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segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Câmara de Almada acusa comunistas de má gestão

Palacete foi alugado por 200 mil euros por ano envolto em mistério
O arrendamento de um imóvel pela Câmara de Almada, a particulares, por 200 mil euros por ano, está no centro de uma polémica entre o atual e o anterior executivos municipais. Inês de Medeiros, presidente da autarquia almadense, diz que a casa nunca foi usada pelo município e vai remeter o contrato ao Ministério Público para averiguar se há “gestão danosa”. O caso foi revelado pela autarca durante a última assembleia municipal. “Se quer absolutamente um sinal de má gestão, ou de gestão menos rigorosa, eu terei todo o gosto em fazer-lhe chegar um contrato de aluguer feito pelo anterior executivo, na ordem dos 200 mil euros ano, do edifício, uma casa particular, junto ao Koi Park, para não se sabe bem o quê”, disse a autarca eleita pelo PS para um deputado municipal da CDU. José Lourenço, da CDU, acusou a autarca de mentir, ao dizer que encontrou como herança do PCP uma série de contratos precários na Câmara. Uma auditoria geral às contas está a ser posta em marcha.
Anterior executivo alugou palacete por 200 mil euros/ano 

O jornal Público dá conta do caso, reportando que Inês de Medeiros (PS) tentou, sem sucesso, anular o contrato no início deste ano. O município já gastou 300 mil euros com o arrendamento deste imóvel, a Quinta dos Espadeiros, que pertence a particulares e que nunca foi utilizado pela autarquia. “E nem sequer levantaram a chave”, acusou Inês de Medeiros.
A presidente da Câmara de Almada suspeita, assim, de “gestão danosa” e vai enviar o contrato de arrendamento para o Ministério Público, escreve o mesmo jornal. O vereador do PSD na autarquia, Nuno Matias, confirma ao jornal que o contrato de arrendamento, celebrado em 2016, não foi aprovado em reunião de câmara.
“É um negócio com contornos pouco claros, que não foi aprovado em reunião de câmara e que não percebemos porque foi feito, se a autarquia nem utilizou o espaço”, destaca Nuno Matias.
O anterior autarca, Joaquim Judas (CDU), que foi o responsável pela assinatura do contrato de arrendamento, explica a decisão com o interesse municipal no imóvel.
“Trata-se de um espaço de vários hectares, de grande qualidade paisagística, considerado um dos melhores jardins de Portugal, com óptimas acessibilidades à Ponte 25 de Abril, ao Centro-Sul e outras direcções do concelho, com ligação directa à auto-estrada, e situado numa zona de grande afluência de público, onde está o Fórum Almada, e com continuidade com o Parque da Paz”, destaca o ex-autarca comunista citado pelo Público.
Joaquim Judas acrescenta que o objectivo da Câmara com o arrendamento do espaço era acolher no local o espólio do artista Rogério Ribeiro, como “alternativa transitória” à demorada criação do Museu de Arte Contemporânea, obra orçada em seis milhões de euros.
O imóvel deveria ainda acolher a Bienal de Escultura de Almada, sustenta Joaquim Judas, salientando que o contrato de arrendamento inclui uma “opção de compra em que o valor pago de rendas será descontado no preço de compra”.
A Quinta dos Espadeiros está à venda nos sites imobiliários com o título de “propriedade de luxo” ou “quinta espetacular perto de praias”. O preço, “sob consulta” ultrapassa os seis milhões, e justifica-se por se tratar de uma propriedade que “remonta as suas origens ao século XVII, constituindo, atualmente um verdadeiro oásis em pleno meio urbano”. Os elogios fazem parte do negócio e os vendedores têm aqui margem para enaltecer o “património cultural formado pela casa principal e capela”, a que se junta “uma paisagem de grandes lagoas, rodeada de árvores e cortinas de vegetação em pleno crescimento”. Contas feitas, a propriedade tem uma área de mais de 60 hectares, “dos quais 2845 m2 correspondem a espaços edificados”, acrescenta a imobiliária.
O contrato de aluguer foi feito em Julho de 2016 e os comunistas não contestam o valor referido pela presidente da Câmara. “À data do contrato a propriedade foi avaliada em cerca de 9,5 milhões”, referem, para sublinhar como estavam empenhados “num processo de salvaguarda e preservação do que pode vir a ser um importante património cultural do município”.

Auditoria às contas vai avançar  
A guerra entre socialistas e comunistas de Almada promete não ficar por aqui. Por iniciativa dos vereadores do PSD, vai ser realizada uma auditoria à gestão praticada pela último governo autárquico. Inês de Medeiros e os vereadores eleitos pelo PS deram luz verde à proposta e os motores estão a aquecer para mais uma farpa ao PCP.
O atual executivo municipal de Almada quer esclarecimentos sobre vários contratos de prestação de serviços, celebrados no anterior mandato, entre os quais se conta o de dezenas de monitores das piscinas municipais. A contratação, no valor de um milhão de euros anuais, era feita a uma empresa externa e a autarca quer conhecer os motivos e os critérios que presidiram a esta escolha.
Aos auditores será ainda apresentado o contrato de part-time de uma deputada municipal, no valor de perto de dois mil euros mensais. Aparentemente, a única tarefa atribuída a esta funcionária seria a de abrir e fechar uma exposição levada a cabo pela autarquia.

Agência de Notícias 


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