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sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Populações da Moita e Barreiro contra aeroporto

Plataforma cívica e várias associações agendam protesto contra aeroporto no Montijo

A plataforma cívica contra o novo aeroporto de Lisboa na Base Aérea n.º 6, no Montijo, e várias associações do Barreiro e Moita, anunciaram que vão realizar uma marcha de protesto contra a infraestrutura, no próximo dia 29 de Setembro. A manifestações arrancam em Alhos Vedros e no Barreiro e juntam-se na Baixa da Banheira, no concelho da Moita, uma das vilas mais afetadas pelo ruído dos aviões que vão aterrar no Montijo. O presidente da Câmara do Barreiro defende que o novo aeroporto na Base Aérea n.º 6 no Montijo, tem constrangimentos, mas também oportunidades, revelando que autarquia ainda não tem uma posição definitiva. Na Moita, Rui Garcia, presidente da câmara, diz que "construção do Novo Aeroporto de Lisboa no Campo de Tiro de Alcochete continua a ser a opção, que responde às necessidades actuais e futuras de Portugal relativamente ao tráfego aéreo, de passageiros e de mercadorias".
Ruído vai afetar população dos dois concelhos 

"As organizações presentes decidiram convocar uma marcha de protesto contra a tentativa de ser construída uma infraestrutura aeroportuária na Base Aérea n.º 6 do Montijo, para a expansão do Aeroporto de Lisboa", refere em comunicado enviado à Lusa.
Os representantes de várias instituições e associações dos concelhos do Barreiro e Moita, juntamente com a plataforma cívica contra o novo aeroporto na Base Aérea n.º 6 e a União de Sindicatos de Setúbal, reuniram e decidiram avançar com a marcha de protesto na manhã de 29 de Setembro.
O protesto vai partir de duas concentrações, uma que começa no Barreiro e outra em Alhos Vedros, no concelho da Moita, estando previsto que se encontrem a meio do percurso, na Baixa da Banheira.
A plataforma defende a utilização do Campo de Tiro de Alcochete em alternativa à Base Aérea n.º 6, no Montijo, para a construção do novo aeroporto, alegando que o Barreiro e a Moita vão ser afetados pela infraestrutura.
O engenheiro e membro do movimento Carlos Matias Ramos defendeu que a construção no Montijo "não é uma opção pensada" e que "não há um documento que sustente a decisão".
Carlos Matias Ramos explicou que "os mitos constantes têm sido a base da fundamentação" por parte do Governo, defendendo que o aeroporto do Montijo não é uma opção mais barata, nem rápida, até porque "83 por cento da zona de circulação tem de ser intervencionada" e a pista um da base aérea "tem de ser prolongada em 300 metros".
O responsável sublinhou também que o aeroporto do Montijo tem "um risco ambiental" ao ser "construído sobre lodo".
José Encarnação, outro dos membros do grupo, levantou outra questão sobre as alegadas consequências da construção do novo aeroporto no Montijo.
"Não estão contabilizados quais os custos, não económicos e financeiros, mas também os sociais, de transferir cerca de 900 pessoas que trabalham na base aérea do Montijo. Toda a gente já percebeu que se o aeroporto for para ali não é compatível com as operações militares", apontou.
O estudo de impacte ambiental do novo aeroporto de Lisboa, que vai ser construído nos terrenos da atual base aérea do Montijo, admite que cerca de cinco mil pessoas podem sofrer efeitos na sua saúde pela exposição ao ruído, sobretudo nas freguesias do Lavradio, no Barreiro, e na Baixa da Banheira e Alhos Vedros, na Moita.
Aliás, o estudo refere que será necessário elaborar um plano para isolar edifícios com "recetores especialmente sensíveis", identificados na área que mais afetada será pela aterragem de aviões, como escolas e agrupamentos escolares, na Baixa da Banheira, Barreiro e Vila Chã, e o fórum cultural na Baixa da Banheira.

Câmara do Barreiro ainda sem posição definitiva
O presidente da Câmara do Barreiro defende que o novo aeroporto na Base Aérea n.º 6 no Montijo, tem constrangimentos, mas também oportunidades, revelando que autarquia ainda não tem uma posição definitiva.
“Não temos uma posição definitiva, porque também não conhecemos o projeto definitivo. Há duas coisas que nós sabemos: que a localização do aeroporto do Montijo pode trazer constrangimentos, mas com certeza traz também oportunidades e é neste balanço que temos que equacionar a nossa posição”, diz o presidente da câmara do Barreiro, Frederico Rosa.
À margem de uma visita realizada aos territórios da ‘Lisbon South Bay’, na margem sul do Tejo, o autarca avançou que não tem dúvidas de que o novo aeroporto, a ser localizado no Montijo, e através de uma ligação rodoviária, “colocará o concelho numa rota de crescimento e criação de emprego”.
“A nossa posição é de medir os prós e os contras e tentar tomar uma decisão informada, equilibrada, sem medo de qualquer constrangimento e com os olhos postos na evolução do Barreiro”, frisou.

Moita defende novo Aeroporto em Alcochete 
Para Rui Garcia, presidente da Câmara da Moita,  nada destes investimentos se projetam na eventual instalação de um terminal do Aeroporto Humberto Delgado na Base Aérea nº 6, no Montijo. “Esta opção traduz, da parte do Governo, a renúncia a uma visão estratégica não só do futuro da atividade aeroportuária, como também do ordenamento do território e do desenvolvimento da Área Metropolitana e, em particular, da Região de Setúbal”, afirmou o autarca, acrescentando que esta opção “não corresponde aos interesses da nossa região, da sua população e da sua economia, nem ao que o País necessita”.
“A construção do Novo Aeroporto de Lisboa no Campo de Tiro de Alcochete continua a ser a opção que responde às necessidades atuais e futuras de Portugal relativamente ao tráfego aéreo, de passageiros e de mercadorias”, referiu, estando convicto que esta opção “contribuirá não só para o crescimento económico, o aumento do investimento e do emprego e o desenvolvimento da região, como é de vital importância para o crescimento e desenvolvimento do País”.
Rui Garcia deixa um apelo.  “Ainda é tempo de travar esta opção desastrosa. O futuro do País e da região e a segurança e o bem-estar da população, das muitas dezenas de milhares de pessoas afetadas, têm de ser mais importantes que a Vinci (empresa concessionaria da ANA), as low-cost ou quaisquer outros interesses particulares”.


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