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quarta-feira, 9 de maio de 2018

Transporte de animais vivos em Setúbal gera dúvidas

Comissão Parlamentar de Agricultura e Mar visitou Porto de Setúbal

Deputados da Comissão Parlamentar de Agricultura e Mar observaram esta semana uma operação de embarque e visitaram um navio de transporte de animais vivos no porto de Setúbal, mas não houve consenso sobre aquilo que viram. A visita foi organizada pela Direção-Geral de Alimentação e Veterinária, entidade que fiscaliza o cumprimento da legislação e que verifica as condições de embarque e dos navios em cada operação de transporte a partir de Portugal, na sequência de diversas ações de protesto junto ao porto de Setúbal. Ativistas do Movimento Setúbal Animal Save e da Plataforma Anti transporte de Animais Vivos, têm marcado presença junto ao portão de acesso ao porto de Setúbal sempre que verifica um embarque de animais vivos, porque consideram não estarem a ser observadas as regras do bem-estar animal no transporte marítimo de animais vivos.
Transporte marítimo de animais vivos divide deputados 

Em declarações à agência Lusa, o deputado do PSD António Ventura, que não detetou nenhum problema na operação de embarque, admitiu a possibilidade de a legislação portuguesa "evoluir na questão do bem-estar animal", bem como a possibilidade de haver um médico-veterinário a bordo.
O dirigente do PSD lembrou que antes de uma posição definitiva sobre as propostas de alteração apresentadas pelo BE e pelo PAN sobre esta matéria, a comissão parlamentar ainda pretende ouvir várias entidades.
A deputada do CDS/PP Patrícia Fonseca, que durante a visita efetuada segunda-feira ao porto de Setúbal também não detetou nenhuma anomalia, e alertou para os perigos de alguns excessos quando se fala de uma atividade económica importante para muitos produtores portugueses.
"As pessoas, antes de falarem das situações, devem informar-se. Quando há uma situação irregular, deve ser sinalizada e deve ser corrigida e quem incumpre deve ser sancionado. Mas não vi nada de anormal. Parece-se que qualquer dia nem sequer poderemos dar uma palmada na garupa de um cavalo porque isso pode ser considerado como mau-trato", disse Patrícia Fonseca.
O deputado do PS, Pedro do Carmo, também não vê razões para os protestos contra o transporte marítimo de animais vivos desde que seja respeitada a legislação em vigor.
A acompanhar a visita esteve também a vereadora das Atividades Económicas na Câmara de Setúbal (de maioria CDU), Carla Guerreiro, que admitiu não ter detetado qualquer situação anómala no embarque de animais e no interior do navio, ressalvando que a fiscalização desta atividade é da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária e não das autarquias.

BE e PAN criticam embarque de animais vivos

Nada convencidos com o que viram no porto de Setúbal, os deputados do BE Sandra Cunha e do PAN André Silva lamentaram que não tivesse sido possível visitar o navio depois do embarque de animais vivos e reafirmaram as preocupações com o bem-estar animal.
O deputado do PAN André Silva não só reclamou uma alteração da legislação no sentido de obrigar que o transporte marítimo de animais seja acompanhado por um veterinário, como também considerou que não deveria ser permitida a exportação para países onde o abate dos animais é feito sem que sejam previamente insensibilizados, ao contrário do que acontece na União Europeia.
Apesar das críticas dos ativistas e das reservas de alguns deputados, o diretor-geral de Alimentação e Veterinária, Fernando Bernardo, garantiu aos jornalistas o cumprimento de um conjunto de normas que salvaguardam o bem-estar dos animais destas operações de transporte.
Segundo Fernando Bernardo, além da verificação prévia das condições de acomodação, do espaço disponível e da alimentação necessária para a viagem, a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária acompanha também as operações de embarque dos animais, como aconteceu na segunda-feira com o início do embarque de 2.484 bovinos e de 18.036 ovinos, que devem partir terça-feira a bordo do navio BAHIJAH com destino a Israel, uma viagem que deverá durar, pelo menos, cerca de seis dias.
De acordo com dados disponibilizados pela Direção-Geral de Alimentação e Veterinária, desde 2015 já foram efetuadas 71 viagens de transporte marítimo para Israel e outros países do Médio Oriente, em que foram transportados 430.184 cabeças de gado ovino e 132.000 cabeças de gado bovino, com uma taxa de mortalidade de 0,09 por cento no gado ovino (381 animais mortos) e de 0,1 por cento no gado bovino (135 animais mortos)".
Ainda de acordo com a informação da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária, a taxa de mortalidade durante as viagens já realizadas tem sido muito semelhante, ou mesmo um pouco mais baixa, do que a taxa de mortalidade nas explorações pecuárias.

Agência de Notícias com Lusa 
Foto: Raporal 

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