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quinta-feira, 7 de novembro de 2019

EDP preocupada com futuro dos trabalhadores de Sines

"Uma medida inevitável de um processo de transição energética" 

O encerramento da central de Sines em 2023 é vista com “preocupação” pelo presidente da EDP. No entanto, António Mexia defendeu que esta é uma medida inevitável de um processo de transição energética. A Associação Portuguesa de Energias Renováveis afirmou concordar com a decisão do Governo de antecipar o encerramento das centrais a carvão do Pego e de Sines, mas alerta para riscos relacionados com a segurança do abastecimento nacional. Para a associação, “outra das situações que tem que ser acautelada está relacionada com a perda de empregos locais e a mitigação dos consequentes impactos sociais negativos que podem ser gerados, principalmente nas regiões específicas onde se localizam as centrais”, mas contrapõe que “o desenvolvimento de novas formas de produção com base renovável e uma dinâmica de crescimento da economia podem gerar emprego para estas pessoas”.
Mais de 350 pessoas trabalham na central de Sines 

“Não vou comentar nenhuma decisão sobre 2023. Há uma coisa que é clara: a EDP talvez tenha sido a primeira entidade em Portugal a falar da transição energética e da aposta nas renováveis. Estamos absolutamente tranquilos com esta questão da transição energética. Mas o termo usado é, justamente, transição”, disse o homem forte da EDP, António Mexia.
O presidente da elétrica lembrou que existe “um período de phase-in muito acelerado – e mais acelerado do que era esperado nas renováveis – e há um phase-out”, acrescentando que “o phase-out do carvão será acelerado. Até porque o carvão – com os preços e CO2 e os impostos que tem, deixa de ser competitivo”, explicou aos jornalistas, à margem da Web Summit, que arrancou na segunda-feira e se prolonga até quinta-feira, no Parque das Nações, em Lisboa.
António Mexia admitiu ainda que os empregos que estarão em causa com o fecho da central são “a questão essencial” desta decisão. “Gostaríamos de arranjar solução para toda a gente. Agora, a central de Sines tem a vida que terá. Estamos preocupados e focados naquelas pessoas, tal como em todas as outras. As companhias só crescem à medida que vão criando oportunidades”, referiu o CEO, frisando que o objetivo da EDP é “obviamente minimizar” tudo aquilo que são danos provocados por uma transição energética. 
No entanto, António Mexia fez questão de frisar que muitas das medidas para a implementação destas mudanças “dependem do mercado e de decisões políticas. Não dependem da EDP”.

Encerramento das duas centrais é desejável mas há "riscos"
Associação Portuguesa de Energias Renováveis afirmou concordar com a decisão do Governo de antecipar o encerramento das centrais a carvão do Pego, em Abrantes e de Sines, mas alerta para riscos relacionados com a segurança do abastecimento nacional.
“A Associação considera que este encerramento não só é tecnicamente possível como desejável, no âmbito de uma estratégia de transição energética ambientalmente sustentável, que promova a coesão social e aumente o rendimento disponível do consumidor, através da redução incremental do preço da eletricidade”, lê-se no comunicado.
Ainda assim, a associação realça que “esta decisão não está isenta de riscos e de alterações nos resultados socioeconómicos, que têm que ser acautelados“, nomeadamente relacionados com a segurança do abastecimento elétrico nacional e com o possível aumento da dependência de importações de energia elétrica de Espanha.
Neste contexto, a associação considera que “é fundamental ser atempadamente concluído o aproveitamento hidroelétrico do Alto Tâmega que, com a sua capacidade de bombagem de 880MW [megawatts], permitirá ter uma capacidade de reserva deste montante, contribuindo positivamente para o equilíbrio de preços no mercado, e para que, em situações extremas de consumo ou de escassez de produtibilidade renovável, se reduza a dependência de importação de Espanha a preços excessivos ou eventualmente especulativos”.
A associação acrescenta que também é essencial aumentar a potência instalada e a produção de eletricidade a partir de tecnologias solar e eólica.
Para a associação, “outra das situações que tem que ser acautelada está relacionada com a perda de empregos locais e a mitigação dos consequentes impactos sociais negativos que podem ser gerados, principalmente nas regiões específicas onde se localizam as centrais”, mas contrapõe que “o desenvolvimento de novas formas de produção com base renovável e uma dinâmica de crescimento da economia podem gerar emprego para estas pessoas”.
“No entanto, deverá também ser dada atenção a outras atividades económicas locais que serão igualmente afetadas. Caberá às empresas detentoras destes centros electroprodutores, em parceria com as entidades oficiais, estabelecer o melhor plano a prazo de reaproveitamento ou realocação dos trabalhadores envolvidos, de modo a minimizar eventuais impactos económicos e sociais negativos nas regiões afetadas”, alerta.
António Costa destacou esta medida no discurso que proferiu após o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ter dado posse ao XXII Governo Constitucional, numa cerimónia no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa.
“Estou em condições de anunciar que iremos mesmo antecipar o encerramento da central termoelétrica do Pego para o final de 2021, e que a produção da central de Sines cessará totalmente em Setembro de 2023, garantidas condições de perfeita segurança de abastecimento, após a conclusão das barragens do Alto Tâmega e de uma nova linha de alta tensão que abasteça o Algarve, já planeada e prevista para meados de 2022, e que permitirá iniciar o encerramento faseado de Sines”, declarou.
No programa eleitoral do PS, o calendário previsto para o encerramento destas centrais era mais distante: “Preparar o fim da produção de energia elétrica a partir de carvão, dando início a esse processo durante a legislatura, com vista ao encerramento ou reconversão das centrais termoelétricas do Pego até 2023 e de Sines entre 2025 e 2030”.

Agência de Notícias 
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