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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Associação Barreiro contra venda da Quinta Braamcamp

O futuro da Braamcamp divide socialistas e comunistas na autarquia 

A Associação Barreiro afirmou esta quarta-feira estar contra a venda da Quinta do Braamcamp, situada na zona ribeirinha do concelho, defendo que são necessários "estudos multidisciplinares" para perceber quais os impactos ambientais. Em comunicado, a Associação Barreiro - Património, Memória e Futuro referiu estar em desacordo com a Câmara do Barreiro, que anunciou numa sessão de esclarecimento à população, a intenção de vender a privados o espaço com cerca de 20 hectares. "Defendemos que não se pode colocar em perigo o espaço que ambientalmente já corre sérios riscos em consequência do aquecimento global, necessitando, assim, de um estudo de impacto ambiental relativamente a todo e qualquer projeto que venha a ser estruturado para o local", disse a associação. O tema também está a dividir as estruturas políticas locais. 
Venda da Braamcamp gera polémica no Barreiro 

Segundo a associação, a realização de um estudo é imperativo porque o Plano Diretor Municipal (PDM) existente foi realizado em 1994 e "está desatualizado sobretudo em todas as questões que interferem com o ambiente", como as alterações climáticas, que só passaram a ser uma "preocupação pública na viragem do século".
"Estranho é que o atual executivo da Câmara Municipal, que deveria ser o primeiro a promover esse estudo, tenha afirmado no dia da sessão pública, que não era necessária a sua realização, dado que tudo estava previsto e estudado no PDM de 1994, perfeitamente desatualizado! Qual a razão desta recusa? Terá medo que, dados os atuais problemas ambientais, tal estudo negue a possibilidade de venda para construção de habitação no espaço de Quinta?", questionou.
A Associação Barreiro criticou também que a venda tenha sido apresentada pelo município com base "nos valores em euros" que poderá ganhar, não mostrando "preocupação ambiental, paisagística ou patrimonial".
"Um bem patrimonial como a Quinta do Braamcamp, integrada numa zona classificada, e que é considerada, segundo a lei, um bem de inestimável valor cultural, não pode ser alienada com semelhante ligeireza. A legislação em vigor impõe que deva ser tratada como bem cultural e não como um imóvel que se coloca à venda no mercado com o único objetivo de obter o máximo lucro", afirmou.
Ainda na nota divulgada, a associação questionou se é possível a venda de um espaço que, pela sua classificação, "recebeu fundos comunitários para a recuperação do moinho de maré existente e da sua caldeira".
Comunistas contestam venda. Socialistas garantem transparência
A anunciada intenção da Câmara do Barreiro em vender a Quinta do Braamcamp, tendo em vista destinar cinco por cento dos 21 hectares do terreno para habitação e os restantes 95 por cento para áreas de circulação, equipamentos, zonas verdes, lazer, ambiente e espelhos de água encontrou forte resistência no PCP e levou mesmo a uma guerra de comunicados entre os dois partidos, com troca de fortes críticas de parte a parte.
Em comunicado, a concelhia comunista condena “veementemente a opção de venda” e acusa o PS e o presidente da autarquia, Frederico Rosa, de se colocarem “ao serviço de interesses privados duvidosos”. Para o PCP, a acção dos socialistas neste processo é feita “à revelia dos interesses barreirenses” e “procura aprofundar um processo de deriva de especulação imobiliária e de negócios pouco claros”.Já o PS, também em comunicado, apresenta uma cronologia detalhada do processo em torno da Quinta do Braamcamp e lembra que a CDU, no poder no mandato anterior, defendia solução idêntica. “A 8 de Fevereiro de 2016, Carlos Humberto e João Góis (Millenium/BCP) assinaram o acordo que selou a aquisição da Braamcamp, afirmando o então presidente [da Câmara] que o espaço seria ‘maioritariamente de âmbito público, mas que [poderia] ter alguma actividade empresarial, comercial ou habitacional’”. Os socialistas contestam o que consideram ser um flic-flac dos comunistas e contra-atacam: “O reduto ideológico comunista contra a iniciativa privada foi sempre um adversário do desenvolvimento do Barreiro. Por maior que seja a incoerência das posições tomadas no poder e agora investidas na oposição, todos deveríamos estar unidos em assegurar o investimento na nossa terra. Esta é a verdade que se esconde nas mentiras do PCP”, dizem os socialistas.
No entanto, para os comunistas, a história é diferente. “A Quinta do Braamcamp, que em 2015 passou a ser património de todos os barreirenses, foi adquirida, por proposta da CDU que mereceu a aprovação unânime do executivo municipal de então, para que se transformasse num espaço de todos e para todos, permanecesse o mais natural possível, e onde, com um mínimo de estruturas de apoio, se pudessem desenvolver actividades culturais, desportivas ou de lazer, de contemplação do património cultural que o envolve e actividades científicas ligadas à natureza e aos rios que lhe são adjacentes”.
O PCP insiste que é "necessário aprofundar o caminho de debate e reflexão com a população, partilhando propostas, sentimentos e anseios, avaliando e propondo possibilidades de intervenção, chamando a população a decidir".
Mais: os comunistas anunciam que vão lutar pela manutenção da Quinta do Braamcamp “na posse do município”, defendendo que “ali se desenvolva um espaço de usufruto público, um espaço de todos e para todos, livre de especulação imobiliária”.
Barreirenses discutiram soluções a 18 de Fevereiro 
A auscultação da população é, de resto, um dos argumentos usados igualmente pelos socialistas, que recordam que promoveram no passado dia 18, na maior sala do concelho (AMAC), uma sessão de esclarecimento sobre o projecto à porta aberta e que no decorrer da iniciativa “foram repetidas as intenções para o futuro daquele território”, com a adição de dados de caracterização do projecto, a forma de financiamento e os preceitos jurídicos necessários para defender o interesse público.
“No total, em discurso directo e sem filtros, foram respondidas mais de uma centena de dúvidas e prontamente desmentidas algumas narrativas mais fantasiosas”, atira o PS, criticando de seguida algumas das acções comunistas. “Da parte do PCP, nos dias que antecederam este momento, enquanto decorria o mesmo e no momento exactamente subsequente, foi posto em marcha um imenso plano de intoxicação da opinião pública. O PS Barreiro repudia a tentativa de manipulação – efectuada através de perguntas encomendadas, perfis falsos, blogues anónimos e até por parte de alguns anteriores altos responsáveis da vida autárquica – que tudo fizeram para aumentar o ruído e confundir a população”, sublinha o comunicado. Os socialistas realçam ainda o objectivo de “reconverter as antigas zonas senhoriais numa unidade hoteleira, qualificar o espaço público, promover a recuperação do património moageiro, dinamizar a economia local e criar 300 novos postos de emprego, garantindo a utilização da caldeira por clubes e escolas da comunidade local”, assim como a edificação de “um equipamento desportivo de referência”. A infra-estruturação “inerente à iluminação pública, arruamentos, águas, redes e saneamento, e telecomunicações” também está definida no projecto defendido pelo PS.
A Quinta do Braamcamp integra o projeto "Lisbon South Bay", promovido pela Baía do Tejo, que visa requalificar os territórios das antigas áreas industriais da Quimiparque, no Barreiro, da Siderurgia, no Seixal, e da Margueira, em Almada. Em declarações à Lusa em Setembro do ano passado, o presidente da Câmara do Barreiro, Frederico Rosa (PS), revelou que ainda não havia "nada pensado em concreto" para os terrenos da quinta, mas que os investimentos são pensados para que "possibilite habitação, hotelaria, restauração e lazer".
O anterior executivo da Câmara do Barreiro, liderado por Carlos Humberto (CDU), adquiriu a Quinta do Braamcamp por 2,9 milhões de euros.

1 comentários:

Unknown disse...

A actividade comercial, empresarial ou habitacional admitida pelo anterior Presidente da Câmara tinha por alvo uma população flutuante, visitante e turística que contribuisse para o Desenvolvimento Local. E não a construção e residência permanente de pessoas de passado obscuro e visto gold.

24 de março de 2019 às 23:37

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