Lisboa quer aeroporto complementar no Montijo

De avião para o Montijo e de barco para Lisboa 

Manuel Salgado, vereador da Câmara de Lisboa, admitiu que está a ser estudada a hipótese de Portela+1. Ligação do Montijo a Lisboa seria depois efetuada por barco. Segundo anunciaram no mês passado responsáveis dos Aeroportos de Portugal, o aeroporto da capital apresentou resultados muito superiores aos esperados para 2014: cresceu 13,3 por cento, superando a barreira dos 18 milhões de passageiros. O contrato de concessão entre a empresa francesa, que detêm a ANA, e o Estado português, assinado em Dezembro de 2012, estipula que a empresa é obrigada a iniciar conversações com o Governo para decidir uma solução a adoptar para aumentar a capacidade aeroportuária na região de Lisboa, caso o tráfego atinja 22 milhões de passageiros. As estimativas iniciais indicavam que esse valor só seria atingido em 2025, mas estavam erradas. “Tudo indica que será em 2017”, diz fonte do sector, recordando que essa situação pode obrigar a ANA a ter de avançar para um aeroporto suplementar mais cedo do que previsto. O Montijo é a hipótese mais "viável" dizem os entendidos. 
Aumento de tráfico pode deslocar low-cost para o Montijo 

“O aeroporto da Portela está perto do seu limite e está a ser estudada a hipótese de Portela+1, que no caso é o Montijo”, disse Manuel Salgado durante o debate “Plataforma Multimodal do Barreiro/Terminal de Contentores – Visão e Futuro”, que decorreu no Barreiro. O autarca de Lisboa acrescentou ainda que está a ser ponderada que a ligação entre o Montijo e Lisboa possa ser depois efetuada por barco.
“Está em cima da mesa que, depois, a ligação entre o Montijo e Lisboa possa ser feita pela via fluvial”, defendeu.
O presidente da Câmara do Montijo, Nuno Canta, afirmou recentemente à agência Lusa ser precisa uma decisão em relação à localização, no concelho, de um novo aeroporto para companhias ‘low-cost’ para dinamizar o turismo.
“Já fomos contactados pela ANA para saber se eramos a favor a um aeroporto complementar a funcionar na base aérea nº 6 e dissemos que sim. Sabemos que estão a ser desenvolvidos alguns estudos no local para receber a infraestrutura, mas é preciso que seja tomada uma decisão”, afirmou o presidente.
O autarca do Montijo refere que um aeroporto complementar para as companhias ‘low-cost’ seria importante para o turismo e considera a atual base aérea nº 6 como a melhor opção.
"A Câmara do Montijo está empenhada em atrair investimento e emprego para a cidade e, ao mesmo tempo, em garantir um aeroporto orientado pelas melhores práticas ambientais conhecidas", indica a autarquia, que assinala como infra-estruturas mais relevantes um nova ligação viária à Ponte Vasco da Gama, a circular externa até ao Seixalinho e a construção da Avenida do Seixalinho com ciclovia, admite Nuno Canta.


ANA também prefere Montijo 
Há cerca de um mês, alguns peritos nomeados pela ANA estiveram na base militar do Montijo a analisar a torre de controlo, para estudar as questões de gestão de tráfego aéreo.
A visita foi acompanhada pelo comandante da Força Aérea responsável pela base, que teve ordens do Ministério das Finanças para disponibilizar todo o tipo de informação necessária. Já antes os especialistas da ANA tinham feito visitas ao local para avaliar o solo e as pistas.
Em cima da mesa estará a ideia de a infra-estrutura ocupar apenas metade dos 900 hectares totais da base. E, das duas pistas ali existentes, a Norte-Sul será a mais adequada. Tem o problema de ter a mesma orientação da pista da Portela, o que poderia dificultar o tráfego, mas, segundo fontes ligadas ao processo, a distância de 13 quilómetros entre elas é suficiente para garantir a segurança das operações.
Terá também de ser resolvida a questão ambiental. Poderá ser necessário solicitar à União Europeia uma licença especial para serem feitos voos comerciais no estuário do Tejo.
O presidente da gestora dos aeroportos nacionais também prefere o Montijo. "Não penso que um aeroporto em Alcochete seja a solução para as próximas décadas. Há soluções melhores. Por exemplo, o Montijo é uma alternativa altamente interessante para um país que não pode gastar mais dinheiro, mas não é só a opção mais barata. É também a mais eficaz para a cidade de Lisboa porque é a mais perto", disse o presidente da ANA, Jorge Ponce Leão.
Para o gestor, um aeroporto em Alcochete não permitiria manter a competitividade porque o sucesso de Lisboa está muito relacionado com a localização na Portela.
"Alguém paga 20 euros à Ryanair para depois pagar 40 euros para vir de Alcochete para Lisboa", comentou. o responsável pelos Aeroportos de Portugal. Ponce Leão disse contudo que o Montijo funcionaria como solução complementar à Portela, na lógica do Portela+1, mas lembrou também que as operações atuais podem ainda expandir-se para a zona de Figo Maduro, que ao contrário do que se pensa não é um aeroporto ao lado da Portela, mas apenas uma extensão que é usada pela Força Aérea.
"Desde a privatização que se fala nisso e desde sempre que existe essa hipótese [de usar Figo Maduro]. Quando for preciso a Força Aérea sai", recordou.

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