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terça-feira, 11 de agosto de 2020

Requalificação do Santuário do Cabo Espichel em Sesimbra

Santuário vai ser cedido a privados para requalificação e instalação de um hotel

A requalificação do santuário do Cabo Espichel vai finalmente seguir para concurso público e no prazo máximo de cinco anos nasce ali uma unidade hoteleira que mudará a face deste local histórico situado no Parque Natural da Arrábida e pertencente ao concelho de Sesimbra. A Assembleia Municipal de Sesimbra aprovou, por unanimidade, por proposta da Câmara Municipal, a autorização de delegação de competências no Turismo de Portugal para a dinamização do procedimento para a concessão e exploração do Santuário de Nossa Senhora do Cabo Espichel, através de concurso público, a promover, no âmbito do Programa Revive. A concessão abrange, explica a autarquia liderada por Francisco Jesus, "a Ala Norte do Santuário, zona envolvente, e parte da área descoberta do prédio que integra o edifício da Casa da Água, cujo concedente é a Câmara Municipal, proprietária destes espaços". No concurso será também apresentada parte da Ala Sul, neste caso, por proposta da Confraria de Nossa Senhora do Cabo, que detém a propriedade desta área. A unidade hoteleira pode abrir portas em 2025 e fica a pagar uma renda de pelo menos 15 mil euros anuais.
Hotel irá nascer no Santuário do Cabo Espichel 

Isto significa que as antigas hospedarias do século XVIII ali existentes, e que hoje estão praticamente ao abandono, serão concedidas a uma entidade turística privada, portuguesa ou não, para que as recupere e transforme em unidade hoteleira, diz presidente da Câmara de Sesimbra, Francisco Jesus (eleito pela CDU). O terreiro central continuará a ser utilizado para atividades religiosas e pontualmente para atividades consideradas de âmbito cultural.
O objetivo, diz a autarquia em comunicado, é "afetar a exploração destes edifícios para fins turísticos como estabelecimento hoteleiro, alojamento local na modalidade de estabelecimento de hospedagem ou outro projeto de vocação turística, por um período de 50 anos, a contar da data de celebração do contrato entre a autarquia e o Turismo de Portugal, entidade a quem caberá elaboração e aprovação das peças do procedimento do concurso de concessão de exploração, e a abertura do concurso público".
No concurso do Revive será também apresentada parte da Ala Sul, neste caso, por proposta da Confraria de Nossa Senhora do Cabo, que detém a propriedade desta área.
"As obras de reabilitação e adaptação dos espaços para fins turísticos serão efetuadas pelo investidor que vier a ganhar o concurso público", destaca a autarquia.
O Santuário passou a integrar o Revive, no final de 2016, no âmbito de uma proposta feita pela secretaria de Estado do Turismo à Câmara Municipal, o que constituiu o "reconhecimento do papel determinante da autarquia na solução para a requalificação do conjunto arquitetónico do santuário, num momento em que já estava praticamente concluído o acordo com a Direção-geral do Tesouro e das Finanças para a aquisição da Ala Norte, por 321 mil euros, o que tornou possível chegar a esta solução, bom como da posse, por parte da autarquia, dos terrenos envolventes ao santuário, onde se inclui a Casa da Água", sublinha a Câmara de Sesimbra.
A aquisição da Ala Norte foi, de resto, "uma das faces do vasto trabalho" realizado nos últimos anos pela autarquia com vista à "valorização e reforço da atratividade do conjunto arquitetónico do santuário, materializado com um conjunto de intervenções, de onde se destacam, numa primeira fase, a instalação de iluminação no santuário, o arranjo do terreio, a pintura da Ermida da Memória ou o melhoramento das ligações pedonais e, mais recentemente, o restauro da Casa da Água, já concluído, ou a reabilitação da envolvente e do aqueduto, que estão em curso", conclui a autarquia de Sesimbra.

Passo importante para dar nova vida ao santuário 
O presidente do município já disse que esta não era a vontade inicial da autarquia mas mostra-se satisfeito com o facto de o processo dar um passo importante. Francisco Jesus reconhece que há promotores interessados em investir mas aguarda pelo desfecho do concurso, revelando que o Turismo de Portugal está “otimista” e “agradado com a solução”.
O autarca destaca ainda a importância da entidade, que impulsionou a negociação entre ambas as partes, e esclarece que a atuação da mesma nunca foi um motivo para a demora do processo.
Quando adquiriu a ala norte ao Estado, a Câmara de Sesimbra comprometeu-se a requalificar a parte exterior da ala sul, pertencente à Igreja. Caso o concurso público resulte em investimento por parte de terceiros e as fachadas sejam recuperadas, a autarquia irá reabilitar o interior da parcela que ficará ao serviço da Confraria. 
Se por ventura não surgirem interessados, a autarquia não fecha a porta a avançar apenas para um concurso para concessão da ala norte, sendo que neste cenário assumirá a requalificação inicialmente prevista.
O avançar das obras representa o “cumprir de um anseio de décadas da comunidade sesimbrense e da população mais religiosa de vários pontos do país”, afirmou o autarca. “O culto a Nossa Senhora do Cabo Espichel é dos mais antigos do país, teve uma enorme importância histórica, idêntica à do santuário de Fátima, mas muito anterior. É um culto que hoje continua a ter expressão”.
Se a requalificação do santuário só agora começa a ser preparada, a envolvente tem conhecido nos últimos sete anos diversas intervenções da autarquia local com financiamento da União Europeia, destacou Francisco Jesus. “Toda a zona está praticamente pronta a receber o que para todos nós é importante, que é a recuperação do próprio santuário”, conta o autarca.
O atual conjunto patrimonial no Cabo Espichel está classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1950. Teve obras parciais de restauro na década de 60, incluindo a partir de um projeto do arquiteto Keil do Amaral, e também no início dos anos 2000.
A história do santuário e a lenda da aparição da Virgem 
O conjunto arquitectónico do chamado Santuário de Nossa Senhora da Pedra Mua, implantado no extremo do Cabo Espichel, é sem dúvida o mais importante e caraterístico do concelho de Sesimbra. Há neste precioso agregado de edificações, desde a antiga Ermida da Memória à Igreja Seiscentista, desde os corpos rústicos das "hospedeiras" ao aqueduto e à "Casa da Água", uma unidade de valores gráficos que fez esquecer a disparidade de estilos. O culto de Nossa Senhora do Cabo perde-se na bruma dos tempos e é crível que anteriormente à sua veneração - a partir do Século XV - o Cabo Espichel fosse centro de peregrinações.
O actual culto remonta a cerca de 1410, ano em que teria sido descoberta na extremidade de Cabo Espichel a venerada imagem de Nossa Senhora do Cabo, por dois velhos da Caparica e de Alcabideche, que em sonhos coincidentes teriam sido avisados pelo Céu. Antes de 1701 - data da construção da actual igreja - o arraial era circundado de casas para os romeiros que não obedeciam a alinhamento especial, e que se dispunham em torno do primitivo templo.
A partir de 1715, a grande afluência de círios ao Cabo obrigou a que se construíssem hospedarias com sobrados e lojas.
A arcarias que corre ao lado de dois corpos consegue sem recorrer a arranjos construtivos de perfil erudito. A obra das hospedarias iniciou-se em 1715, mas só entre 1745 e 1760 foi ampliada para as dimensões actuais. 
A igreja actual remonta a 1701 e é da iniciativa real de D. Pedro II. Penetrando no templo através de um bom guarda-ventos de madeira do Brasil, vislumbramos a ampla e bem proporcionada nave, coberta por um tecto em madeira com uma composição a óleo que representa a Assunção da Virgem, esta é uma obra do pintor Lourenço da Cunha. 
Sobranceira à escarpas que afloram no extremo do Cabo Espichel, a poente da igreja e das hospedeiras, situa-se a Ermida da Memória, templo implantado precisamente no local onde a tradição diz ter-se dado a aparição da Virgem.

Agência de Notícias 

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