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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Setúbal cria centro de formação para bombeiros

Centro Internacional de Gestão de Emergência nasce na Mitrena 

A área industrial da Mitrena vai ter um centro de formação e treino para bombeiros e outros agentes de Proteção Civil - o Centro Internacional de Gestão de Emergência  - que será "inovador e único no país pela quantidade de simuladores” que terá disponíveis, refere o presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Setúbal, José Luís Bucho. O projecto nasceu de uma parceria entre os Bombeiros, a câmara de Setúbal e a Sapec e quando estiver concluído será alvo de uma candidatura a fundos comunitários.

Bombeiros apresentaram projeto do CIGE, em Setúbal 

O equipamento, um projeto ainda em fase de desenvolvimento, é da responsabilidade da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Setúbal, numa parceria com a autarquia de Setúbal e a Sapec Parques Industriais.
O Centro Internacional de Gestão de Emergência (CIGE) a instalar na zona industrial da Mitrena, localizada em Setúbal, deverá ocupar uma área com 2,5 hectares, e, segundo o presidente da Associação Humanitária, José Luís Bucho, “será único em Portugal pela quantidade de simuladores” que albergará.
O centro está vocacionado para dar formação teórica e prática na área da proteção civil a profissionais do setor, como bombeiros, mas também a empresas, com especial atenção às de natureza industrial, a instituições públicas e a tripulantes de navios.
António Marques, engenheiro que integra a equipa responsável pelo anteprojeto, iniciado em Junho de 2013, adiantou no final da apresentação que, “numa estimativa subdimensionada”, as instalações terão capacidade para que sejam ministradas formações a cerca de cem pessoas em simultâneo.
Sobre o anteprojeto, apresentado no dia em que a Associação Humanitária comemora os 130 anos da primeira intervenção dos Bombeiros Voluntários de Setúbal, José Luís Bucho destacou em particular o simulador relacionado com as áreas de busca, salvamento e resgate.
Enquanto outros simuladores do CIGE são inspirados em modelos já existentes, o módulo de treino de busca, salvamento e resgate foi criado e desenhado de raiz pela equipa do projeto, em colaboração com os Bombeiros Sapadores de Setúbal, e inclui, entre outras características técnicas, um labirinto subterrâneo configurável para apresentar diferentes cenários de dificuldade para os formandos.

Mais valia para o país e para a região 
“O Centro Internacional de Gestão de Emergência é, claramente, uma mais-valia para o país”, sublinhou durante a apresentação a presidente da câmara de Setúbal.
Maria das Dores Meira disse que o centro será igualmente uma vantagem para o município de Setúbal, “detentor de um corpo de bombeiros profissional com elevadas necessidades de formação permanente”.
O CIGE, acrescentou a autarca, também permitirá reduzir as ações de formação no quartel da Companhia de Bombeiros Sapadores de Setúbal,“que, dada a sua natureza, não devem ser realizadas em espaço urbano”.
Ainda sem um valor de investimento determinado, as próximas etapas na criação do CIGE, salientou José Luís Bucho, passam por “acabar o projeto”de maneira a que possa ser apresentada uma candidatura aos programas de apoios comunitários, nomeadamente no âmbito do QREN – Quadro de Referência Estratégico Nacional.
Em complemento, independentemente do envolvimento da Associação Humanitária, autarquia e Sapec, José Luís Bucho lançou um repto às entidades presentes na apresentação: “Queremos mais parceiros, sejam públicos ou privados". 
“Setúbal poderá orgulhar-se, com esta iniciativa dos bombeiros, de estar na vanguarda da formação na área da proteção e do socorro”, concluiu a presidente da câmara de Setúbal.

As características do CIGE
Setúbal terá um centro de formação de bombeiros que será "referencia" 

O Centro Internacional de Gestão de Emergência dispõe de um setor administrativo, também orientado para formação teórica, que inclui um anfiteatro e um auditório, cada um com capacidade para cerca de cem pessoas. No setor operacional, o CIGE prevê uma oficina, um laboratório, um posto médico e, inclusivamente, uma lavandaria.
Ao nível da formação prática, o centro contempla simuladores vocacionados para o treino de segurança contra incêndios em edifícios, localizado numa estrutura com cerca de 1300 metros quadrados onde é possível simular escritórios, hospitais, creches, lares de idosos e escolas, entre outros equipamentos.
O CIGE reserva também uma área de simuladores de combate a incêndios, que abrangem desde exercícios simples a outros de dificuldade mais avançada.
Nesta área está prevista a construção de um edifício de quatro andares, com cave e cozinha, e um espaço para o treino contra flashover, terminologia técnica que, resumidamente, designa incêndios com origem em ignições simultâneas de combustíveis localizados em espaços confinados.
O setor de simulação de combate a incêndios terá também, entre outros exercícios possíveis, simuladores de um navio, de fogos tridimensionais e de transportes pesados e ligeiros de passageiros e de mercadorias.
José Luís Bucho realçou que alguns exercícios “não serão construídos porque o centro ficará localizado ao lado dos melhores simuladores possíveis, como são os casos da serra da Arrábida e do rio Sado”.
O presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Setúbal salientou que, acima de tudo, “o CIGE vai ter uma oferta formativa adaptável às necessidades dos clientes”.

Agência de Notícias
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