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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Associações criticam dragagens no porto de Setúbal

Dragagens do Sado continuam debaixo de um coro de criticas e de dúvidas 

Associações cívicas e de pescadores de Setúbal exigiram mais informação sobre a deposição de dragados provenientes do projeto de melhoria das acessibilidades marítimas do canal de navegação do estuário do Sado. A Cooperativa de Pesca de Setúbal, Sesimbra e Sines, Clube da Arrábida, SOS Sado e Grupo Pestana, que detém o Ecoresort de Tróia, reclamam mais informação de todo o processo de licenciamento das dragagens, como também criticam a presidente da Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra, Lídia Sequeira, que remeteu para a Agência Portuguesa do Ambiente a responsabilidade pelos locais escolhidos para a deposição de dragados, tendo acusado algumas associações cívicas, como o SOS Sado, de contestarem todas as localizações indicadas.
Dragagens no Sado preocupam pescadores 

Lídia Sequeira disse à Agência Lusa que as providências cautelares para tentar travar as dragagens de alargamento e aprofundamento do canal de navegação do porto de Setúbal tinham sido todas indeferidas pelos tribunais, desvalorizando o facto de as ações principais ainda poderem ser decididas a favor dos promotores.
Para a associação SOS Sado, "as declarações da doutora Lídia Sequeira causam perplexidade e preocupação, uma vez que são reveladoras de uma postura de profundo desrespeito pelas instâncias judiciais portuguesas e pelo direito de esclarecimento dos cidadãos".
A associação realçou que o "facto incontornável é que a APA -  Agência Portuguesa do Ambiente - indicou recentemente à  Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra não estarem ainda cumpridos todos os procedimentos necessários para o início da obra, como referido no documento `Elementos a entregar previamente à obra´ previstos na Declaração de Impacte Ambiental".
"O ponto de situação relativo ao incumprimento dos passos obrigatórios e as últimas afirmações proferidas obrigam a que seja esclarecido de imediato ao público pela entidade competente, qual o ponto de situação relativo ao projeto de dragagens no rio Sado", acrescenta.
Ricardo Santos, da Cooperativa de Pesca de Setúbal, Sesimbra e Sines, também critica a  Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra, bem como a APA, acusando as duas entidades de "pouca troca de informação com as associações de pesca no sentido de encontrar uma solução alternativa à deposição de dragados da Restinga", que disse ser uma zona de pesca fundamental para o sustento de três centenas de pescadores de Setúbal.

Criticas à Agência Portuguesa do Ambiente
O Clube da Arrábida "repudia as repetidas inverdades nas declarações da presidente da  Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra", que acusa de tentar convencer os pescadores com a "falsa ideia de que encontraria um local alternativo para a imersão de dragados, quando nunca o poderia fazer com base no Estudo de Impacto Ambiental sobre o qual a APA emitiu a Declaração de Impacte Ambiental".
"A  Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra vem agora empurrar a decisão da escolha do local de imersão de dragados para a APA, quando na realidade, foi a própria administração, que contratou o Estudo de Impacto Ambiental, que escolheu este local para imersão de dragados. Por seu lado a APA, nas declarações igualmente à agência Lusa, perante as visíveis contradições e recentes contestações, começa a revelar a enorme falta de solidez da decisão da imersão de dragados e, consequentemente da própria (mega) operação de dragagens do rio Sado", afirma o porta-voz do Clube da Arrábida, Pedro Vieira.
O porta-voz daquela estrutura acrescenta que "a APA começa agora a perceber o erro que fez em ter emitido uma Declaração de Impacte Ambiental  favorável ao projeto ao invés de o ter chumbado como fez com o recente projeto do Barreiro".

Grupo Pestana não tende  celeridade do projeto  
Por seu lado, para José Roquette, administrador do Ecoresort de Tróia, do grupo Pestana, "o que está em causa não é apenas a deposição de dragados, mas as próprias dragagens que, pela sua dimensão - o projeto de melhoria das acessibilidades marítimas ao porto de Setúbal prevê a retirada de 6,5 milhões de metros cúbicos de areia -, poderá ter um impacto enorme na vivência daquele espaço".
"As dragagens de manutenção sempre se fizeram e terão de se continuar a fazer, mas não podemos pensar que o porto de Setúbal poderá competir com o porto de Sines. O porto de Setúbal, tal como está, tem sido competitivo, porque senão já tinha desaparecido. Estamos perante uma guerra de egos para tornar o porto de Setúbal competitivo com o porto de Sines", acrescentou.
José Roquette afirmou também que, de acordo com alguns especialistas, a própria comunidade residente de golfinhos roazes-corvineiros, única na Europa, poderá abandonar o estuário do Sado devido ao barulho e aos impactos ambientais das dragagens dos próximos seis anos.
"Por outro lado, também não se compreende a celeridade deste processo de licenciamento para uma transformação radical do porto de Setúbal em tão curto espaço de tempo, quando, para salvaguardar a preservação do ambiente, estivemos dez anos à espera do licenciamento para o Ecoresort de Tróia, com uma baixa densidade de construção. E não pode haver dois pesos e duas medidas na salvaguarda das questões ambientais", concluiu José Roquette.

Agência de Notícias com Lusa 

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