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quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Moscatel de Setúbal vai de viagem durante um ano

Sagres dá a volta ao mundo com 1600 litros de moscatel de Setúbal a bordo

São 1600 litros de Moscatel de Setúbal Torna Viagem da José Maria da Fonseca que partiram a bordo do Navio Escola Sagres, numa viagem à Volta do Mundo. Esta viagem, incluída no Programa de Comemorações do quinto centenário da Circum-Navegação Fernão de Magalhães, terá a duração de 371 dias e irá percorrer 20 países em cinco continentes diferentes. Esta é a oitava experiência de Torna Viagem da era moderna. Para Domingos Soares Franco, vice-presidente e enólogo da José Maria da Fonseca, "o vinho vai melhorar muito a sua qualidade durante a viagem". A 10 de Janeiro de 2021, o navio regressa a Portugal com "o melhor moscatel de sempre", esperam os responsáveis da adega de Azeitão. Uma experiência que recria os míticos e centenários vinhos de “Torna Viagem”.
Navio está a percorrer o mundo em 371 dias 

A bordo do Navio Escola Sagres seguem dois cascos de 600 litros e um de 400 litros de Moscatel de Setúbal José Maria da Fonseca: um casco com Moscatel de Setúbal 1956, outro com Moscatel Roxo de Setúbal 1985 e outro com Moscatel de Setúbal 2000, este último que já tinha feito uma viagem a bordo da Sagres em 2007, sendo assim um “duplo” Torna Viagem.
Esta viagem, cujo regresso a Lisboa está previsto para o dia 10 de Janeiro de 2021, tem o intuito de avaliar qual a influência da viagem marítima no Moscatel de Setúbal. Para isso a José Maria da Fonseca irá comparar as “testemunhas”, cascos de Moscatel de Setúbal das mesmas colheitas que permaneceram na adega, com os Moscatéis que viajaram.
Para Domingos Soares Franco, vice-presidente e enólogo da José Maria da Fonseca, em Azeitão, “cada viagem é única e irrepetível, as alterações bruscas de temperatura, o balanço do mar e a salinidade atribuem características ímpares ao vinho, mas invariavelmente ele regressa mais complexo, redondo e aveludado acentuando o carácter único e maravilhoso do nosso Moscatel de Setúbal Torna Viagem”.
As experiências Torna Viagem permanecem depois por longos anos nas caves da José Maria da Fonseca até chegarem ao mercado.

Experiência centenária da José Maria da Fonseca
A história do Moscatel Torna Viagem remonta ao século XIX e é património histórico exclusivo da José Maria da Fonseca.
Na época em que navios cruzavam os mares do Mundo fazendo todo o tipo de comércio, era comum levarem à consignação cascos de Moscatel de Setúbal. Os comandantes, que recebiam uma comissão pelo que vendiam, nem sempre os conseguiam comercializar na totalidade.
Na volta a Portugal, depois do périplo, em que se submetiam a diversos climas e significativas variações de temperatura, os cascos eram devolvidos à Casa Mãe. Ao serem abertos, o resultado era quase sempre uma grata surpresa: geralmente o vinho estava bastante melhor do que antes de embarcar.
A passagem pelos trópicos, a caminho do Brasil, África ou Índia, quando atravessava por uma ou mais vezes a linha do Equador, melhorava a qualidade do Moscatel de Setúbal e conferia-lhe grande complexidade.
Em 2000 a José Maria da Fonseca retoma com regularidade as viagens com cascos de Moscatel de Setúbal. Em parceria com a Marinha Portuguesa, em específico com o Navio Escola Sagres, a José Maria da Fonseca inicia a ‘Época Moderna dos Torna Viagem’ tendo já realizado oito edições – 2020, 2018, 2017, 2016, 2015, 2010, 2007 e 2000.

Volta ao mundo em 371 dias 
Habituados a ver partir os familiares para o mar, sentem orgulho nos que vão. É esse o espírito dos muitos que domingo acorreram ao Terminal dos Cruzeiros de Santa Apolónia, em Lisboa, para se despedir de maridos, filhos, netos, primos, irmãos, amigos, num total de 144 pessoas que embarcaram na Sagres para uma viagem de 371 dias à volta do mundo na rota de Fernão de Magalhães. Marcelo Rebelo de Sousa, presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas, também lá esteve, a bordo da Sagres, orgulhoso da vocação portuguesa de ser universal e não esqueceu aqueles que ficaram a ver o navio partir. Nem a marinha, nem as forças armadas, nesta viagem que irá reviver e reafirmar Portugal e os portugais no mundo.
Cais de Santa Apolónia. Um local que está umbilicalmente ligado a histórias de partidas em Portugal. Dali, em 1961, partiram milhares de militares para a guerra do Ultramar. Daquele “porto” despediram-se dos familiares chorosos, naquela que é uma das icónicas imagens do século XX português.
Hoje, a história é outra. E não se trata de guerra, embora o choro e as despedidas (e alguns lenços brancos) tenham marcado a manhã. No novo terminal de Cruzeiros de Santa Apolónia, um barco – navio-escola Sagres – com 144 tripulantes capitaneados pelo comandante Maurício Camilo, capitão-de-fragata, partiu para uma reedição da viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães, efetuada há 500 anos (1519-1522). Durará 371 dias, regressando a Lisboa a 10 de Janeiro de 2021, depois da passagem por 22 portos de 19 países diferentes, em cinco continentes, visitando, de acordo com as previsões da Marinha, 12 cidades da rede Mundial de Cidades Magalhânicas, fazendo escala em Tóquio, durante os Jogos Olímpicos, onde será a casa de Portugal durante as olimpíadas.
Na hora da partida, Marcelo Rebelo de Sousa não esqueceu aqueles que ficam a ver o navio partir: os familiares e os marinheiros da Marinha portuguesa. Foram, inclusive, para estes as primeiras palavras, o que lhe valeu um forte e sentido aplauso que seria, mais tarde, retribuído e transformado numa pausada romaria de afetos a filhos, irmãos, cônjuges, pais e avós que ficaram em terra a acenar para quem partia de barco.
Orgulhoso pela “vocação colada na nossa pele que é ser universal”, Marcelo estendeu o sentimento aos mais diversos quadrantes. “A circum-navegação coincide com um momento significativo para Portugal. É um momento português e celebrar este momento, é celebrar aquilo que nos orgulha na história de Portugal. Orgulham-nos as nossas Forças Armadas, orgulha-nos a nossa Armada, orgulha-nos a nossa paixão pelo mar, orgulha-nos a travessia dos oceanos e o chegar a continentes, orgulha-nos o estarmos permanentemente a fazer pontes entre culturas e civilizações”, disse sobre esta viagem em que a Sagres, um 'veículo de portugalidade' conforme a descreveu o Ministro do Mar, terá a honra de “celebrar o passado, afirmar o presente e construir o futuro”, de Portugal, avançou Rebelo de Sousa.
“Durante um ano, seguem dia por dia, semana por semana e mês por mês, a reviver Portugal no mundo. Em Tóquio será a afirmação do presente de Portugal, assim como de porto em porto, nas comunidades portuguesas, nos portuguais pelo mundo. Estamos em todo o mundo e a nossa força é superior ao território de Portugal”, finalizou o presidente não por acaso “o presidente dos afetos”.
O Navio Escola Sagres é um grande veleiro com 90 metros de comprimento, três mastros e armação em barca, construído nos estaleiros navais Blohm & Voss, na Alemanha, em 1937. Celebrou 80 anos em 2017, 55 dos quais com a bandeira de Portugal.

Agência de Notícias  
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