas é queimado num ritual no Centro Histórico

Palmela prepara-se para viver mais uma noite marcada por fogo, teatro popular e crítica social. A tradicional Queima do Judas regressa ao Centro Histórico da vila no sábado de Aleluia, dia 4 de Abril, a partir das 21 horas, mobilizando o movimento associativo local e a população num desfile que promete voltar a encher as ruas históricas.
O cortejo inicia-se no Largo dos Loureiros, percorrendo vários pontos do centro da vila até terminar no Largo de São João, onde a noite culmina com animação musical e um espetáculo de fogo-de-artifício.
Ao longo do percurso, as associações locais apresentam dramatizações do chamado testamento do Judas - textos satíricos que comentam acontecimentos da atualidade e, em tom crítico e humorístico, determinam o destino final do boneco.
Cada Judas é representado por um boneco de palha recheado com material pirotécnico. Após a leitura do testamento, a figura é simbolicamente queimada, num gesto que representa a expiação dos pecados e a renovação de um novo ciclo.
Esta tradição pascal foi recuperada em 1995, depois de vários anos de esquecimento, e tornou-se novamente um dos momentos mais aguardados do calendário cultural da vila.
 
Um ritual entre a religião e as origens pagãs
Segundo a Câmara Municipal de Palmela, a tradição cumpre-se anualmente no sábado de Aleluia, entre a Sexta-Feira Santa e o Domingo de Páscoa.
O ritual simboliza a punição de Judas Iscariotes pela traição a Jesus e a vitória do bem sobre o mal. No entanto, as suas origens são ainda mais antigas.
A autarquia recorda que a tradição tem raízes pagãs ligadas ao equinócio da Primavera, período associado ao renascimento da natureza e ao início de um novo ciclo de vida.
À luz de archotes e ao ritmo dos tambores, as associações locais dão vida a esta tradição popular que continua a mobilizar diferentes gerações, demonstrando a vitalidade do tecido associativo e da participação da comunidade.
A Queima do Judas marca também o encerramento de um mês inteiro dedicado às artes de palco no concelho de Palmela, integrado nas celebrações do Dia Mundial do Teatro.

Trânsito condicionado na noite do evento
A realização da Queima do Judas implicará alterações na circulação rodoviária no centro da vila.
Segundo a Câmara Municipal de Palmela, haverá corte de trânsito entre as 20 horas e a meia-noite de sábado em várias vias da zona histórica.
A autarquia informa ainda que será proibido estacionar nessas áreas entre as nove e a meia-noite do mesmo dia.
O município alerta que o incumprimento destas restrições poderá levar ao reboque dos veículos e à aplicação de coimas.

Agência de Notícias 
Fotografia: Paulo Jorge Oliveira/ADN 

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