Pequena piloto de Setúbal acelera rumo ao sonho e pede ajuda para continuar a competir

Uma moto, um sonho e uma menina que se recusa a desistir. Vamos ajudar? 

A história de Camilla Audrey, jovem piloto de apenas 11 anos natural de Setúbal, é feita de garra, sacrifício e de um sonho que bate tão forte como o som de um motor em aceleração. Entre quedas, conquistas e aprendizagens que chegam cedo demais para a idade, Camilla constrói, dia após dia, um caminho que já emociona quem a conhece e inspira quem a vê correr. Agora, com o início de uma nova temporada competitiva a aproximar-se e desafios cada vez maiores pela frente, esta jovem atleta precisa de apoio para continuar a lutar pelo lugar que está a conquistar nas pistas e para garantir que um sonho tão verdadeiro não é obrigado a parar demasiado cedo.
Entre adrenalina e esperança, uma jovem piloto luta pelo futuro


Há paixões que nascem devagar. Outras surgem no instante em que acontecem. Foi exatamente isso que aconteceu quando Camilla subiu pela primeira vez para uma moto. A felicidade foi imediata, mas acompanhada por uma perceção clara da dificuldade que teria pela frente.
"Eu senti felicidade e primeiro senti que isto não ia ser fácil, mas depois senti que era muito fácil e senti que era isto que eu precisava na minha vida", disse Camilla.
Apesar de treinar há apenas cinco meses, a jovem demonstra uma maturidade pouco comum para a idade. O motocross não é apenas diversão. É identidade, desafio e futuro.
Atualmente, treina na BA Motorpark e compete na classe Iniciados TTR 110, onde começou a construir o seu percurso competitivo.

Danger - mais do que uma alcunha, é uma forma de estar
Nas pistas, Camilla é conhecida como “Danger”. O nome pode parecer uma brincadeira, mas traduz a energia intensa com que vive cada corrida.
"Porque eu sou mesmo perigosa, quase atropelei uma pessoa", disse a sorrir à ADN-Agência de Notícias. 
A frase surge com naturalidade e sem arrogância. Representa coragem, impulso e a intensidade emocional que caracteriza muitos jovens atletas em formação.
Treinar foi apenas o primeiro passo. O verdadeiro choque surgiu com a primeira prova oficial, integrada no Troféu Yamaha. A pressão da grelha de partida trouxe nervosismo, responsabilidade e consciência competitiva.
Entre todas as provas, a corrida em Gáfete ficou marcada como a mais exigente a nível emocional.
"Foi a de Gáfete. Eu aprendi que devia ter mais confiança", explicou. Aqui percebe-se que o motocross é tão mental quanto físico.

Uma rapariga num desporto de rapazes e sem rótulos
Para Camilla, a questão de género praticamente não existe. "Nunca pensei nisso, mas é normal, é divertido", disse.
A jovem acrescenta ainda que encontrou no motocross um espaço social forte. "Por acaso tenho mais amigos na moto do que fora da moto", disse.

A campanha que é muito mais do que um pedido de ajuda
Podia ser apenas mais uma campanha solidária. Mas para a família, é muito mais do que isso.
"Esta campanha é sobre um sonho real, uma criança determinada e um caminho construído com esforço, coragem e paixão. Acreditamos que pode tornar-se especial para quem quiser ajudar", explicou o pai, João Assembleia.
Com o Campeonato Nacional de Mini Baja e novas provas em vista para 2026, Camilla precisa de uma nova moto para continuar a competir com segurança e evolução técnica.
A solução passa pela compra de uma TTR-125 da Yamaha, com custo aproximado de 3.650 euros. O objetivo é reunir este valor até Abril. 
Para isso, a família criou uma campanha na GoFundMe, além de disponibilizar outras formas diretas de apoio. Até agora têm 1116 euros, metade do que custa a nova mota. 
Existe um prazo que carrega esperança: Abril. Até lá, o objetivo é conseguir reunir este valor essencial para que o sonho de Camilla continue vivo, para que o som do motor continue a ser o som da sua felicidade e para que o seu caminho no motocross não tenha de parar agora.

Mais do que resultados: o que o motocross trouxe
Camilla acelera com coragem rumo ao sonho
Para além da evolução desportiva, o motocross trouxe novas amizades, experiências e crescimento pessoal.
"Aprendi novas amizades, aprendi um desporto muito fixe que eu não sabia que existia", disse.
Fora das pistas, Camilla equilibra a vida de atleta com atividades criativas. Toca bateria, desenha e lê manga, algo que, segundo a própria, ajuda no foco e na coragem.
Antes das corridas, as emoções misturam-se. "Fico nervosa e entusiasmada, mas fico mais nervosa", disse. E dentro da pista, há dois momentos preferidos: "Saltos e ultrapassagens", disse.
Mesmo com receios naturais, mantém uma mensagem clara para outras crianças.
"Mesmo sendo pequena, consigo andar de moto e até as raparigas podem andar mais rápido que os rapazes", disse.

Um percurso já com resultados muito relevantes
Apesar do início recente, Camilla já soma resultados importantes:
Mini Baja Gáfete 2025
  • • 3.º lugar feminino TTR-110
  • • 4.º lugar feminino geral
  • • 23.º lugar classificação geral
Troféu Yamaha 2025
  • • 6.º lugar feminino
  • • 27.º lugar geral entre cerca de 40 atletas
Com apenas cinco meses de treino, completou todo o seu primeiro Troféu Yamaha, enfrentando pistas difíceis e adversários mais experientes.
É uma verdadeira embaixadora de Setúbal e da região. Uma campeã em formação. 

O verdadeiro objetivo: continuar a acreditar
Para a jovem piloto, o motocross é mais do que competir. "Quando estou na mota, sinto-me eu própria. É o meu lugar feliz. Cada treino e cada corrida são uma oportunidade para aprender e melhorar", disse. Sem uma nova moto, Camilla pode ver o crescimento competitivo travar. Com uma moto própria, poderá treinar fora do calendário da equipa, experimentar novas pistas e ganhar ritmo competitivo mais rapidamente. "Quero mostrar que, mesmo sendo pequena, posso fazer coisas grandes, acreditar e trabalhar todos os dias", disse.
A campanha permite contribuições diretas, partilhas e apoio institucional. Empresas apoiantes terão visibilidade em eventos, paddock e redes sociais.
Mais do que apoio financeiro, trata-se de "manter vivo um sonho desportivo em construção", diz o o pai. 
Existe um prazo que carrega esperança: Abril. Até lá, o objetivo é conseguir reunir este valor essencial para que o sonho de Camilla continue vivo, para que o som do motor continue a ser o som da sua felicidade e para que o seu caminho no motocross não tenha de parar agora. Para ajudar podem seguir também o seu perfil no Instagram

Paulo Jorge Oliveira 
Fotografia: Paulo Jorge Oliveira/ADN

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