Talento jovem do ATA dá corpo ao invisível no Auditório Rui Guerreiro em Pinhal Novo

(In)Visíveis mostra a força criativa da adolescência em palco no sábado e domingo 

O Auditório Rui Guerreiro, no Pinhal Novo, acolhe "(In)Visíveis – Ato I", um espetáculo de teatro físico que coloca a juventude e o talento do ATA no centro da criação artística. Criado a partir das vivências dos próprios jovens, o projeto dá forma às emoções da adolescência e afirma-se como um espaço onde ser visto deixa de ser exceção. A estreia é este sábado às 21h30 e repete domingo às 16 horas. 
Jovens do ATA dão corpo ao invisível

"(In)Visíveis – Ato I" é uma viagem intensa pelo universo emocional da adolescência, onde a dor, o silêncio e o desejo de pertença se manifestam através do movimento, da sombra e da palavra. Em palco, coreografias físicas cruzam-se com monólogos e imagens simbólicas, revelando aquilo que os jovens sentem quando ninguém está a olhar.
Para Xana Peixoto, criadora e diretora artística do ATA, o espetáculo nasce da necessidade de dar espaço ao que é tantas vezes silenciado. "Este projeto surge para dar corpo ao que os jovens sentem e não conseguem, ou não lhes permitem, expressar no dia a dia", afirmou. "Aqui, o corpo fala antes da palavra e a emoção ganha liberdade".

Um espaço de criação coletiva e descoberta de talento
Mais do que ensinar técnicas de palco, "(In)Visíveis" constrói-se como um lugar de escuta, partilha e criação coletiva. O guião é desenvolvido em conjunto, a partir das histórias, inquietações e urgências de quem sobe ao palco, tornando cada espetáculo único e irrepetível.
Xana Peixoto explica que o seu papel passa por acompanhar e cuidar do processo criativo. "A minha função é guiar, dirigir e proteger este caminho, explorando as competências de cada participante", sublinhou. "Há jovens com um talento enorme, verdadeiros diamantes, e o trabalho passa por ajudá-los a brilhar sem lhes tirar a autenticidade".
Cada grupo dá origem a uma peça diferente, o que torna "(In)Visíveis" num projeto pioneiro dentro do panorama artístico juvenil, sempre em constante transformação.

O significado profundo do "(in)" que dá nome ao projeto
Após "(In)Visíveis – Ato I", o percurso continuou com uma segunda criação apresentada no período de Natal, no Museu do Trabalho, em Setúbal, com um grupo de pessoas com deficiência intelectual da APPACDM. O espetáculo, intitulado "Os Guardiões do Natal", foi inteiramente escolhido e construído pelos participantes, num processo descrito como profundamente humano.
Para Xana Peixoto, o "(in)" do título não é um mero detalhe gráfico. "É um gesto político, poético e humano", explicou. "O (in) pode ser incluir, integrar, incentivar e inspirar, mas também pode ser interior, intenso e inacabado".
A criadora reforça que o projeto procura revelar aquilo que não se vê à primeira vista. "O (in) representa o que está dentro, o que insiste em existir", afirmou. "Porque todos merecem ser vistos, mesmo e sobretudo aqueles que foram ensinados a ser invisíveis".

Projeto: "(In)Visíveis" - Sinopse
Dar corpo ao silêncio que a sociedade não quer ver. Entre sombras, movimentos contidos e palavras libertas, cada intérprete reclama o direito de existir para além dos rótulos e das expectativas. A palavra torna-se grito e cura. As vozes deixam de ser eco e tornam-se presença e resistência.
 
Criação e direção artística
Xana Peixoto

Dramaturgia
Textos originais desenvolvidos pelos jovens e por Xana Peixoto

Interpretação – Voz off
• Íris Guerreiro
• Mara Patrício

Atores
• Alexandre Rodrigues
• Francisco Martins
• Íris Guerreiro
• Ivan Parreira
• Joana Cobo
• Letícia Garcia
• Lucas Cardoso
• Marta Maia
• Matilde Melo
• Matilde Teixeira
• Olivia Quintas
• Raquel Gonçalves
• Rafaela Fonseca
• Tiago Vilela
• Vitória Branco

Equipa artística e técnica
Coordenação de produção, assistência de direção, cenografia e figurinos: Katyana Santos

Coreografia, expressão corporal e direção de movimento
Xana Peixoto

Apoio vocal
Tiago Afonso

Desenho de luz, som e imagem

Fernando Afonso

Operação técnica
Luz e imagem: Fernando Afonso
Som: João Quintas

Apoio institucional
Ação Teatral Artimanha

Duração
Aproximadamente 1h30

Agência de Notícias 
Fotografia: Paulo Jorge Oliveira/ADN

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