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terça-feira, 15 de maio de 2018

Instabilidade regressou à Fábrica de Palmela

Líder da comissão de trabalhadores da Autoeuropa bateu com a porta

O coordenador da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa, Fernando Gonçalves, apresentou a demissão, dois dias depois de a maioria dos trabalhadores da fábrica de Palmela terem votado, em referendo, contra a destituição da comissão. Em comunicado, a Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa sublinha que "após análise mais profunda e detalhada" dos resultados do referendo de quarta-feira passada "continua a existir um sentimento de contestação" para com a Comissão de Trabalhadores "com principal foco na pessoa do seu coordenador Fernando Gonçalves". Ainda não há data marcada para eleger o novo coordenador. Até lá irá subir uma pessoa da lista do ex-coordenador (lista E) que ficou de fora na última composição da estrutura de representação dos trabalhadores, de forma a completar os 11 lugares disponíveis. Só nessa altura, e já com todos os lugares ocupados, é que a Comissão irá eleger o novo coordenador. De acordo com o jornal i, José Carlos Silva (que pertence à lista C e conta com alguns elementos afetos à CGTP) e Fausto Dionísio (da lista D) são os mais bem posicionados para suceder a Fernando Gonçalves.
Após referendo, Coordenador dos trabalhadores demitiu-se 

"Por este motivo o coordenador da Comissão de Trabalhadores da Volkswagen Autoeuropa decidiu apresentar a sua demissão da Comissão de Trabalhadores por considerar que o projecto a desenvolver pela equipa não pode ser posto em causa", lê-se no documento assinado pelos membros da Comissão de Trabalhadores.
Segundo adiantam, nos próximos dias será efectuada a substituição de Fernando Gonçalves pelo membro imediatamente seguinte constante da Lista E candidata às últimas eleições, bem como a eleição da nova Comissão Executiva e do novo coordenador.
Na quarta-feira a maioria dos trabalhadores da fábrica de automóveis da Autoeuropa votou em referendo contra a destituição da Comissão de Trabalhadores, legitimando a continuidade da actual direcção liderada por Fernando Gonçalves.
"Perante este resultado, e tendo em conta que a participação da votação foi inferior a 2/3 e que ainda assim mais de 50 por cento dos votos foram desfavoráveis à destituição, (segundo o número 7 do artigo 68 dos estatutos), a Comissão de Trabalhadores encontra-se desta forma legitimada para permanecer em funções", referia então, em comunicado, a Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa.
Dos 5.953 inscritos no referendo votaram apenas 3.174 trabalhadores, a maioria dos quais - 57,3 por cento (1.818 votos) - contra a destituição da Comissão de Trabalhadores, enquanto o "sim" à destituição obteve 38 por cento (1.206 votos).
Os primeiros sinais de descontentamento de alguns trabalhadores, que culminaram com um abaixo-assinado que levou à realização do referendo para a destituição da Comissão de Trabalhadores, começaram logo que se tornou claro que a empresa iria implementar o trabalho obrigatório aos sábados.
O coordenador Fernando Gonçalves acreditava que seria possível encontrar soluções alternativas em diálogo com a empresa, mas a administração da Autoeuropa considerou que não havia possibilidade de produzir o volume de carros necessário sem o trabalho obrigatório aos sábados, pelo que o novo horário entrou mesmo em vigor no passado mês de Fevereiro.
A definição dos horários de trabalho é uma prerrogativa legal da empresa, sendo que o parecer da Comissão de Trabalhadores tem, apenas, carácter consultivo.
As negociações para os novos horários da Autoeuropa deverão arrancar no final da próxima semana. Depois de Agosto, prevê-se que a fábrica de Palmela passe a funcionar com 19 turnos de produção: laboração contínua de segunda a sexta, com 15 turnos; e dois turnos ao sábado e domingo.
A Autoeuropa pretende assim produzir 240 mil carros até ao final de 2018. Boa parte desta produção deve-se ao modelo T-Roc, o primeiro veículo de larga escala a ser montado em Palmela.
Apesar de tudo, alguns trabalhadores consideram que se trata de uma solução melhor, uma vez que, ao contrário do que acontece desde Fevereiro, vão passar a ter outra vez duas folgas consecutivas.

Agência de Notícias com Lusa

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