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terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Tribunal deixa agressor do Barreiro em liberdade

Suspeito de agressões "proibido" de andar nos concelhos do Barreiro e da Moita 

O homem que há 15 anos agride mulheres no concelho do Barreiro, foi colocado em liberdade depois de presente ao juiz, disse fonte da Polícia Judiciária (PJ). “O arguido foi presente a primeiro interrogatório judicial no Tribunal do Barreiro e uma juíza de instrução criminal decretou-lhe a medida de coação de apresentações diárias no posto policial da área de residência (Fronteira, distrito de Portalegre) e a proibição de frequentar os concelhos da Moita e do Barreiro”, revelou à Lusa aquela autoridade. As vítimas mostram-se preocupadas com esta decisão. Marta Ferreira, uma das vitimas deste homem, diz mesmo que é uma “falha do sistema” de justiça. 
Homem persegue mulheres há 15 anos 

Segundo a mesma fonte, só agora a investigação passou para a PJ, porque o homem é suspeito de coação sexual, em três situações distintas, envolvendo mulheres e menores, crime que é da competência deste órgão de polícia criminal.
Além dos relatos destas três ocorrências, há "dezenas de outros inquéritos" relacionados com casos de violência sobre mulheres, que foram apensos a este processo.
Segundo o vereador do PSD na Câmara do Barreiro, Bruno Vitorino, “há 15 anos” que este homem agride mulheres no concelho, tendo já “mais de 50 queixas apresentadas nas autoridades”.
Em comunicado divulgado a 6 de novembro, o vereador avança ainda que o suspeito tem sido “internado compulsivamente” na unidade de psiquiatria do Centro Hospitalar do Barreiro Montijo, onde acaba sempre por receber alta, situação que voltou a acontecer há cerca de uma semana.
Em declarações à Lusa, na mesma data, fonte do Comando Distrital da Polícia de Segurança Pública (PSP) de Setúbal não conseguiu confirmar se as agressões já duram há 15 anos, dado que nesse período ainda não se efetuavam registos informáticos, mas avançou que, pelo menos desde 2012, existem “várias dezenas de queixas".

“Disse-me que as mulheres do Barreiro deviam morrer"
Nos últimos 15 anos, cerca de 50 mulheres do Barreiro apresentaram queixa do mesmo homem por agressão. O agressor foi diagnosticado com esquizofrenia, e já foi internado compulsivamente várias vezes, mas quando recebe alta hospitalar volta a atacar. O homem persegue e agride as vítimas sem razão aparente, apenas por serem mulheres, mas nunca foi a julgamento por nunca ter sido apanhado em flagrante.
Os episódios de violência, a que sujeitou várias mulheres, imprimiram nas vítimas um sentimento de terror. Uma dessas vítimas, Marta Ferreira, contou à TVI e à SIC como tudo começou.
"Fisicamente fui agredida uma vez e depois recebi ameaças de morte pelo Facebook. Saí da escola às 11 e meia da manhã, apanhei o barco [de Lisboa para o Barreiro] porque ia almoçar com a minha madrinha (…). Quando lá cheguei, a minha madrinha abriu-me a porta do prédio e depois veio um homem atrás de mim, mas pensei que morava no prédio. Comecei a subir as escadas (…) e vejo que ele veio atrás de mim (…) na minha direção e começou aos murros, a espancar-me com toda a força. Nesse tempo só pensei como é que ia sair dali e começou a gritar”, disse Marta Ferreira. 
A jovem refere que, por sorte, estava um polícia a vigiar umas obras que decorriam à porta do prédio.
“O polícia deve ter ouvido os gritos, não sei, ou os homens das obras, e apanharam-no assim que ele sai a correr do prédio. Ele foi identificado pela Polícia, mas deixaram-no ir logo na altura. Eu é que tive de ir para o hospital, ficar lá três horas, tive que ir apresentar queixa e o senhor continuou com a sua vida como se nada tivesse acontecido”.
Marta Ferreira revela que ficou em choque, sobretudo porque não entender a razão de ser das agressões.
Normalmente, quando alguém agride outra pessoa tem um motivo ou diz-lhe alguma coisa, o porquê de estar a fazer o que está a fazer. E ele não me disse nada. Basicamente começou aos murros. E eu pensei: ‘O que é que fiz para estar a merecer isto? Não percebi”.
Para Marta Ferreira, o pesadelo não acabou no dia em que foi agredida. A jovem partilhou o testemunho nas redes sociais e, logo de seguida, começou a receber ameaças de morte.
Publiquei para os meus amigos saberem que tinham de ter cuidado com este homem e que ele andava à solta e que agredia mulheres. Depois de eu publicar, muita gente publicou (…) e ele deve ter visto, provavelmente, e mandou-me ameaças no Facebook, a dizer que as mulheres do Barreiro mereciam morrer, que me ia matar, coisas assim que não cabem na cabeça de ninguém”. 
Marta Ferreira ouviu relatos de raparigas que conhece e que desconhecia também já terem sido agredidas pelo mesmo homem. Para além das consequências físicas, sofreram também consequências psicológicas que perduram.Eu nem fui o pior caso. Há raparigas que ficaram mesmo muito mal, que estão muito traumatizadas, que têm de tomar antidepressivos, que têm de fazer terapia. Eu também ando na terapia. É uma coisa que marca, que traumatiza as pessoas”.
A jovem sublinha que quem sofreu as agressões vive um clima de terror. O homem foi detido pela PJ na semana passada, mas libertado pelo tribunal. As vítimas mostram-se preocupadas com esta decisão. Marta Ferreira diz mesmo que é uma “falha do sistema” de justiça.
"Eu, primeiro, comecei por falar com outras vítimas para saber de que maneira elas estavam a conseguir andar para a frente e nenhuma conseguiu porque ele ainda anda na rua. Elas estão há três quatro anos à espera de ir a tribunal, à espera que se faça justiça, e não conseguem. E eu só penso: ‘O que é que se passa aqui?’ Há uma falha no sistema. Como é que uma pessoa com tantos casos de agressão ainda anda na via pública?”, questiona.
O homem de 31 anos foi detido pela PJ e presente a tribunal. Ficou com apresentações diárias e proibido de ir ao Barreiro e à Moita. Mudou-se para casa da mãe, em Fronteira, no distrito de Portalegre. As vítimas, destes dois concelhos, por enquanto, respiram de alívio.
O suspeito está indiciado pelos crimes de coação sexual, abuso sexual de crianças e violação de domicílio ou perturbação da vida privada.

Agência de Notícias

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