Pais e região escolheu Seguro

Seguro domina território do distrito de Setúbal e amplia distância histórica sobre Ventura

As cheias do rio Sado e as tempestades recentes adiaram a votação em Alcácer do Sal para o próximo domingo, mas nem esse fator logístico altera a leitura política: o distrito de Setúbal transformou-se num dos pilares eleitorais mais sólidos de António José Seguro, confirmando uma vitória clara, transversal e com forte expressão territorial na segunda volta das eleições presidenciais. Com quase 3, 5 milhões de votos, Seguro, que vai suceder a Marcelo Rebelo de Sousa, tornou-se no presidente mais votado de sempre. 
António José Seguro foi eleito Presidente da República este domingo

O padrão eleitoral observado em Setúbal replica praticamente o cenário nacional. António José Seguro conquistou cerca de 66 por cento dos votos, enquanto André Ventura se ficou pelos 33 por cento, espelhando o equilíbrio nacional.
Mesmo com resultados ainda por apurar em sete consulados e em 20 freguesias onde a votação foi adiada devido às tempestades, Seguro alcançou cerca de 3,5 milhões de votos a nível nacional, o maior registo de sempre em eleições presidenciais. Em termos percentuais, obteve 66,82 por cento dos votos expressos, contra 33,18 por cento de Ventura, que reuniu cerca de 1,7 milhões de votos.
No distrito de Setúbal, a segunda volta confirmou esse domínio. Seguro reuniu 278.959 votos, equivalentes a 66,20 por cento, enquanto Ventura alcançou 142.429 votos, ou 33,80 por cento. A diferença entre candidatos atingiu 136.530 votos, traduzindo-se numa distância de 32,40 pontos percentuais.
Apesar de Ventura ter crescido entre a primeira e a segunda volta, a evolução ficou bastante abaixo da subida registada pelo candidato do centro-esquerda, consolidando uma vitória politicamente confortável.
 
Resultados locais mostram domínio territorial quase absoluto
Seguro venceu em todos os municípios do distrito. O melhor resultado surgiu em Almada, com 70,79 por cento, seguido muito de perto pelo Barreiro, com 70,42 por cento.
Os valores mais baixos surgiram no Montijo, com 59,84 por cento, e também na Moita e em Sesimbra, ainda assim acima dos 60 por cento.
Ventura conseguiu o melhor resultado no Montijo, onde atingiu 40,16 por cento, sendo o único concelho do distrito onde ultrapassou a fasquia dos 40 por cento. Na Moita e em Sesimbra aproximou-se desse valor, mas sem o atingir. Os resultados mais fracos surgiram em Almada e no Barreiro, onde ficou próximo dos 29 por cento.
Ao nível das freguesias, Seguro venceu praticamente todo o território. Ventura apenas conseguiu vencer em Poceirão e Marateca, no concelho de Palmela, e em Pegões, no Montijo, zonas mais rurais e historicamente menos favorecidas do distrito.

Da fragmentação inicial ao domínio claro na segunda volta
Na primeira volta, o cenário era mais equilibrado. Seguro liderava com 32,20 por cento, correspondentes a 145.961 votos. Ventura tinha 24,83 por cento, ou 112.544 votos. A diferença era de 7,37 pontos percentuais e 33.417 votos.
Na segunda volta, a mudança foi estrutural. Seguro praticamente duplicou o número de votos, somando mais 132.998 votos e atingindo os 278.959. Ventura também cresceu, mas de forma mais moderada, acrescentando 29.885 votos e fixando-se nos 142.429.
Este comportamento eleitoral mostra que Seguro captou grande parte do chamado voto útil e do voto de convergência típico da segunda volta, enquanto Ventura não conseguiu transformar a disputa num confronto equilibrado.

Diferença eleitoral quadruplicou entre voltas
A vantagem de Seguro multiplicou-se mais de quatro vezes entre a primeira e a segunda volta.
  • Primeira volta: 33.417 votos de diferença
  • Segunda volta: 136.530 votos de diferença
Outro fenómeno relevante foi o aumento dos votos não válidos, comum em eleições muito polarizadas. Os votos brancos e nulos passaram de 8.652 para 18.789, mais 10.137 votos. Isto significa que mais de 10 mil eleitores que tinham feito escolhas válidas na primeira volta regressaram às urnas na segunda, mas optaram por não escolher nenhum dos candidatos. 

A participação eleitoral global diminuiu:
  • Primeira volta: cerca de 461.992 votantes
  • Segunda volta: cerca de 440.177 votantes
  • Diferença: menos 21.815 votantes 
Apesar da descida, o eleitorado que votou concentrou-se de forma mais expressiva em Seguro.

Tempestades atrasam votação mas não mudam tendência política
O único elemento fora do padrão eleitoral foi logístico. Em Alcácer do Sal, o ato eleitoral foi adiado para domingo devido às cheias do rio Sado provocadas pelas tempestades recentes, que impediram o normal funcionamento das mesas de voto.
Mesmo com esta votação em falta, o peso eleitoral do concelho dificilmente alterará o resultado final distrital ou nacional.
O distrito de Setúbal não apenas deu a vitória a António José Seguro. Ofereceu-lhe uma vitória territorial completa e politicamente robusta, confirmando uma forte concentração eleitoral no centro-esquerda.
André Ventura registou crescimento real, mas insuficiente para disputar o resultado. A segunda volta transformou Setúbal num reflexo claro do momento político nacional: uma maioria sólida de centro-esquerda e uma extrema-direita ainda incapaz de romper o bloqueio eleitoral da região.

Agência de Notícias 
Fotografia: Design ADN 

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