Falta de auxiliares deixa dez crianças autistas sem aulas no Seixal

Pais forçados a abandonar emprego após escola suspender apoio a crianças com autismo

10 crianças autistas continuam sem acesso às aulas na Escola Básica Quinta da Courela, no Seixal, depois do encerramento da valência estruturada por falta de auxiliares. Algumas famílias viram-se obrigadas a abandonar o emprego para assegurar os cuidados diários aos filhos, enquanto a autarquia e o Ministério da Educação trocam acusações sobre a responsabilidade do problema.

Unidade de apoio fechada deixa crianças sem aulas


A rotina destas crianças foi interrompida há três semanas. À porta da Escola Básica Quinta da Courela, no Seixal, permanecem todos os dias mães e pais que tentam, sem sucesso, garantir o direito dos filhos à educação. A unidade de apoio especializado foi encerrada devido à falta de auxiliares e, desde então, pelo menos 10 alunos com perturbações do espectro do autismo ficaram em casa.

Famílias sem alternativa e sem rede de apoio
Sem aulas, terapias ou qualquer acompanhamento escolar, as crianças perderam as rotinas essenciais ao seu desenvolvimento. Para muitos pais, o impacto é profundo e imediato. Alguns tiveram de suspender a atividade profissional e outros abandonaram o emprego para permanecerem com os filhos.
"Sentimo-nos totalmente abandonados e sem qualquer solução", lamenta uma das mães numa entrevista à SIC, que descreve a pressão diária de tentar conciliar cuidados, responsabilidades familiares e trabalho.
A ausência de acompanhamento especializado coloca também em risco os progressos obtidos ao longo dos últimos meses. Ordenar horários, garantir terapias e manter rotinas passou a depender exclusivamente das famílias.

Câmara aponta o dedo ao Ministério da Educação

Perante a situação, a vereadora da Educação da Câmara Municipal do Seixal reuniu esta terça-feira com os encarregados de educação. A autarquia responsabiliza o Ministério da Educação, alegando que o cálculo das necessidades de pessoal na escola foi feito de forma incorreta.
A autarquia afirma ter recebido a garantia do delegado regional do Ministério de que os rácios de pessoal serão finalmente publicados até ao final deste mês. Até esse momento, contudo, nada muda: a escola continuará sem auxiliares e as portas da valência estruturada permanecerão encerradas.
Enquanto isso, mães e alunos mantêm-se do lado de fora, à espera daquilo que chamam de verdadeira inclusão. As famílias insistem que o problema não é apenas falta de recursos, mas de prioridade. Um mês na vida destas crianças faz muita diferença. 

Agência de Notícias 
Fotografia: Design ADN

Comentários