Barreiro ativa plano de emergência e fecha zonas ribeirinhas por risco de cheias

Depressão Marta chega com chuva forte e o Tejo pode subir nos próximos dias 

O Barreiro ativou o Plano Municipal de Emergência de Proteção Civil e interditou várias zonas ribeirinhas, numa resposta preventiva ao risco de cheias no Rio Tejo, numa altura em que as descargas das barragens em Espanha e a precipitação intensa dos últimos dias poderão fazer aumentar significativamente o caudal. A situação repete-se em vários concelhos das margens do Tejo e também em Setúbal, com a depressão Marta a chegar esta sexta-feira e a agravar o cenário meteorológico em toda a região. 
Barreiro reforça prevenção e fecha zonas ribeirinhas

A decisão foi tomada esta quinta-feira, durante a reunião da Comissão Municipal de Proteção Civil do Barreiro, que determinou a ativação do Plano Municipal de Emergência de Proteção Civil como forma de prevenção.
A autarquia explica que o risco está diretamente ligado à subida do caudal do Tejo, impulsionada por descargas das barragens em Espanha e pela chuva persistente registada nos últimos dias. “A ativação do Plano Municipal de Emergência é uma medida preventiva face à possibilidade de ocorrência de cheias no Rio Tejo”, indica a Câmara do Barreiro.
Ao mesmo tempo, a Comissão Municipal avançou com restrições concretas no território, visando reduzir a exposição das pessoas a zonas mais vulneráveis.

Zonas interditas no Barreiro: onde já não é permitido circular
A Proteção Civil municipal determinou a interdição de circulação em vários locais, nomeadamente:
  • passeios ribeirinhos
  • Rua do Clube Naval
  • Moinhos de Maré
  • Polis
  • Torralta
  • praias do Bico do Mexilhoeiro
  • Alburrica
  • Copacabana
A Câmara do Barreiro reforça que estas interdições são "preventivas e devem ser respeitadas, sobretudo numa fase em que a evolução do caudal do Tejo pode ser rápida". 

Água subterrânea: sem risco de contaminação no concelho
Apesar do alerta, há uma informação relevante para a população: não existe risco de contaminação da água no concelho do Barreiro.
Isto porque, como sublinha a Câmara Municipal, “a origem da água no concelho do Barreiro é subterrânea”, ao contrário do que acontece noutras zonas do país, onde a captação é feita em albufeiras e pode ser mais vulnerável a alterações provocadas por cheias.

Depressão Marta entra em cena e agrava a meteorologia
Depois das depressões Kristin e Leonardo, Portugal prepara-se agora para a chegada da depressão Marta, prevista para esta sexta-feira, com probabilidade de chuva muito intensa e rajadas severas na Península de Setúbal.
O auge do fenómeno está previsto para sábado de manhã, com dois momentos críticos: um primeiro na manhã, com maior impacto a sul, e um segundo durante a tarde, com maior expressão a norte.
As previsões indicam que as chuvas deverão prolongar-se até domingo, dia 8, mantendo o risco de cheias e inundações.
 
Sexta-feira com ar polar, granizo e vento até 60 km/h
Para sexta-feira, as previsões apontam para um dia influenciado por uma massa de ar polar, trazendo:
aguaceiros frequentes, por vezes fortes, possibilidade de granizo e trovoadas, sobretudo no Norte e Centro. Vento moderado com rajadas até 60 km/h, descida de temperaturas, com mínimas entre 2 e 6 ºC no interior e máximas que, em geral, não deverão ultrapassar os 14 graus. 
No mar, a agitação marítima continuará elevada, com ondulação forte na costa ocidental.
 
“Situação que se agrava” no Tejo e na Margem Sul
Para sábado, o cenário mais delicado concentra-se na bacia do Tejo, sobretudo na Margem Sul, estendendo-se também à Área Metropolitana de Lisboa.
Duarte Costa, especialista em alterações climáticas, alerta para uma “situação que se agrava”. Apesar de um possível abrandamento momentâneo da chuva, o risco principal está na hidrologia.
Segundo o especialista, o problema é que “as barragens em descargas em Portugal e em Espanha não aguentam a quantidade de água existente”, o que pode levar a uma situação de “prever e de acautelar o pior”.

Alentejo e Algarve também preocupam: “não estão habituados a tanta chuva”
O alerta não se fica pelo Tejo. Duarte Costa considera também preocupante o cenário no Alentejo Litoral, Alto Alentejo e Algarve.
No caso do Alentejo, o especialista sublinha que é uma área “que não está habituada a tanta chuva”, o que pode aumentar a vulnerabilidade a cheias rápidas, inundações urbanas e dificuldades de drenagem.
IPMA prevê 60 mm em 24 horas a sul do Tejo
Em comunicado, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) aponta para os maiores valores acumulados de precipitação a sul do rio Tejo, incluindo a região da grande Lisboa.
O IPMA refere que os acumulados podem chegar aos 60 mm em 24 horas no Alentejo e nas serras algarvias, o que “contribuirá para uma nova subida dos caudais dos rios e ribeiras destas áreas”.

Recomendações da Proteção Civil: o que deve fazer agora
A Comissão Municipal de Proteção Civil do Barreiro deixou um conjunto de medidas essenciais para reduzir riscos, pedindo à população que: 
evite qualquer tipo de atividade próxima da linha de água, sobretudo em zonas com histórico de inundações
  • evite o estacionamento de veículos em zonas historicamente inundáveis
  • não atravesse zonas inundadas, para evitar arrastamento de pessoas ou veículos para buracos no pavimento ou caixas de esgoto abertas
  • retire de zonas inundáveis animais, equipamentos, veículos e outros bens para locais seguros
  • restrinja ao máximo os movimentos de veículos e pessoas apeadas em áreas potencialmente afetadas
  • garanta uma fixação adequada de estruturas soltas que possam ser arrastadas pela água, como andaimes, placards e estruturas suspensas
  • tenha especial cuidado junto de áreas arborizadas próximas de linhas de água, devido ao risco de queda de ramos e árvores arrastados pelas águas
A autarquia reforça ainda a importância de acompanhar a meteorologia, a Agência Portuguesa do Ambiente e as indicações da Proteção Civil e das forças de segurança.
A situação é semelhante em praticamente toda a zona ribeirinha do Tejo e Sado: Almada, Seixal, Moita, Alcochete, Montijo e Setúbal estão em "alerta máximo". Em prevenção máxima estarão também Palmela e Sesimbra. Além de Alcácer do Sal e Santiago do Cacém que terão fortes impactos pela subida do Rio Sado. 

Domingo com “trégua” no dia das eleições, mas com aviso aos eleitores
A depressão Marta pode trazer ainda mais chuva ao distrito
O domingo, dia 8, coincide com as eleições presidenciais e, segundo as previsões, deverá trazer uma “trégua” climatérica.
Duarte Costa explica que ao longo do dia, em todo o país, “parece que não vai chover”, sendo mais provável alguma precipitação no final do dia, já durante a contagem dos votos.
O especialista aconselha os eleitores a planearem o voto para as primeiras horas do dia, para evitarem surpresas com chuva ou cheias.

Segunda-feira mais calma, terça-feira com novos riscos
A estabilidade deverá manter-se na segunda-feira. No entanto, para terça-feira, Duarte Costa alerta para “novos riscos bastante sérios a cautelar”. 
Será possivelmente a chegada da depressão Nils, o nome que se segue na lista. O especialista descreve um cenário com forte atividade elétrica e precipitação intensa, incluindo: tempestade de raios na zona de Leiria e no distrito de Santarém, muita descarga de água em Coimbra e Aveiro. 
“Ou seja, temos talvez a água a chegar aos dois centímetros num metro quadrado”, explica. E depois? "Pode ser que melhore um bocadinho". E se não melhorar, a Oriana, o Pedro e a Regina já estão batizados! 

Agência de Notícias 
Fotografia: Paulo Jorge Oliveira/ADN 

Comentários