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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Cidade do Conhecimento projeta futuro em Setúbal

Investidor indiano quer investir 800 milhões de euros no Vale da Rosa 


O projeto Cidade do Conhecimento, avaliado como um investimento de quase 800 milhões de euros, foi proposto à Câmara de Setúbal pelo investidor e filantropo Sam Pitroda. A nova cidade ficará localizada no Vale da Rosa, se todas as obrigações impostas pela autarquia no caderno de encargos forem aceites, e terá a chancela do arquiteto Norman Foster. De acordo com o arquiteto Fernando Travassos, que está a trabalhar com o executivo da autarquia e a equipa do investidor indiano, “a dupla Pitroda e Foster irá colocar Setúbal no mapa internacional, através de um projeto para 180 hectares que inclui polos de investigação científica, habitação, hotelaria e espaços de lazer, com vista a uma sustentabilidade total”. A celebração de um protocolo para a elaboração do Plano Estratégico da “Cidade do Conhecimento”, já foi deliberado na reunião do executivo nesta quinta-feira. Para a presidente da Câmara este é "um grande investimento" mas que ainda precisa de ser "aprovado". 
Cidade volta a atrair investimento estrangeiro 



O protocolo de cooperação é celebrado entre o município e o The Pitroda Group LLC, entidade que pretende desenvolver em Setúbal a “Cidade do Conhecimento”, projeto que visa criar um ambiente propício à inovação e à troca de conhecimento entre diferentes agentes económicos, sociais, culturais, de ensino e investigação, num espaço geográfico especificamente concebido para o efeito.
O local escolhido é uma área de 180 hectares na zona do Vale da Rosa, na proximidade das instalações do BlueBiz Global Parques e do campus do Instituto Politécnico de Setúbal, correspondendo à zona ocidental da área de intervenção do Plano de Pormenor do Vale da Rosa e Zona Oriental de Setúbal.
De acordo com a deliberação camarária, são objetivos gerais da “Cidade do Conhecimento” criar um local onde “as pessoas e as empresas vivem, trabalham, colaboram e inovam em conjunto”, bem como uma “plataforma que concentra geograficamente os stakeholders de um determinado setor, permitindo a troca de conhecimentos entre todos de modo eficaz”.
As áreas a instalar neste cluster de conhecimento serão definidas “tendo em consideração aquelas nas quais Portugal, e em particular a região de Setúbal, pode afirmar-se como um centro de excelência a nível internacional”.
O projeto “Cidade do Conhecimento” enquadra-se na estratégia definida no Plano Estratégico de Desenvolvimento de Setúbal 2026 e na Revisão do Plano Diretor Municipal de Setúbal, “contribuindo para a concretização dos desafios traçados nestes dois instrumentos”.
O protocolo a celebrar entre a Câmara de Setúbal e o The Pitroda Group LLC visa a elaboração do Plano Estratégico da “Cidade do Conhecimento”, que terá uma primeira fase de diagnóstico a que se segue a fase de proposta.
Este plano será elaborado por uma equipa técnica contratada pelos investidores indianos, com o acordo da Câmara de Setúbal, e os trabalhos serão acompanhados e orientados conjuntamente pelas duas entidades.

Autarca com entusiasmo controlado  
Sustentabilidade será de facto a palavra chave no plano estratégico deste projecto que, por essa via, se destaca face à “Nova Setúbal”, que deveria ocupar o mesmo lugar no Vale da Rosa, e que iria prever apenas habitação e um novo estádio para o Vitória Futebol Clube. “Esse projeto deixaria aquela zona como um dormitório, distante de acessos e sem mais-valias para a sua rentabilização”, explica Fernando Travassos.
“Com a Cidade do Conhecimento vamos ter o oposto. Um conjunto de serviços que se complementam entre si e integram outras valências da região”.
É o caso do Instituto Politécnico de Setúbal que ganha a possibilidade de colocar polos de investigação académica na nova Cidade do Conhecimento. “Assim como a Universidade Nova de Lisboa, que devido ao polo de investigação científica no Monte de Caparica, em Almada, será uma das entidades parceiras chamadas a integrar esta cidade, a par de outras instituições académicas de renome internacional”, afirma o arquiteto.
Quanto à Cidade do Conhecimento ainda não há previsão de quando começará a ser construída, tendo em conta a fase inicial em que o processo se encontra e os caminhos que há a percorrer até lá chegar. 
Tudo porque o Vale da Rosa está classificado como prédio rústico, propriedade do fundo imobiliário da Millenium Gestão de Activos, e só poderá ser o lugar da Cidade do Conhecimento “se a sustentabilidade do projecto ficar comprovada”, defende a presidente da Câmara de Setúbal, Maria das Dores Meira.
Por isso, diz a autarca, há um “entusiasmo, sim. Mas contido. Este projeto pode colocar Setúbal no mapa internacional, mas também pode não acontecer, se o plano estratégico não respeitar exigências mínimas”. Maria das Dores Meira vê na Cidade do Conhecimento a resolução para uma área onde, no passado, a Nova Setúbal não vingou.
A autarca explica que, “esta não é a primeira vez que Setúbal é procurada por investidores internacionais com ideias fantásticas, que depois não são exequíveis no terreno, como o projeto da marina, apresentado pelo grupo do macaense David Chow, que veio a ser adaptado e repartido por vários investidores”.
A autarca aguarda pelo plano final do investidor, que deverá ter em conta “uma lista extensa de obrigações e um plano estratégico que não será fácil cumprir, para garantir a total sustentabilidade do projeto”.
Apesar do entusiasmo ponderado sobre a futura Cidade do Conhecimento, a autarca reconhece que o projeto resolverá “a amalgama de ideias que estava a gravitar em torno daquela área e que agora pode criar uma unidade, com aquilo que já está a ser desenvolvido, como o projeto do Wake Park, cuja construção deve ser iniciada ainda este ano”.
Uma coisa fica certa, a vontade férrea de Sam Pitroda investir em Setúbal. “Porque antes mesmo de contatar a autarquia, Pitroda já tinha no terreno uma equipa de consultores a trabalhar na aquisição e nos possíveis condicionantes do ponto de vista ambiental e do ordenamento do território”, sublinha a autarquia.
A nova "cidade" terá a chancela do arquiteto Norman Foster, autor de projetos como o Estádio de Wembley, o edifício da Câmara de Londres, o Aeroporto Internacional de Hong Kong ou o projeto do novo estádio do Real Madrid.

Agência de Notícias 
www.adn-agenciadenoticias.com

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