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quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Festas de Santo André levam tudo ao banho de São Romão

Calças e saias arregaçadas na recriação do Banho de São Romão neste fim de semana 

A recriação do Banho de São Romão, uma tradição nascida num tempo que ninguém sabe precisar, volta a ser o ponto alto das festas tradicionais da Costa de Santo André, em Santiago do Cacém, onde "os homens arregaçavam as calças e as mulheres as saias" e iam ao banho, numa praia cheia de gente vinda de toda a região, em carroças puxadas por bestas, onde se partilha o alimento, se dança no areal e se desfila num cortejo etnográfico magnífico. É isso que os milhares de visitantes irão fazer este sábado e domingo, às 11 horas, na praia. As festas decorrem de 9 a 11 de Agosto. Este ano o programa “Olhá Festa”, da SIC vai estar durante o domingo nas Festas de São Romão com transmissão no Jornal da Noite.
Recriação dos banhos no sábado e domingo  

A recriação do Banho de São Romão promete ser, à semelhança das edições passadas, o ponto alto dos três dias de festa (até 11 de Agosto) na Costa de Santo André, em Santiago do Cacém. A organização é da Junta de Freguesia de Santo André, que tem na Festa de São Romão a sua maior iniciativa anual, que recebe o apoio da Câmara de Santiago do Cacém. 
No final da faina agrícola, a população juntava-se, vinham em carroças, traziam as melancias, os seus farnéis, as mantas para fazer sombra, as bestas e iam a banhos. Era um dia de festa. Era o único banho de praia do ano. 
"Os homens arregaçavam as calças, as mulheres as saias e molhavam as pernas. Era assim que as coisas se processavam nesse tempo”, diz a organização das festas de São Romão.  O folguedo seguia, fazia-se a corte às moças, brincava-se e partilhava-se, e havia dança, ao som do acordeão ou da gaita-de-beiços, pela noite dentro à luz de candeeiros a petróleo.  É isso que os milhares de visitantes irão fazer este sábado e domingo, às 11 horas, na praia.
“Era o único dia do verão em que as populações do interior iam à praia depois de uma grande caminhada a pé, acompanhadas por animais, charretes e carroças, numa espécie de cortejo que tentamos recriar com esta festa”, explicou o presidente da Junta de Freguesia de Santo André, David Gorgulho. As Festas de São Romão incluem dois cortejos etnográficos, no sábado e no domingo, com os elementos dos Ranchos Folclóricos “Ninho de Uma Aldeia” de São Bartolomeu da Serra, Grupo de Dança Típica da Queimada, de Melides e o Grupo Trajes e Tradições da Costa de Santo André. 
“O objetivo é recordar o final da faina agrícola. Por isso, a maioria dos elementos surge com trajes antigos do campo e esta encenação gera uma curiosidade muito grande por parte dos banhistas e, em particular, dos turistas que todos os anos escolhem esta zona para passar férias”, referiu o autarca.
De acordo com a tradição, após os cortejos, logo pela manhã, as pessoas instalam-se no areal da costa de Santo André “com as suas tendas, comes e bebes” e “partilham uma refeição com todos os banhistas”, seguindo-se o banho de mar com os trajes típicos da época e animação na praia.
“O primeiro cortejo, no sábado, será talvez a recriação mais perfeita porque vai contar com a participação dos animais, que não estarão disponíveis no domingo, segundo dia de desfiles”, explicou David Gorgulho.
Segundo o presidente da Junta de Freguesia de Santo André, entidade organizadora, a recriação tem atraído, de ano para ano, cada vez mais participantes entre a população local.
“Contamos cada vez mais com a envolvência da comunidade local que se junta aos cortejos, porque muitas das pessoas viveram ainda essa época e a sua maioria têm familiares que participaram no Banho de São Romão e, assim, ajudam-nos a recriar ao máximo os cortejos”, sublinhou.
Quem for à Costa de Santo André está convidado a embarcar numa viagem ao passado, com um programa marcado por várias iniciativas do presente, onde não faltam os cortejos etnográficos (este ano com cerca de 60 participantes, o maior de todas as edições), os tradicionais bailes, animação musical, Zumba e os almoços partilhados no sábado e domingo “o almoço era preparado na noite anterior, as mulheres praticamente não dormiam, e depois era partilhado num clima de comunhão muito próprio destas gentes”, explica David Gorgulho.
E para que não lhe falte nada haverá venda de fruta, doçaria da região e artesanato.


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