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segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Fábrica de Pinhal Novo vai despedir 60 trabalhadores

PCP repudia intenção da Lincoln Electric encerrar unidade de produção na Venda do Alcaide

A Comissão Concelhia de Palmela do PCP repudia a intenção demonstrada pela multinacional Lincoln Electric, de encerrar a sua unidade de produção na Venda do Alcaide, no Pinhal Novo. A Electro-Arco tem atualmente cerca de 60 trabalhadores, produz electrodos para o mercado nacional e internacional e em 2016 foi uma das empresas que mais volume de negócio teve no distrito de Setúbal, sendo na região a única fábrica a produzir este tipo de material. “A confirmar-se o cenário de encerramento previsto para Março de 2018 estará em causa o despedimento de cerca de 60 trabalhadores”, refere a Comissão Concelhia de Palmela do PCP. A Câmara de Palmela também está "a acompanhar a situação com preocupação" . Para já, a situação resultará numa reunião entre autarcas e administradores da empresa, agendada para esta terça-feira. 
Fabrica troca Pinhal Novo por nova unidade na Roménia 


Em 2008, a administração da Lincoln Electric mandou encerrar a unidade de produção de fio para soldadura e, em 2013 consumou-se um despedimento colectivo que envolveu 60 trabalhadores da produção.
A Lincoln Electric anunciou em Novembro de 2017 o fim do ciclo de produção da Electro-Arco, na Venda do Alcaide, através de carta dirigida aos trabalhadores, onde a administração anuncia o inicio do processo de despedimento coletivo e a 22 de Dezembro os trabalhadores são confrontados com uma nova carta a consumar os termos do processo e o encerramento da fábrica em Portugal, previsto para 6 de Março de 2018.
"O argumento usado pela administração para o encerramento da empresa é o da diminuição de encomendas e o facto de a produção poder ser feita noutras unidades do grupo em diversos países da Europa, apesar da Lincoln Electric pretender continuar a vender e a dominar o mercado nacional e até de haver a informação de que vai abrir uma nova fábrica na Roménia", diz a concelhia do PCP de Palmela
O PCP "denuncia e condena esta situação". Em causa está, dizem os comunistas, "a destruição de postos de trabalho e da produção nacional. Fica uma vez mais comprovado que a entrega de empresas nacionais a multinacionais faz parte de uma estratégia que em muitos casos passa única e exclusivamente pelo objetivo de comprar mercado".
A Comissão Concelhia de Palmela do PCP "está solidária com os trabalhadores e suas famílias neste momento difícil, e apela à luta pela defesa dos seus postos de trabalho", dizem os comunistas em comunicado.

Câmara critica postura da multinacional americana 
O presidente da Câmara e Palmela também está preocupado com a economia local e familiar e considera curioso o fecho de uma empresa com “grande saúde financeira”. Álvaro Amaro vai reunir-se com os administradores da empresa esta terça-feira.
Na última reunião pública do executivo, Álvaro Amaro recordou que, “em Novembro, ficámos preocupados com algumas notícias”, uma vez que “a empresa começou por dar conta de alguns despedimentos nas suas fábricas de Setúbal”. Uma diminuição do número de encomendas e a transferência para outras unidades da Europa foram os argumentos apresentados.
Actualmente, “há motivos para se adensarem preocupações, porque tivemos nota da intenção demonstrada pela multinacional Lincoln Electric, que integra a Electro-Arco, de encerrar em Março a unidade de produção instalada em Venda do Alcaide”, sublinhou o autarca.
Álvaro Amaro referiu que, “curiosamente, foi uma das empresas com maior volume de negócios do distrito de Setúbal. Tem uma grande saúde financeira e, de repente, tem de despedir trabalhadores”. Tratando-se de uma multinacional, defendeu que “isto requer alguma reflexão sobre a apropriação de alguns sectores estratégicos do tecido produtivo”.
Para o autarca de Palmela, isto é “um bocadinho estranho e prova como a questão dos capitais de investimento de produção requer outro tipo de regulação e outro tipo de controlo, até porque muitas destas empresas acabam por ter, ao longo anos, um conjunto de incentivos e atractivos. Do município, do estado central, de fundos comunitários, do IAPMEI”.
Raul Cristóvão, vereador socialista, também lamentou que ainda “haja investidores a pensar desta forma”, numa referência à deslocação da empresa para países com mão-de-obra mais barata, onde os operários têm menos direitos que os trabalhadores portugueses.
A Electro-Arco, fabricante de consumíveis para soldaduras e equipamentos, está há quase 25 anos na Venda do Alcaide. Em 2013, reduziu de 120 para sessenta o número de trabalhadores e justificou a decisão com o encerramento da secção de produção do fio Mig-Mag. Em 2016 sofreu uma remodelação e, agora, quer encerrar as portas na freguesia de Pinhal Novo.

Agência de Notícias 

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