Luz solar de Santiago do Cacém alvo de estudo pioneiro

Alemães avaliam se luz solar de Santiago do Cacém é boa para a saúde

Esta quarta-feira, 8 de Outubro, os investigadores da Universidade de Wuppertal (da Alemanha) vão dar a conhecer ao país os primeiros resultados de uma investigação científica pioneira, que afirma a luz solar na região de Santiago do Cacém como “diferente”. A apresentação dos resultados vai decorrer na sala de Sessões da sede do Município de Santiago do Cacém, pelas 11 horas. O estudo é orientado para os efeitos da luz solar na saúde e no bem-estar do ser humano em domínios como o ritmo cardíaco, a tensão arterial, o fortalecimento da imunidade, a descontração, ou o combate à depressão. Um dos pontos mais interessantes do estudo situa-se no complexo arqueológico de Miróbriga, que foi edificada pelos romanos, mas já antes era celta e estes povos edificavam em lugares que tinham uma energia boa.


Alemães apresentam resultados sobre a luz do sol em Santiago 

A luz solar na zona de Santiago do Cacém está a ser alvo de um estudo “pioneiro” em Portugal, por investigadores de uma universidade alemã, para verificar se tem características benéficas para a saúde. A investigação, iniciada este verão, está a cargo da Universidade de Wuppertal (Alemanha) e incide na Aldeia dos Chãos, naquele concelho do litoral alentejano.
Durante meses, dois sensores num edifício da aldeia estiveram a transmitir, em permanência, dados sobre a luz solar local para a universidade alemã, para avaliação.
Durante esta manhã, o grupo de investigadores desloca-se a Santiago do Cacém para apresentar os primeiros resultados, adiantou ontem o gabinete de imprensa daquele município.
Maria Loureiro, da equipa coordenadora do projecto, explicou à agência Lusa que este trabalho é “pioneiro em Portugal” e visa analisar “a composição das cores e o alcance ou intensidade das ondas” solares.
“Até por volta do meio-dia, a luz do sol tem cores mais frias, mais claras, ou seja, tons de verde e de azuis, enquanto, das 12 horas até ao cair da noite, começam os tons quentes, como os laranjas e os lilases”, referiu.
Ora, continuou, “está comprovado cientificamente”, que esta luz da parte da tarde “é benéfica para a saúde”, nomeadamente “para o ritmo cardíaco, tensão arterial e combate da depressão”, favorecendo “ a descontracção e o bem-estar”, entre outros factores.
“Há alguns pontos no mundo que dispõem de uma composição de luz diferente de outros, com características benéficas” e Santiago do Cacém “pode ser um desses pontos”, disse.
A hipótese é sustentada pela localização deste concelho do litoral alentejano e por indícios históricos que “apontam no mesmo sentido”, assumiu Maria Loureiro.
“Pela altitude e distância do mar e pela disposição sobre montes e vales, parte-se do princípio que esta luz com estas características existe aí”, precisou a coordenadora do projecto.
A névoa também presente “muitas vezes” na zona e que “transporta a luz”, supõem os cientistas, pode contribuir para “quebrá-la’ e reflecti-la de maneira diferente”.

Miróbriga no centro do estudo
O complexo arqueológico local de Miróbriga foi igualmente um factor considerado: “Foi edificada pelos romanos, mas já antes era celta” e estes dois povos “edificavam povoações em lugares que tinham uma energia boa, relacionada com a luz solar”.
“Desde o tempo da antiga Miróbriga romana, com templos e termas, hoje centro arqueológico em Santiago do Cacém, a luz nesta região é mencionada como diferente. Pela altitude sobre o mar, a distância para o Atlântico, a distribuição sobre montes e vales, é suposto a luz quebrar-se aqui de forma própria”, afirmam os responsáveis da universidade alemã ao realçar a pertinência da investigação.
Na altura, “estes efeitos sobre a saúde não eram comprováveis, mas há textos da antiga Miróbriga em que já se falava de uma luz particular na área”, acrescentou.
O estudo surge no âmbito de um projecto para uma herdade, junto a Aldeia dos Chãos e propriedade de Maria Loureiro, apoiado pela câmara municipal, que, a avançar, pretende combinar ecoturismo, investigação e ciência aplicadas, ecologia, cultura e arte.
Os primeiros dados transmitidos pelos equipamentos “já foram promissores” e o objectivo, concluída a investigação e divulgados os resultados, é “certificar esta luz especial”, o que pode “atrair investimento e turismo na área do bem-estar” para o concelho, frisou a coordenadora.
A Câmara de Santiago do Cacém já enalteceu os “valores ecológicos” da investigação e o “impacto positivo” que poderá ter em domínios como “a eficiência energética, alimentação e saúde”.

Comentários