Operação da PJ atinge extrema-direita e envolve polícia do comando de Setúbal

Investigação revela hierarquia violenta e ligações internacionais de ódio

Um elemento da PSP do Comando Distrital de Setúbal foi detido na operação “Irmandade”, desencadeada pela Polícia Judiciária, que visou o desmantelamento de um grupo de ideologia neonazi com atuação violenta em todo o país. A investigação culminou na detenção de 37 pessoas, incluindo ainda um militar, e expôs uma estrutura organizada ligada à extrema-direita radical.
Operação da PJ envolve elemento da PSP de Setúbal

A confirmação da detenção de um elemento da PSP trouxe um impacto particular à operação conduzida esta terça-feira pela PJ. Em comunicado oficial, a PSP esclareceu que o polícia pertence ao efetivo do Comando Distrital de Setúbal e que se encontra a aguardar informação detalhada sobre os crimes de que é suspeito para avançar com medidas internas.
A força de segurança frisou que, apesar de respeitar “o princípio da presunção da inocência”, repudia “de forma veemente qualquer conduta, interna ou externa, que constitua uma violação flagrante dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos”. A instituição acrescenta que irá desenvolver “os procedimentos disciplinares adequados e preventivos” assim que forem conhecidos os contornos do processo.
 
Operação nacional revela dimensão do grupo extremista
A operação “Irmandade” decorreu em vários pontos do país e resultou, além das 37 detenções, na constituição de mais 15 arguidos e na realização de 65 buscas. Segundo a Polícia Judiciária, os suspeitos, com idades entre os 30 e os 54 anos, apresentam “vastos antecedentes criminais” e mantinham “ligações a grupos de ódio internacionais”.
Fonte ligada à investigação adiantou que, entre os detidos não civis, se encontra também um militar, não tendo sido especificado o ramo a que pertence. A mesma fonte sublinha que o grupo se dedicava à difusão ativa da ideologia nazi e à mobilização de ações de caráter violento.

Racismo, violência e hierarquia definida
De acordo com a PJ, os suspeitos “adotavam e difundiam a ideologia nazi, inerente à cultura nacional-socialista e à extrema-direita radical e violenta”, agindo por motivações racistas e xenófobas. O objetivo passava por “intimidar, perseguir e coagir minorias étnicas”, com especial incidência sobre comunidades imigrantes.
A organização funcionava de forma estruturada, com hierarquia e distribuição clara de tarefas, sendo responsável por crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, ameaça e coação agravadas, ofensas à integridade física qualificada e detenção de arma proibida.

Liderança a partir da prisão
O grupo, identificado pela PJ como 1143, terá como líder Mário Machado, conhecido militante neonazi atualmente a cumprir pena por crimes da mesma natureza. Segundo a investigação, era a partir da cadeia que transmitia orientações aos restantes membros, mantendo ativa a coordenação do movimento extremista.
A PSP reafirmou ainda que, “mesmo sendo difícil a prevenção de todas as situações desviantes”, tudo fará internamente para as impedir e para “garantir o respeito pelos direitos fundamentais, com compromisso, confiança e proximidade com todos os cidadãos”.

Agência de Notícias 
Fotografia: Design ADN

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