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segunda-feira, 20 de julho de 2020

Câmara do Montijo defende aeroporto na Base Aérea

ANA fala em cerca de 10 mil empregos mas a obra já não começa este ano diz ministro 

O ministro das Infraestruturas e da Habitação considerou ser “difícil” o início das obras do aeroporto do Montijo ainda este ano, mas ressalvou que Portugal não pode prescindir de aumentar a capacidade aeroportuária em Lisboa. “Parece-me difícil. Agora, que Portugal não pode prescindir de aumentar a sua capacidade aeroportuária na região de Lisboa, não pode. Isso é evidente. Nós estamos a passar por uma situação muito particular, mas que não vai durar para sempre, e no dia em que nós voltarmos a ter procura, temos que ter capacidade de resposta, que nós já não tínhamos”, afirmou Pedro Nuno Santos, em entrevista à TSF e ao Dinheiro Vivo. Por sua vez, o presidente da Câmara do Montijo, afirmou no parlamento que a decisão de construir o novo aeroporto no concelho já não é técnica, mas “política”, defendendo que o projeto vai reduzir as "assimetrias regionais" e a "criação de mais emprego". E afinal quantos empregos poderá criar no distrito de Setúbal, esta infraestrutura?  A ANA – Aeroportos de Portugal "prevê criar 3200 postos de trabalho diretos e 3500 indiretos com numa fase inicial do aeroporto do Montijo", disse o responsável da empresa na Assembleia da República. 
Aeroporto continua a ser "uma miragem" no Montijo

“Estamos neste momento numa decisão política, porque as questões técnicas estão tratadas, o investimento está tratado. Tem de haver da parte da Assembleia da República um olhar para o território”, disse Nuno Canta (PS), na comissão de Ambiente, Energia e Ordenamento do Território.
O autarca falava durante uma audição sobre a Avaliação de Impacto Ambiental do Aeroporto do Montijo e o alargamento do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, onde apontou que “a decisão hoje não é técnica” e que “é preciso decidir”.
“O povo português precisa de decisões. Não podemos aprisionar o país num beco sem saída”, frisou, referindo-se à posição dos autarcas comunistas da Moita e Seixal, que estão contra a construção na Base Aérea n.º 6, no Montijo, devido aos impactos ambientais.
“O município do Montijo assume perante a Assembleia da República que a decisão da expansão da capacidade aeroportuária deve ser concretizada por razões ténicas e sobretudo por questões práticas”, defendeu.
Segundo Nuno Canta, a nova infra-estrutura vai permitir “a redução das assimetrias regionais”, com a criação de emprego e novos investimentos.
“O principal problema da Península de Setúbal é o emprego. A criação de mais emprego em proximidade com a habitação não só reduz as deslocações entre casa e o trabalho, como a poluição associada, e melhora a conciliação da vida profissional e familiar”, notou.
Outro grande problema da região, acrescentou, é o “desordenamento do território”, os inúmeros espaços industriais devolutos e a falta de acessibilidades, o que também deverá melhorar com a localização do novo aeroporto no Montijo.
“Este projeto é o que melhor resolve o problema da pendularidade na região de Lisboa e Setúbal. Não nos podemos esquecer de que existem três mil pessoas que atravessam as duas pontes por dia para vir trabalhar em Lisboa. Todos os dias atravessar as pontes é um martírio de várias formas”, considerou.
No entanto, Nuno Canta afirmou que “há câmaras que não vão mudar de opinião” e, apesar de não concordar com a alteração da lei para viabilizar o aeroporto, defendeu que o Governo deve encontrar formas de “ultrapassar” e “decidir”.

Comunistas continuam a dizer "não" ao Montijo
Na quarta-feira, os presidentes de câmara comunistas da Moita e Seixal reafirmaram na mesma comissão parlamentar que é um “erro” construir o novo aeroporto do Montijo, enquanto o Barreiro (PS) apoiou o projecto pelo desenvolvimento que pode trazer à região.
Já o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina (PS), não tomou uma posição, mas apelou ao “avanço” na decisão sobre a construção, porque a quebra do tráfego aéreo é “temporária”.
Em Junho, o ministro das Infra-estruturas disse no parlamento que o Governo quer avançar com o projecto do novo aeroporto no Montijo, mas, como parece não haver disponibilidade do parlamento para alterar a lei, tal está dependente dos pareceres favoráveis de vários municípios.
Segundo a Declaração de Impacto Ambiental, cinco municípios comunistas do distrito de Setúbal emitiram parecer negativo à construção do aeroporto no Montijo (Moita, Seixal, Sesimbra, Setúbal e Palmela) e quatro autarquias de gestão socialista (Montijo, Alcochete, Barreiro e Almada) deram parecer positivo.

Aeroporto pode criar cerca de 10 mil empregos na região 
Na quinta-feira, o presidente da Comissão Executiva da ANA – Aeroportos de Portugal defendeu, no Parlamento, que a crise potenciada pela pandemia, que paralisou o setor da aviação, “não retira qualquer relevância” ao aeroporto do Montijo, no distrito de Setúbal. “O projeto entrou agora numa fase de execução. A crise mundial […] não retira qualquer relevância ao aeroporto do Montijo”, notou Thierry Ligonnière.
Na sua intervenção inicial, Ligonnière assegurou que, em 2019, o aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, já não tinha possibilidade de gerar efeitos positivos para a economia nacional e, consequentemente, criar emprego. Assim, no atual contexto, “torna-se ainda mais importante para mitigar os efeitos económicos de uma crise que se perspetiva muito grave”, vincou.
Depois de o Governo ter vindo anunciar que o futuro aeroporto do Montijo deverá contribuir com mais de 10 mil postos de trabalho, diretos, indiretos e induzidos, Thierry Ligonnière veio esclarecer, numa audição parlamentar da Comissão de Ambiente, Energia e Ordenamento do Território, que as contas da gestora dos aeroportos nacionais apontam para a criação de 3200 postos de trabalho direitos, 3500 indiretos e 3200 induzidos.
“Temos de continuar a pôr o projeto a andar o mais rapidamente possível. O tráfego estará previsto para voltar aos níveis antes da covid-19 em 2023 e a construção do aeroporto irá demorar 36 a 39 meses depois da assinatura da adenda do contrato de concessão”, afirmou o CEO da gestora dos aeroportos nacionais.
Thierry Ligonnière disse que, além do “projeto único” de desenvolvimento um novo aeroporto na base aérea n.º 6 do Montijo, a ANA está a ponderar avançar com “muitos projetos” no aeroporto Humberto Delgado, que irão influenciar as taxas aeroportuárias, cobradas aos diferentes utilizadores dos aeroportos, seja às companhias de aviação ou às empresas de assistência em escala (handling) e aos passageiros.

Agência de Notícias com Lusa 

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