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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

O que muda em Alcochete e Montijo com novo aeroporto?

Moradores esperam aumento do emprego mas receiam “barulho”

Os moradores do Montijo reconhecem as vantagens do novo aeroporto na Base Aérea nº 6, como o aumento do emprego, mas permanece o receio do “barulho” que os aviões poderão causar. “Por um lado é uma mais-valia, porque vai investir em muitos postos de trabalho e nós estamos a passar por uma crise muito complicada, mas também traz desvantagens a nível de barulho e desconforto. Há aqui muita gente de idade e será uma complicação para eles”, disse a moradora Ana Paula Lima, de 44 anos. O setor imobiliário também  diz que o novo aeroporto do Montijo tem despertado o interesse de investidores nos concelhos do Montijo e Alcochete. 
Aeroporto vai trazer dinamismo à cidade 


A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) viabilizou no mês passado a construção do novo aeroporto no Montijo, estimando 15 a 20 milhões de euros para a adoção de medidas de mitigação do ruído, um dos impactos ambientais que mais tem preocupado a população e associações ambientalistas.
Está prevista a implementação de procedimentos de descolagem “menos ruidosos e que evitem ou minimizem o impacte sobre as áreas mais sensíveis” e a apresentação de um Programa de Reforço do Condicionamento Acústico de Edifícios afetados na área delimitada.
No entanto, o anúncio destas medidas não foi suficiente para convencer o morador José Henriques, de 58 anos, que é contra a nova infraestrutura porque “vai ter um grande impacto ambiental”.
“Eles [os aviões] passam pela minha casa e julgo que aquele ‘plafond’ que aprovaram não seja suficiente para isolar as casas todas, além da poluição ambiental dos escapes dos aviões e todo o impacto negativo que daí possa advir”, referiu à Lusa.
Aliás, o morador nem acredita num possível aumento turístico no concelho porque “as pessoas apanham o avião e vão diretas para Lisboa, porque não vão ter motivos de interesse para visitar” o Montijo.
Pelo contrário, Domingues Palpita, trabalhador no café da Casa do Benfica, sublinhou que a construção do novo aeroporto “já devia ser para ontem”.
“Traz progresso para a vida, trabalho e movimento. Isto está tudo morto e é positivo quanto a mim. Pode haver a parte negativa, mas é muito mais pequena que a parte positiva”, defendeu.
A APA confirmou a viabilidade ambiental do novo aeroporto no Montijo, projeto que recebeu uma decisão favorável condicionada em sede de Declaração de Impacto Ambiental.
A Agência Portuguesa do Ambiente impôs que sejam cumpridas medidas - relacionadas com a avifauna, ruído, mobilidade e alterações climáticas - para “minimizar e compensar os impactes ambientais negativos do projeto, as quais serão detalhadas na fase de projeto de execução”.
Esta decisão mantém cerca de 160 medidas de minimização e compensação a que a ANA - Aeroportos de Portugal “terá de dar cumprimento”, as quais ascendem a cerca de 48 milhões de euros, adianta a nota da APA.
A decisão está a ser fortemente contestada por diversos municípios da região de Setúbal e também por várias associações de defesa do ambiente, que prometem recorrer a todos os meios legais para impedir a concretização da obra.

Preço das casas dispara no Montijo 
O setor imobiliário diz que o novo aeroporto do Montijo tem despertado o interesse de investidores no concelho, no distrito de Setúbal, mas explicam que o aumento de preços na habitação se deve sobretudo à proximidade com Lisboa.
“Nota-se que há investidores à procura de lotes de terreno ou casas para recuperar, fazer apartamentos e colocar à venda. Acho que estão a apostar no Montijo porque vem o aeroporto”, referiu à Lusa a gerente da Paula Imobiliário, que tem duas lojas no concelho.
Na visão de Paula Gonçalves, que trabalha no setor há mais de 20 anos, a explicação para este aumento da procura é a possibilidade de construção do novo aeroporto na Base Aérea N.º 6, entre o Montijo e Alcochete, até porque “grande parte” dos investidores não são da região e alguns são estrangeiros.
Também Nuno Brioso, da imobiliária Side4You, confirmou que “se tem assistido a uma maior procura de investimentos em armazéns, logística e terrenos para urbanizar”, numa perspetiva de que “venha o aeroporto para depois ganharem mais-valias”.
O preço das casas no Montijo e Alcochete subiu mais de 30 por cento nos últimos dois anos, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgados há um ano, no entanto, os agentes imobiliários discordam de que o novo aeroporto já tenha alguma influência no custo das habitações.
“Quando vem uma lufada de notícias sobre o aeroporto, realmente notamos que há uma maior procura por parte das pessoas, mas não considero que seja só o aeroporto. Atendendo aos preços que são praticados em Lisboa, as pessoas não conseguem chegar a esses valores e acabam por escolher a nossa cidade, porque fica perto e os preços são mais baratos”, explicou Paula Gonçalves.
A mesma opinião tem Nuno Brioso, que admitiu um “ligeiro aumento da procura a nível de pessoas para habitação” quando são divulgadas notícias, mas frisou que a principal causa para a subida de preços é a proximidade com a capital do país.
“Os habitantes de Lisboa estavam habituados a comprar casa a 300 ou 400 mil euros, mas agora custam entre 600 e 700 mil euros e muitos deles já não conseguem, por isso têm de vir para a periferia”, indicou.
Segundo as imobiliárias, no Montijo, a renda de um apartamento com três quartos custa, em média, 750 euros por mês, enquanto a compra já ronda os 250 mil a 280 mil euros.

Alcochete vai ser o "novo Cascais"
No concelho vizinho de Alcochete, também se tem verificado um aumento da procura e, de acordo com Nuno Brioso, os preços são até “um bocadinho mais caros”.
“Alcochete tem menos imóveis, é mais pequeno e é um bocadinho mais caro. É uma vila mais pitoresca, tem aquele centro de vila piscatória e acaba por dar um encanto físico diferente do Montijo, que é muito maior. Alcochete está a tornar-se numa Cascais da Margem Sul”, mencionou.
Neste sentido, o agente imobiliário admitiu que os preços da habitação nos dois concelhos podem “subir ainda mais”, caso o novo aeroporto se concretize na localização anunciada.
“O ‘boom’ do aeroporto na procura, a vir, é realmente quando as coisas estiverem 100 por cento definidas, com as obras já começadas, porque enquanto não acontecer não sei se vem para cá”, apontou.
Ainda assim, Nuno Brioso mostrou-se positivo quanto aos benefícios que a infraestrutura trará à Margem Sul, como “mais emprego, logística e hotelaria”.


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