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segunda-feira, 10 de agosto de 2020

DGS e PCP discutem medidas sobre Avante no Seixal

Comunistas avançam para festa e DGS apenas decide medidas técnicas

O secretário de Estado da Saúde afirmou esta segunda-feira que qualquer decisão das autoridades de saúde sobre a festa do "Avante!", na quinta da Atalaia, no Seixal, será apenas técnica e que a Direção-Geral da Saúde e o PCP já começaram reuniões conjuntas. “A Direção-Geral da Saúde não toma decisões políticas, toma decisões técnicas”, declarou António Lacerda Sales, afirmando que começaram hoje reuniões de “caráter exclusivamente técnico” entre a autoridade de saúde e o partido sobre a realização da festa que marca tradicionalmente o regresso à atividade política dos comunistas depois do verão. Haverá “garantidamente um pressuposto: o cumprimento das regras sanitárias e das diretrizes da autoridade de saúde” em relação à pandemia da covid-19, salientou o governante. Os comunistas não estão a prever nenhuma limitação à lotação da festa [100 mil pessoas como os próprios adiantaram] e garantem que estão reunidas as condições de segurança e higiene. O PCP recusa críticas de irresponsabilidade e lembra que "alguns têm direito a fazer festas na Quinta do Lago e na Comporta". Segundo o PCP a Festa do Avante, entre ganhos e investimentos, teve um "saldo negativo de 564 mil euros no ano passado".
Criticas não demovem PCP de fazer o Avante 

A Direção-Geral de Saúde está a analisar as propostas do PCP para a realização da Festa do Avante! nos dias 4, 5 e 6 de Setembro, na quinta da Atalaia, Seixal. Rui Portugal, subdiretor-geral da Saúde, um dia depois da apresentação do evento, admitiu que podem ser necessários "ajustes" devido à pandemia. 
Na apresentação da edição de 2020 da Festa do Avante!, na terça-feira passada, Alexandre Araújo garantiu que a Direção-Geral da Saúde conhece "a lotação habitual da Festa do Avante", que "se aproxima dos 100 mil". 
Os comunistas não estão a prever nenhuma limitação à lotação da festa e garantem que estão reunidas as condições de segurança e higiene. O dirigente comunista realçou que este ano a festa vai realizar-se num "espaço muito amplo, mais aberto, com menos construção do que em anos anteriores, exatamente para permitir maior distanciamento entre as pessoas". 
O principal responsável pelo evento, Alexandre Araújo, membro do Secretariado do Comité Central do PCP, evitou adiantar números de bilhetes já vendidos, qualquer previsão de visitantes ou mesmo esclarecer se vai haver um limite à entrada de pessoas, numa conferência de imprensa nos terrenos da 44.ª edição do certame político-cultural comunista.
Na página oficial do PCP é possível encontrar resposta a algumas das questões que têm surgido por causa da pandemia. Os comunistas explicam, por exemplo, que a organização da festa está a ser feita em articulação com "as entidades competentes e avaliando a evolução da situação epidemiológica". 
Neste espaço, o PCP responde também às críticas daqueles que acusam o partido de irresponsabilidade. "Quando alguns têm direito a fazer festas na Quinta do Lago ou na Comporta, os trabalhadores são empurrados para transportes lotados para ir trabalhar, mas apenas para trabalhar. Para o PCP, o lazer, o convívio e a cultura não podem ser privilégios, têm de estar acessíveis a todos e é possível fazê-lo em segurança".
A Festa do Avante! vai realizar-se com várias mudanças devido à pandemia. A área disponível foi aumentada em 10 mil metros quadrados, passando agora o recinto total a ter 30 hectares, o número de palcos e iniciativas reduzido e a programação de teatro e cinema será feita ao ar livre.
Outra das garantias dada pelos responsáveis da festa é que a venda de bebidas alcoólicas vai respeitar as "regras em vigor".

Avante deu prejuízo de mais meio milhão de euros em 2019 
O deputado do Partido Comunista António Filipe defendeu este domingo que a realização da Festa do Avante é um “ato de coragem” e “não de irresponsabilidade”.
“Quem conhece a Festa [do Avante] sabe que ela não se põe de pé em dois dias nem sequer num mês e assumir avançar sabendo que teriam de ser tomadas medidas sem precedentes foi um ato de coragem mas não de irresponsabilidade”, escreveu António Filipe, na sua página oficial do Facebook.
O deputado do PCP garante que “as preocupações de segurança sanitária nunca estiveram ausentes da ponderação sobre a realização da Festa” do Avante e diz que “basta verificar que as iniciativas realizadas pelo PCP têm tido esse cuidado”, como comícios ou sessões públicas. “Ao contrário de outras manifestações e ajuntamentos que não vejo a comunicação social de serviço criticar”, refere.
António Filipe sublinha ainda que “não é verdade que os festivais estejam proibidos”. “Eles podem ser feitos desde que sejam cumpridas as regras impostas pela Direção-Geral de Saúde. Que os promotores não queiram assumir essa responsabilidade é problema deles. Não venham é acusar o PCP de querer exceções. Até por que, como é notório, há festivais a serem realizados”, indica, referindo-se ao diploma promulgado no final de Maio que proíbe os festivais de verão até 30 de Setembro, mas abre uma exceção para festivais de “iniciativa política, religiosa e social”.
Assegura ainda que “quem pensar que o PCP quer realizar a Festa [do Avante] por razões financeiras conhece muito mal o PCP”. De acordo com as contas reveladas pelo partido liderado por Jerónimo de Sousa, no ano passado, a Festa do Avante teve um saldo negativo de 564 mil euros, incorporando “o investimento no terreno para a melhoria do acolhimento ao visitante”, apesar de ser a principal forma de angariamento de receitas do partido.
“Há quem diga que o PCP vai pagar caro por realizar a Festa. Pois vai. Mas não é por ser este ano. É por realizar a Festa todos os anos. É por existir e defender os direitos dos trabalhadores. O PCP paga sempre muito caro o facto de existir e de não desistir de existir e ser o que é. Compete-nos a nós, comunistas e outros democratas, não alimentar o coro desses credores”, conclui o deputado comunista.

DGS admite ‘ajustes’
A decisão da Direção-Geral da Saúde deverá ser conhecida em breve. Rui Portugal, subdiretor-geral da Saúde, disse, em conferência de imprensa, na quarta-feira, que "há um conjunto de critérios que estão a ser avaliados" e "certamente haverá possibilidade" de dialogar com "a comissão organizadora para eventuais ajustes relativamente às propostas que foram remetidas nos diferentes documentos no sentido de perceber qual é a forma de minimização de risco".
O responsável da Direção-Geral da Saúde lembrou que "todos os eventos têm as suas particularidades" e as decisões das autoridades de saúde são tomadas "caso a caso".

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