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segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Lavradio protesta contra encerramento dos CTT

"Estamos a ficar carentes de muitos serviços no Barreiro"

Dezenas de pessoas manifestaram-se contra o encerramento dos CTT do Lavradio. Com mais de 80 mil habitantes, o concelho do Barreiro ficará com apenas duas estações de correios. A população do Lavradio reclama que nos últimos anos muitos serviços ali têm encerrado, deixando a localidade dependente de outras. A estação dos CTT mais próxima fica a mais de 3 quilómetros. De acordo com Antonieta Fortunato, da Comissão, a área geográfica do Lavradio tem 10 mil utentes que, com o encerramento dos CTT, vão ter de se deslocar ou ao centro do Barreiro ou à Baixa da Banheira, já no concelho da Moita. O concelho do Barreiro, com cerca de 80 mil habitantes, ficará apenas com duas estações de Correios, uma no centro da cidade e outra na Quinta da Lomba, na freguesia de Santo André, acrescentou.
População revoltada com fecho de CTT no Lavradio 

A Comissão de Utentes dos Serviços Públicos do Barreiro realizou no sábado uma concentração contra o encerramento da estação dos Correios do Lavradio, no Barreiro, uma das 22 que a empresa prevê encerrar em todo o país.
"No Barreiro, em 2013, a estação da Quinta Grande foi encerrada numa das maiores freguesias do concelho, no Alto do Seixalinho. A União de Freguesias de Coina e Palhais não tem estação de Correios, mas um posto na freguesia, sendo o trabalho feito pelos funcionários da Junta", explicou Antonieta Fortunato. Para a Comissão de Utentes, o serviço prestado pelos CTT "deve ser um serviço público, de qualidade e de proximidade às populações".
"O Lavradio, neste momento, não tem um posto de polícia, porque foi encerrado. No ano passado encerrou o balcão da Caixa Geral de Depósitos. Neste momento, a nossa estação de CTT também vai encerrar. Qualquer dia dizem-nos para atravessarmos de barco e irmos a Lisboa pôr as cartas", salientou Antonieta Fortunato.
Os utentes são também contra o funcionamento dos Correios em espaços de Juntas de Freguesia, porque "não podem aceitar que um serviço privado seja feito num espaço de serviço público, até porque os CTT vão despedir pessoas e depois os serviços terão de ser assegurados por funcionários da Junta".
Em Dezembro passado, os CTT divulgaram um Plano de Transformação Operacional, que prevê a redução de cerca de 800 trabalhadores na área das operações em três anos, um corte de 25 por cento na remuneração fixa do presidente do Conselho de Administração e do presidente executivo, além da otimização da implantação de rede de lojas, através da conversão de lojas em postos de correio ou do fecho de lojas com pouca procura.
Já este ano, confirmaram o fecho de 22 lojas no âmbito deste plano de reestruturação, situação que, segundo a Comissão de Trabalhadores dos Correios de Portugal, vai afetar 53 postos de trabalho.
A privatização dos CTT, que rendeu aos cofres do Estado mais de 900 milhões de euros, foi feita a dois tempos - em 2013 e em 2014 - em operações que renderam, respetivamente, 579 milhões de euros (70 por cento do capital social da empresa a 5,52 euros por ação) e 343 milhões de euros (30 por cento do capital social detido pela Parpública ao preço de 7,25 euros por ação).

Encerramento da Estação dos CTT prejudica a população
Paulo André, vereador da CDU, na reunião de Câmara do Barreieo, numa declaração politica, no ponto antes da ordem do dia, lamentou que se esteja a assistir a uma degradação dos serviços públicos no concelho do Barreiro.
O autarca considerou que o encerramento da estação dos CTT no Lavradio, “prejudica a população” e afirmou  que“não me lembro” de viver situações como estas “tão drásticas” de redução dos serviços de correios no concelho do Barreiro.
Paulo André sublinhou ainda que esta situação de sucessivo encerramento de serviços públicos “é um retrocesso civilizacional”.
Por outro lado, referiu que tomar medidas que servem para “atamancar a situação não é solução para o problema”.
O autarca sublinhou que “após a privatização” dos CTT, tem sido registada “uma degradação do serviço público”.

Agência de Notícias com Lusa 

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