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segunda-feira, 2 de julho de 2018

Utentes do Seixal querem cuidados paliativos no hospital

Necessário reforçar e melhorar os centros de saúde locais 

A Adenda ao Acordo Estratégico de Colaboração para o lançamento do hospital do Seixal, assinada na última sexta-feira, suscita críticas junto da comissão de utentes local. Os cuidados paliativos ficam fora dos planos para o equipamento, ou seja, quem necessite daquele serviço vai continuar a depender do Hospital Garcia de Orta, em Almada. "Em 2009, no mesmo documento, estavam previstas 12 camas para os cuidados paliativos. Neste novo acordo essas camas e esses cuidados simplesmente deixaram de existir e isso não é razoável", explica José Luísa, da Comissão de Utentes da Saúde do Concelho do Seixal. Apesar de merecer reparos naquele âmbito específico, o documento foi assinado pelo presidente da Câmara do Seixal, Joaquim Santos, e homologado pelo ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, presente na cerimónia. "Decidimos que mais vale assegurar a construção do hospital, pelo celebrar deste acordo, na esperança de que estas alterações possam ser pensadas no futuro", garantiu o autarca.
Hospital será construído no Fogueteiro 

A Comissão de utentes da Saúde do Concelho do Seixal entregou ao ministro da Saúde um manifesto sobre a construção do hospital do Seixal criticando o facto de este deixar de ter camas para cuidados paliativos. “Num momento em que se fala na dignidade da vida humana e tendo em conta a falta de respostas nestas áreas, não se entende que se retire esta valência num novo hospital”, escreve a comissão no documento entregue ao ministro quando foi assinada a adenda ao protocolo de construção do hospital do Seixal. Segundo os utentes, desde a inauguração do Hospital Garcia de Orta, em Almada, que se antevia para o distrito de Setúbal e apontando-se, desde logo, como prioridade, a construção do Hospital no Seixal. O Hospital de Almada dimensionado para servir 150 mil  pessoas, serve atualmente uma população superior a 450 mil, a maioria dos concelhos de Almada, Seixal e Sesimbra.
Com esta assinatura é dada continuidade e reforçada a parceria entre o Ministério da Saúde e o município do Seixal relativamente ao futuro hospital, sendo um documento imprescindível para o lançamento do concurso público para aquisição do projeto da unidade.
O novo equipamento de saúde caracteriza-se como Hospital de Proximidade, visando aproximar a prestação de cuidados diferenciados à população abrangida e desenvolvendo a sua atividade em ambulatório com consultas externas, cirurgias de ambulatório e meios complementares de diagnóstico e terapêutica diferenciados, estando integrado no Hospital Garcia de Orta, do qual dependem os recursos humanos e materiais necessários para assegurar a atividade.
Contudo, para os utentes existem preocupações pelo facto de terem sido retiradas algumas das especialidades previstas no projeto inicial, bem como a retirada das camas para cuidados paliativos.
“Manteremos a firme vontade de continuar a lutar até que o Hospital no Concelho do Seixal seja uma realidade e que o mesmo responda às carências hospitalares das populações de Almada, Seixal e Sesimbra”, explica a comissão de utentes.
Adalberto Campos Fernandes, que visitou o terreno onde ficará instalado o equipamento, garantiu que a celebração do acordo para a construção do hospital do Seixal é um dia feliz para o Serviço Nacional de Saúde. "É um dia feliz, sobretudo para o Sistema Nacional de Saúde. O Garcia de Orta está subdimensionado, este é um concelho muito jovem e o SNS tem de se adaptar a essa realidade", afirmou o ministro da Saúde. 
O hospital do Seixal estará concluído em 2021, no Fogueteiro, num investimento total de 60 milhões de euros.

Novo hospital deve funcionar em articulação com Centros de Saúde 
Uma vez que esta unidade hospitalar irá funcionar em estreita articulação com o ACES Almada/Seixal, os utentes defendem que é necessário reforçar e melhorar os centros de saúde locais.
Para o movimento é “imprescindível agilizar todo o processo de construção do novo Centro de Saúde de Corroios (que conta atualmente com cerca de 20 mil  utentes sem médico de família) e que sejam tomadas decisões rápidas para a instalação das extensões de Foros de Amora (12 mil utentes na UCSP de Amora) e de Aldeia de Paio Pires (10 mil utentes espalhados por diversas unidades), além de dotar o ACES Almada/Seixal dos meios necessários ao funcionamento de todas as suas unidades.
Em 2009, o Estado assinou um acordo com a Câmara Municipal do Seixal para a construção do Hospital neste concelho, mas o processo não teve desenvolvimentos.
Após alguns avanços e recuos, no Orçamento do Estado para 2017 veio contemplada uma verba para o lançamento do concurso público para o projeto de arquitetura e especialidades técnicas para a construção desta unidade.
Segundo a autarquia do Seixal, o Governo comprometeu-se com a abertura do concurso público no primeiro semestre de 2017 e tanto o secretário de Estado da Saúde (entretanto substituído), como a presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo afirmaram publicamente que o equipamento estaria ao serviço da população até ao final de 2019. Contudo, tal não se concretizou.
A 22 de janeiro de 2018 o Governo publicou a portaria de extensão de encargos relativos à aquisição de serviços para a conceção e projeto do hospital no Seixal, tendo agora sido assinada uma adenda ao acordo.

Agência de Notícias com Lusa 

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