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quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Duas mortes nas urgências do hospital de Setúbal

Mais duas pessoas morreram na Urgência à espera de diagnóstico

O Hospital de São Bernardo, em Setúbal, vai abrir um processo de averiguações às circunstâncias em que morreu uma mulher de 47 anos que terá sofrido um derrame cerebral e que os familiares admitem ter sido mal diagnosticada. A informação foi avançada à agência Lusa por fonte do Gabinete de Comunicação do Hospital de São Bernardo. Maria Rosário Macedo recorreu à urgência do centro hospitalar de Setúbal, a 29 de Dezembro. Segundo o Jornal de Notícias, na primeira ida foram receitados comprimidos para os ouvidos. A dor não passava e acabou por regressar ao hospital. Fez análises e os resultados foram enviados para o Hospital Garcia de Orta, em Almada, que terá recusado a doente. Um dia depois, um homem perdeu a vida depois de se ter queixado com dores fortes na perna esquerda.
No final do ano morreram duas pessoas no hospital sadino 

Maria Rosário Macedo, de 47 anos, e Manuel Gomes Fernando, de 56 anos, morreram em circunstâncias anormais, segundo as famílias.
Os dois casos aconteceram na Urgência do Hospital de São Bernardo, em Setúbal. O Centro Hospitalar de Setúbal vai agora abrir um inquérito à primeira morte, mas não à segunda, avança o Jornal de Notícias.
Segundo contou à Lusa Paulo Silva, irmão da falecida, Maria Rosário Macedo entrou pelo próprio pé na urgência do hospital de São Bernardo, devido a fortes dores de cabeça que a incomodavam há algum tempo, e acabou por morrer naquela unidade hospitalar já na madrugada de dia 29 de Dezembro, horas depois de ter sido considerada em morte cerebral. 
Paulo Silva adiantou ainda que a irmã já tinha ido ao serviço de urgência 15 dias antes, mas na altura foi medicada com antibiótico para um eventual problema nos ouvidos. Mas as dores não passaram e Maria Rosário voltou no dia 28 de Dezembro. Fez análises e os resultados foram enviados para o Hospital Garcia de Orta, em Almada. Esse mesmo hospital deu indicações para não enviarem para lá a paciente e a mulher acabou por morrer.
A família de Maria Rosário Macedo, que deixa dois filhos menores de 9 e 15 anos, lamenta que nem da primeira nem da segunda vez que foi ao hospital, tivesse sido realizada uma TAC (Tomografia Axial Computorizada) ou uma Ressonância Magnética, que, na opinião dos familiares, poderiam ter permitido um diagnóstico capaz de evitar um desfecho trágico como aquele que se verificou.
Convicto de que Maria do Rosário Macedo não terá sido devidamente acompanhada e tratada em termos médicos, Paulo Silva admite recorrer à via judicial para apurar responsabilidades, adiantando que os advogados da família vão fazer tudo para salvaguardar os interesses dos dois menores que ficaram órfãos de mãe.
"Ninguém pode trazer a minha irmã de volta, mas é preciso apurar responsabilidades para que não continuem a morrer pessoas por falta de assistência nos hospitais portugueses", conclui o irmão da mulher que morreu no São Bernardo, em Setúbal. 

Homem morreu dia 30 de Dezembro 
Já Manuel Gomes Fernando perdeu a vida a 30 de Dezembro, depois de se ter queixado com dores fortes na perna esquerda. Foi levado para a Urgência do Hospital de Setúbal e recebeu pulseira laranja. A mulher da vítima garante que ele não foi medicado, os médicos asseguram que sim.
Entretanto, a dor passou para a coluna e depois para o peito, causando-lhe uma paragem cardíaca e por conseguinte, a morte.
A mulher, Maria Rodrigues Soares assegura que o médico que atendeu o seu marido “não queria saber dele”. “Chegou a dizer-lhe, e tenho testemunhas, que uma dor na perna não mata”, conta.
Estes dois casos relembram a história do paciente que foi às urgências de Faro, teve um AVC enquanto aguardava atendimento, acabou por ser transportado para o hospital de Coimbra, uma vez que o hospital de São José tinha recusado a transferência. Também o caso de David Duarte, o jovem que faleceu por aguardar uma operação por falta de uma equipa especializada, depois de ter sido diagnosticado com um aneurisma, gerou uma enorme polémica.

Reguladora censura seis hospitais em casos de mortes nas urgências
Entidade Reguladora da Saúde censura mortes nos hospitais 
A Entidade Reguladora de Saúde (ERS) recrimina seis hospitais onde se registaram mortes, no Inverno passado, após os doentes esperarem várias horas nas urgências. O hospital Garcia de Orta, em Almada, e os hospitais de Setúbal,  Santarém e Santa Maria da Feira estão entre as unidades repreendidas.
A ERS considera que as unidades hospitalares não actuaram correctamente em vários casos, o que resultou na morte de doentes na urgência, passadas diversas horas de espera, segundo apurou o Jornal Público.
A reguladora afirma que os picos a que as urgências foram obrigadas a responder não são desculpa para o sucedido e que não se justifica o facto de não terem sido tomadas medidas imediatas, para responder à elevada afluência de pacientes.
A ERS recomenda o estabelecimento de regras prontamente, onde se define que os hospitais devem afixar informações sobre os tempos de espera nas urgências, de forma a que os utentes possam opta por outra unidade. Além disso, devem também incluir os tempos de espera de outras unidades e instalar mecanismos de alerta para informar sobre situações de ruptura.
Um dos hospitais com duas mortes analisadas é o Garcia de Orta (Almada). A primeira ocorreu em 11 de Janeiro do ano passado (depois de três horas de espera, sem que lhe tivesse sido feito um electrocardiograma, um doente foi encaminhado para a sala de reanimação mas morreu) e a segunda aconteceu apenas seis dias depois. Neste último caso (uma doente de 89 anos esperou oito horas por atendimento médico) o enfermeiro consultor da ERS considera estar-se perante uma “situação grave”, até porque “faltam registos claros e alguns de certa gravidade desapareceram”.
O hospital alega que naquele dia foi necessário atender um número excessivo de doentes (havia 40 pacientes para dois enfermeiros) e que se registou um elevado número de situações graves e de reanimações (15). Mas reconhece que o clínico responsável pelo segundo caso teve uma postura “pouco proactiva” e admite a dificuldade dos chefes de equipa “em coordenar todos os elementos médicos”. Explica ainda que há cerca de quatro anos que tenta ter equipas dedicadas (a trabalhar a tempo inteiro na urgência), sem sucesso.
Os outros casos aconteceram nos hospitais de Setúbal (em 2 de Janeiro de 2015, uma mulher morreu depois de quatro horas sem atendimento clínico) e no de Santarém (em 12 de Janeiro de 2015, um homem não resistiu após quase quatro horas de espera; o hospital alegou que havia profissionais a trabalhar 24 horas sem descanso).


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