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sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Poeta Calafate evocado no Bonfim, em Setúbal

Homenagem decorre até final deste ano em toda a cidade 

O poeta setubalense António Maria Eusébio, também conhecido por Calafate, foi homenageado a 29 de Dezembro numa cerimónia evocativa dos 50 anos da inauguração do monumento instalado no Parque do Bonfim. Na cerimónia, que integra as comemorações do bicentenário do nascimento de António Maria Eusébio, com um programa de atividades a decorrer até ao final de 2019, foi descerrada uma placa comemorativa dos 50 anos da inauguração do monumento, da autoria do arquiteto Castro Lobo, oferecido à cidade, em 1968, pelo Rotary Club de Setúbal. O evento, que se realizou junto do monumento localizado no Parque do Bonfim, incluiu a leitura dramatizada de poemas de Calafate e um momento musical dinamizados pelo ator José Nobre.
Cidade homenageou poeta do povo  


Além de dezenas de populares, o evento de homenagem ao carismático poeta popular sadino contou com a presença de representantes das instituições parceiras na organização das comemorações do bicentenário do nascimento de António Maria Eusébio.
A Câmara de Setúbal, o Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal, o Arquivo Distrital de Setúbal, a Liga dos Amigos de Setúbal e Azeitão, a Associação Casa da Poesia, o Centro de Estudos Bocageanos, o Rotary Club de Setúbal e a Universidade Sénior de Setúbal organizam um programa que se iniciou a 3 de Dezembro com o lançamento no sítio da internet do Arquivo Distrital de Setúbal do registo de batismo de António Maria Eusébio, acompanhado de transcrição paleográfica.
As comemorações do bicentenário do nascimento de António Maria Eusébio, que viveu entre 1819 e 1911, incluem, ao longo de 2019, a realização de um novo Concurso de Poesia Popular, exposições, atuações musicais, conferências, apresentação de livros, poesia e performances cénicas.

Calafate, o poeta que cantou a cidade 
António Maria Eusébio, calafate de profissão, foi um carismático autor popular, que, embora simples e iletrado, relatou em poemas e cantigas a evolução do burgo setubalense na transição do século XIX para o século XX.
Para além da cidade, António Maria Eusébio versejou sobre as gentes, os hábitos, o ridículo do seu tempo, em que não faltam os retratos pessoais, sociais e políticos, as cenas de erotismo jocoso, a descrição das situações e as máximas proverbiais da vida.
Já octogenário, o poeta Calafate publica pela primeira vez os seus versos em folhetos (meio muito usado pelos poetas populares para dar a conhecer os seus versos), ganhando com isso alguns tostões para sua subsistência. Deve-se à iniciativa do general Henrique das Neves e a dádivas de muitos amigos do poeta a publicação dos folhetos na então Tipografia Mascarenhas.
Na primeira edição dos folhetos dava-se a seguinte explicação: “Ao amigo do autor afigurou-se-lhe que, publicando em edição especial estas Recordações, não somente contribuiria para afirmar mais uma vez o engenho do Cantador de Setúbal, auxiliando-o conjuntamente com a receita que daqui lhe possa advir, mas também se lhe afigurou que enriqueceria a nossa literatura popular com uma obra de singular valor no seu género literário”.
Em 1901, e por iniciativa também de Henrique das Neves, são impressos 600 exemplares de “Versos do Cantador de Setúbal”, com prefácio de Guerra Junqueiro.
O poeta Calafate, como carinhosamente é recordado em Setúbal, era um homem analfabeto (iletrado), mas os seus poemas são uma constante lição de sabedoria. São dele os versos que se transcreve, verdadeiro resumo de uma vida inteira, inscritos no pedestal do seu busto.

Agência de Notícias com Câmara de Setúbal 

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