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sexta-feira, 12 de abril de 2019

Baixa da Banheira e Barreiro não querem ver passar aviões

Plataforma cívica reafirma no parlamento impactos negativos do aeroporto do Montijo 

A "Plataforma Cívica Aeroporto BA6 - Montijo Não!" voltou a contestar o impacto negativo do novo aeroporto na zona protegida do estuário do Tejo e na saúde da população, durante uma audição na Assembleia da República. José Encarnação, um dos representantes, referiu que esta plataforma foi constituída "no sentido de um debate sereno que serve de resolução dos problemas" que a construção do aeroporto pode suscitar. "Pedimos um estudo das alternativas, partindo do princípio de que existem alternativas" à construção do aeroporto no Montijo, indicou, no grupo de trabalho de concessão de audiências à comissão parlamentar de Ambiente. De acordo com esta plataforma de cidadãos, os aviões vão passar no Barreiro e Baixa da Banheira sobre "casas sem isolamento térmico, sonoro e envelhecidas", além do "inevitável problema" de sobrevoar a zona protegida do Tejo.  
Aeroporto continua a gerar discussão 

Vítor Silveira, piloto aéreo e também membro da plataforma cívica, clarificou que "17 quilómetros vão ser sobrevoados em baixa altitude e todas as implicações desses voos vão lá estar", referindo-se aos "incómodos para a população e para o ambiente".
"Os aviões vão passar no Barreiro e Baixa da Banheira sobre casas sem isolamento térmico, sonoro e envelhecidas", explicou, referindo que o perfil do percurso que os aviões vão tomar vai afetar a zona protegida do estuário do Tejo.
Já Maria Luís Albuquerque, deputada do Partido Social-Democrata (PSD), contrapôs que a nível dos custos e da localização, "entre as várias alternativas que foram apontadas pelo Governo anterior", a Base Aérea 6 do Montijo era a que melhor complementava o Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, que "se encontra mais do que lotado".
"Além de ser uma oportunidade de desenvolvimento da região, é necessária esta expansão que vai acontecer na base do Montijo e rápido", afirmou, numa opinião partilhada pelo deputado do Partido Socialista (PS) José Manuel Carpinteiro.
O socialista salientou que "a segurança deve estar sempre salvaguardada, mas a decisão está tomada".
Não fechando portas à possibilidade de conjugar as preocupações apresentadas pela plataforma "com as posições de quem quer construir o aeroporto", José Manuel Carpinteiro disse que "falta apenas receber o Estudo de Impacto Ambiental".
Joana Mortágua, deputada do Bloco de Esquerda (BE), não compreende a decisão do Governo, apelidando-a de "solução 'low-cost' (baixo custo)".
De acordo com a deputada, a "solução precipitada" não tem como resultar a longo prazo, porque "traz imensos prejuízos para a população".
"Preocupa-nos esta decisão de fazer um aeroporto numa zona urbana consolidada", salientou, acrescentando que a área é dotada de postos de combustível e zonas industriais "muito perto do aeroporto.
O deputado do Partido Comunista Português (PCP) Bruno Dias esclareceu que a pista que é utilizada hoje no Montijo não é a mesma que vai ser utilizada se se der a construção do novo aeroporto, que se localiza "mesmo junto ao estuário do Tejo".
A possível construção ou alargamento das pistas necessárias para a funcionalidade do aeroporto no Montijo leva a que estas fiquem "praticamente em cima das zonas habitacionais e industriais", referiu.
A "Plataforma Cívica Aeroporto BA6 - Montijo Não!" reforçou durante toda a intervenção que "a Base Aérea do Montijo não é um aeroporto" e "tem regras e aeronaves diferentes", sendo que o envolvente apresenta muitas árvores e aves que considera um perigo para os voos baixos dos aviões.
"Alcochete é a alternativa estudada", já com "estudos de impacto ambiental favoráveis", sublinhou o movimento.
A ANA - Aeroportos de Portugal e o Estado assinaram em 8 de Janeiro o acordo para a expansão da capacidade aeroportuária de Lisboa, que prevê um investimento de 1,15 mil milhões de euros até 2028 e inclui a extensão da atual estrutura Humberto Delgado (em Lisboa) e a transformação da base aérea do Montijo.
A 4 de Janeiro, o então ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, assegurou que serão cumpridas integralmente as eventuais medidas de mitigação que venham a ser definidas pelo estudo de impacto ambiental para o aeroporto complementar do Montijo.

Agência de Notícias com Lusa 

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