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quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Indústrias de Setúbal apelam a acordo para parar greve

Economia viabilizada da região "foi drasticamente reduzida"

A paralisação no porto de Setúbal está a “agravar criticamente” a situação das principais indústrias exportadoras da região. Em comunicado divulgado esta terça-feira, a Associação da Indústria da Península de Setúbal, sublinha que muitas empresas têm tido sobrecustos muito relevantes para movimentar os seus produtos por outros portos, “estando algumas a entrar em situações de incumprimento contratual com clientes”. Por outro lado, o conflito do porto de Setúbal, que dura desde o início de Novembro, está a deixar várias unidades industriais fortemente condicionadas na sua capacidade de produção e armazenamento, “enfrentando já situações de sério risco de abastecimento de combustíveis, matéria-prima e escoamento de produto acabado”.
Greve está a arruinar empresas da região 

A AISET – Associação das Indústrias da Península de Setúbal apelas às partes envolvidas – sindicatos de estivadores e operadores portuários – “para concluírem urgentemente um acordo que permita encerrar este conflito e ser possível retomar a normalidade económica da região”.
Num comunicado divulgado na terça-feira, a AISET denuncia que “o prolongamento da greve dos estivadores no porto de Setúbal está a agravar criticamente a situação das principais indústrias da península de Setúbal, de forte pendor exportador.
Segundo as últimas estimativas, relativas a 2015, as principais indústrias da península de Setúbal devem valer cerca de 3,5 por cento do Produto Interno Bruto em termos de faturação e devem rondar cerca de 10 por cento do Produto Interno Bruto no que respeita a exportações nacionais.
A AISET conta como seus associados com as empresas Autoeuropa (Volkswagen) Fisipe, Lusosider, The Navigator Company (Portucel), Sapec, Aicep Global Parques, Visteon, Secil, Vanpro (Faurecia), Laval, Alstom, AVE – Gestão Ambiental e Valorização Energética e Lauak, entre outras.
“Estas empresas têm tido sobrecustos muito relevantes para movimentar os seus produtos por outros portos, estando algumas a entrar em situações de incumprimento contratual com clientes, e a ficar fortemente condicionadas na sua capacidade de produção e armazenamento, enfrentando já situações de sério risco de abastecimento de combustíveis, matéria-prima e escoamento de produto acabado”, destaca o comunicado da AISET.
O mesmo documento acrescenta ainda que “o forte condicionamento sentido nestas empresas pode originar a breve trecho, em algumas delas, paragens pontuais, caso não seja encontrada rapidamente uma solução negociada para o conflito que opõe estivadores às empresas de trabalho portuário neste porto relativamente à quantidade de trabalhadores efetivos e eventuais, devendo esta discussão restringir-se apenas e só ao porto de Setúbal e não a outros portos nacionais”.
A Autoeuropa, em Palmela, é uma das empresas mais prejudicadas, com mais de 22 mil carros fabricados, parados à espera de embarque para os países de destino.
“Este estrangulamento do porto de Setúbal afeta toda a economia da região, do país, os operadores portuários, os prestadores de serviços às empresas e os armadores marítimos, que cessarão a sua atividade em caso de paragem forçada, para além de provocar danos ao porto de Setúbal, um exemplo de crescimento na última década”, acusa a AISET.
“O desnecessário e incompreensível prolongamento do conflito laboral retira valor a toda a economia portuguesa, prejudicando em primeiro lugar os trabalhadores das empresas e suas famílias, que verão de imediato o seu rendimento mensal diminuído em caso de paragem das principais empresas, não ficando o próprio porto de Setúbal e os seus trabalhadores isentos de consequências negativas devido à perda de rotas e contratos”, sublinham as empresas do distrito de Setúbal. 

Ministra espera acordo nos próximos dias 
Em entrevista ao ‘Jornal de Negócios’ e ‘Antena 1’, a Ministra do Mar abordou a temática quente do conflito da estiva em Setúbal, que se vem arrastando desde o passado dia 5 de Novembro. Segundo Ana Paula Vitorino, "a próxima reunião formal e pública será, com certeza, para fechar um acordo".
Ficou assim patente a confiança da líder da pasta do Mar na obtenção de paz social no porto sadino: "Tem havido reuniões bilaterais entre a mediação e cada uma das partes, julgo que está a evoluir bem», declarou. Recorde-se que o acordo esteve perto de se consumar, mas, na sua visão, a insistência do Sindicato dos Estivadores e Actividades Logísticas em discutir outros portos inviabilizou um cenário de resolução imediata do dossier de Setúbal.
Segundo afirmou Ana Paula Vitorino, deve haver "consciência de que não se pode resolver tudo ao mesmo tempo", sob pena de se prejudicarem soluções imediatas. O conflito da estiva, que tem afectado o porto sadino, tem um impacto (directo e indirecto) de "cerca de 300 milhões de euros" anualmente. Esse impacto duplica se a ele acrescentarmos o peso da componente induzida pelo porto de Lisboa, explicou.
"Neste momento, a movimentação no porto de Setúbal, portanto, a economia que é viabilizada através do porto de Setúbal, foi drasticamente reduzida e cada semana que passa mais reduzida assim é", observou. 
"Já fizemos as contas, se isto continuar até ao final do ano vamos ter uma redução de cerca de 70 por cento no valor directo e indirecto do volume de negócios produzido pelo porto de Setúbal", antecipou a governante.
A ministra lembrou, no entanto, que se "nos próximos dias" um acordo for atingido, poderá ser possível "recuperar alguma coisa até ao final do ano", admitindo, ainda assim que "cada vez existe mais dificuldade em recuperar rotas perdidas para outros países".
Em declarações ao Jornal Económico, na semana passada, Diogo Marecos, administrador da Operestiva, um dos operadores portuários de Setúbal, revelou que três armadores internacionais – a McAndrews, Tarros e Arkas – já tinham trocado o porto de Setúbal por concorrentes espanhóis, em particular pelos portos de Vigo e de Santander, prevendo que a quebra de mercadorias movimentadas no porto sadino provocada por esta greve ascenda a 70 por cento face ao movimento normal.
A AISET apela, por fim, às partes em confronto para “concluírem urgentemente um acordo que permita encerrar este conflito e ser possível retomar a normalidade económica da região”.

Agência de Notícias


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