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segunda-feira, 11 de junho de 2018

Nem “Os Santos” ajudam pesca em Sines

Deputados comunistas acompanharam pescadores locais e pedem ajuda ao Governo 

Já nem os "Santos Populares" ajudam os pescadores de sardinha, queixosos das quotas biológicas de captura para preservação da espécie e os baixos preços na venda em lota, testemunhou  a comitiva comunista, em jornadas parlamentares no litoral alentejano. No cais de descarga de pescado de cerco e de arrasto de Sines, antes de rolarem para o leilão na Docapesca, com uma minibancada de estádio de clientes, milhares de caixotes de plástico repletos de sardinhas luzidias são carregados manualmente ou com recurso a máquinas empilhadoras. As traineiras e tripulações passaram mais uma noite inteira no mar e tentam agora obter o retorno do seu trabalho, sob o olhar de rapina de centenas de gaivotas, excitadas com tanto alimento e perigosas com a pontaria aos humanos dos seus excrementos ocasionais.
Há cada vez menos Sardinha nas redes em Sines 

"Isto tem ido sempre de mais a menos e não nos deixam apanhar o peixe, que o há, apesar de dizerem que não. Dantes é que era: apanhava-se mais e ganhava-se mais", lamentou à Lusa José Nobre, 66 anos e 40 de pesca, exibindo um tabuleiro também com cavalas, choupas, xaréus e carapaus azuis.
Segundo o tesoureiro da lota local Jorge Manteigas, o preço atual de compra de um tabuleiro de 26 Kg de sardinha anda entre os 35 e os 50 euros, conforme a qualidade, procura e oferta.
"Agora, na altura dos 'Santos Populares', vamos ter um pico, mas é só naquela semana, principalmente para Lisboa, mas vai aí para os 100 a 200 euros. Há uns anos, quando não havia estas regras todas, era quase todo o mês de Junho entre os 300 e os 400 euros", descreveu.
Das redes das embarcações até uma qualquer mesa de um arraial de Santo António, num típico bairro lisboeta como Alfama, passando pelos comerciantes grossistas e retalhistas até ao consumidor final, o preço de venda no cais de 2,5 euros por um quilo de sardinhas transforma-se num mero e simples exemplar, talvez com direito a uma fatia de pão.
"Eu sou uma pessoa revoltada com todos os partidos políticos. A sardinha é uma espécie pelágica, que anda ao sabor das marés, portanto muito difícil de avaliar as quantidades de 'stocks'. Os relatórios do navio Noruega (único oceanográfico português) falam em 300 mil toneladas. Há 40 anos, havia 1,5 milhões de toneladas... Eles sabem lá. Podem saber muito de biologia, mas de mar nada", disse o armador e mestre de embarcação José Telo Faria, 72 anos.
O filho e neto de pescadores garantiu que há "muitos [exemplares] infantis (sardinha jovem e magra)", logo "está garantida a reprodução e a quantidade, basta só controlar a desova", não sendo necessárias quotas tão restritivas e burocráticas.

Batalha da pesca da Sardinha começa no Parlamento Europeu 
O líder parlamentar do PCP, João Oliveira, defendeu "mais investimento em meios científicos e tecnológicos para conhecer de facto os recursos piscícolas para definir as medidas necessárias à manutenção das espécies", assim como a "valorização do preço da primeira venda" (pelos pescadores) e imposição de margens máximas de lucro aos intermediários no circuito comercial.
"Infelizmente, os governos portugueses e alguns deputados do Parlamento Europeu aceitaram que as decisões tomadas nas instituições europeias, nomeadamente no Conselho, fossem permanentemente desfavoráveis aos interesses nacionais", criticou o eurodeputado comunista João Ferreira, condenando a tutela lusa por ser "mais papista que o papa".
O membro do Comité Central do PCP e também vereador em Lisboa lamentou que a definição da política de pescas pertença exclusivamente à União Europeia e não seja partilhada, destacando já ter sido possível incluir num relatório europeu a possibilidade de os estados-membros darem apoios financeiros de compensação aos pescadores pelas paragens biológicas, "praticamente meio ano na frota da pesca de cerco".

Agência de Notícias com Lusa 

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