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segunda-feira, 9 de julho de 2018

Cinco municípios da região defendem tradição taurina

Alcácer do Sal, Alcochete, Moita, Montijo e Setúbal querem corridas de touros 

Os municípios com actividade tauromáquica sustentaram que “impedir ou proibir manifestações culturais é uma violação da Constituição”, a propósito do projecto de lei do PAN que propõe “a abolição de corridas de touros em Portugal”. Alcácer do Sal, Alcochete, Moita, Montijo e Setúbal são os cinco municípios da região que estão entre os 44 que defendem a tradição. A posição destes municípios foi divulgada na véspera do debate, no plenário da Assembleia da República, de um projecto de lei do PAN (Pessoas, Animais, Natureza) destinado a abolir as corridas de touros em Portugal. A abolição das touradas proposta pelo PAN ficou-se pela discussão na generalidade, com rejeição garantida da maioria do parlamento, que argumentou contra a imposição de uma vontade a parte significativa dos portugueses.
Moita recebe a maior feira taurina do país em Setembro 


Em comunicado, aquele grupo de municípios refere que a tauromaquia está classificada como “parte integrante da cultura popular portuguesa”, tendo o Estado, central e local, a obrigação constitucional de promover o acesso de todos os cidadãos à cultura.
“Para os municípios com actividade tauromáquica, fica claro que o objectivo do PAN é impor na sociedade portuguesa uma visão que não corresponde ao sentimento da comunidade e tão pouco respeita a pedra basilar da democracia representativa que deve assegurar a prossecução dos interesses das populações”, lê-se na nota enviada pela Câmara de Coruche.
Alegam, ainda, que defendem os valores em que assenta a democracia portuguesa, que passam pelo respeito às populações, por uma visão integrada do país, pela valorização da economia, não se resignando perante os ataques à componente cultural e aos costumes enraizados, bem como ao património cultural imaterial de Portugal.
“A preocupação que assiste aos municípios com actividade taurina é reflectida também pelas suas populações, que esperam que os seus autarcas sejam defensores do valor da liberdade de escolha em função da sua história, da sua cultura e da sua identidade muito própria”, conclui a nota.
Alandroal, Alcácer do Sal, Alcochete, Almeirim, Alter do Chão, Angra do Heroísmo, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Barrancos, Beja, Benavente, Calheta (Açores), Cartaxo, Chamusca, Coruche, Cuba, Elvas, Fronteira, Golegã, Lagoa (Algarve), Lisboa, Moita, Monforte, Montijo, Moura, Pombal, Portalegre, Póvoa de Varzim, Praia da Vitória, Redondo, Reguengos de Monsaraz, Sabugal, Salvaterra de Magos, Santa Cruz da Graciosa, Santarém, Setúbal, Sobral de Monte Agraço, Sousel, Tomar, Vagos, Velas, Viana do Alentejo, Vila Franca de Xira e Vila Nova da Barquinha são os municípios com actividade tauromáquica.

Parlamento chumba projecto do PAN para abolir corridas de touros 
O parlamento rejeitou na sexta-feira um projecto de lei do PAN (Pessoas-Animais-Natureza) para abolir as corridas de touros em Portugal, diploma que teve ainda o apoio do Bloco de Esquerda, PEV, oito deputados socialistas e um social-democrata.
Votaram contra a iniciativa legislativa apresentada e defendida em plenário pelo deputado André Silva, do PAN, a bancada do PSD, a maioria dos deputados socialistas, o CDS-PP e o PCP.
Contrariando o sentido de voto da maioria da bancada do PS, oito deputados socialistas estiveram ao lado do diploma do PAN: Pedro Delgado Alves, Rosa Albernaz, Ana Passos, Luís Graça, Diogo Leão, Hugo Carvalho, Tiago Barbosa Ribeiro e Carla Sousa.
Também o deputado social-democrata Cristóvão Norte se juntou, com o voto favorável, ao diploma pela abolição das corridas de touros em Portugal.
Optaram pela abstenção o deputado social-democrata Matos Correia, Carlos Matias do Bloco de Esquerda e 12 deputados socialistas, entre eles Paulo Trigo Pereira, Alexandre Quintanilha, Ivan Gonçalves, Sónia Fertuzinhos, Luís Soares, Porfírio Silva, Filipe Neto Brandão, Elza Pais, João Torres, Carla Tavares e André Pinotes Batista.
Numa declaração de voto distribuída aos jornalistas, os deputados independentes do PS Alexandre Quintanilha e Paulo Trigo Pereira defenderam que “ser coerente com a abolição imediata das touradas exigiria defender para os portugueses a obrigatoriedade do vegetarianismo, pois qualquer alimentação de base animal associa-se a maus tratos a animais”.
“Consideramos que é possível conciliar um valor inestimável (a não crueldade aos animais) com a manutenção de valores culturais associados às touradas, restringindo-as às práticas em que existe relação de igualdade entre toureiros/forcados e touro (caso da pegas de caras e toureio a pé) e em que se assegura o bem-estar animal. Este é o caminho do processo civilizacional que pode ser percorrido para conciliar a manutenção de um património cultural com o bem-estar animal, sem o qual as touradas devem ser abolidas no futuro”, acrescenta-se na mesma declaração de voto.
O deputado do PAN, André Silva, afirmou que nenhum partido que se diz progressista e defenda que deve continuar a haver touradas pode dizer que "apanhou o comboio do progresso", afirmando que para a maioria do parlamento, os "falaciosos interesses económicos" por trás da tauromaquia valem mais do que padrões éticos.
Esta votação foi antecedida por um debate tenso, colocando de um lado o deputado do PAN André Silva e, sobretudo, o Bloco de Esquerda que se posicionaram “contra a violência dos animais” e “contra a cultura do massacre” dos touros.
Do outro lado, o PCP, mas sobretudo o CDS-PP, defenderam o respeito pela tradição cultural das comunidades locais e pela preservação dos postos de trabalho ligados à actividade tauromáquica.

Agência de Notícias com Lusa 

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