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terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Cripta Arqueológica em Alcácer do Sal atrai milhares

Monumento recebeu 83 mil visitantes em 10 anos

A Cripta Arqueológica do Castelo de Alcácer do Sal recebeu, nos últimos 10 anos, desde que abriu, cerca de 83 mil turistas e 'bateu', em 2018, o recorde anual de visitas, revelou a câmara do distrito de Setúbal. Segundo o município, a Cripta Arqueológica fechou 2018 com um total de 8.829 visitantes, valor que ultrapassa os valores anuais "dos dez anos anteriores" e que constitui, assim, um "recorde".
Cripta situa-se no interior do castelo de Alcácer 


O período entre Abril e Setembro foi aquele em que foi registado o maior número de visitas, de acordo com o relatório divulgado pelo Gabinete de Arqueologia da autarquia.
Desde que foi aberta, há 10 anos, a Cripta Arqueológica do Castelo da cidade alentejana "já foi visitada por cerca de 83 mil turistas nacionais e estrangeiros", congratulou-se o município.
"A grande promoção efetuada pela câmara tem provocado um aumento da procura [turística] da cidade, como revelam este e outros relatórios" acerca "dos muitos pontos de interesse do concelho", indicou a autarquia.
Escavada no subsolo do Castelo e do antigo Convento de Aracoelli, atualmente transformado em pousada, a cripta é hoje um dos marcos patrimoniais mais visitados do concelho.
O monumento, de acordo com o município, "proporciona uma leitura diferenciada de 27 séculos de história que se entrecruzam no mesmo espaço subterrâneo".
"Nos corredores em forma de claustro subterrâneo encontra-se um conjunto de vitrinas que convida a admirar as peças mais relevantes" dos vários períodos históricos de Alcácer do Sal.
No interior, acrescentou, existe ainda "um conjunto de estruturas, muros, pavimentos e silos que espelham a ocupação" do espaço.

As origens da Cripta Arqueológica
Vinte e sete séculos de história cruzam-se na Cripta Arqueológica do Castelo de Alcácer do Sal, inaugurada a 18 de Abril de 2008. O subterrâneo, escavado no subsolo da fortaleza e do antigo Convento de Aracaelli, que hoje acolhe a pousada D. Afonso II, oferece uma verdadeira viagem no tempo. Numa atmosfera única é possível ver vestígios de todos os povos que viveram na colina aos pés da qual se ergue a cidade e aí deixaram a sua marca.
Esta descoberta deu-se em meados dos anos 90, com o projeto de recuperação das ruínas e a sua conversão para o turismo. As escavações então levadas a cabo pelo saudoso arqueólogo e vereador da autarquia, João Carlos Faria e pelo arqueólogo António Cavaleiro Paixão revelaram vestígios da Idade do Ferro que remontam ao século VII a.C., bem como estruturas do período romano e da ocupação islâmica, abrangendo uma área considerável.
Na área intervencionada do Convento encontraram-se muros medievais e também da época cristã pós-reconquista, alicerçados parcialmente em paredes romanas que, por sua vez, se sobrepõem a estruturas pré-existentes mais antigas, datadas da Idade do Ferro. Convivem, assim, no mesmo espaço achados com mais de 2600 anos de intervalo entre si.
Para além da diversidade temporal, os vestígios mostram uma multiplicidade de tipologias. A par de inúmeros objetos está um arruamento com uma largura de 3,50 metros e que, no início da ocupação romana, foi provido de uma vala de esgotos, construções com alguma imponência que poderão traduzir a existência de uma zona nobre do aglomerado urbano, assim como um santuário da idade do ferro e romano, cujas estruturas imbricam num conjunto arquitetónico extremamente raro.
O maciço de ruínas, devidamente limpas e preparadas, fornece então uma leitura diferenciada das épocas que ali se sobrepõem, das mais antigas, no século V a.C. às mais modernas, no século XVII.

Agência de Notícias 

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