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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Musicalidades

Trovante, uma história com 35 anos...

Os Trovante voltam a reunir-se no final deste mês para uma série de concertos que assinalam o 35º aniversário do grupo e em que contarão com um convidado “muito especial”. 






Hoje  e amanhã actuam no Coliseu de Lisboa, a 4 de Novembro no Coliseu do Porto e a 12 de Novembro no Pavilhão Multiusos de Guimarães, os Trovante serão oito músicos em palco e contam com um convidado “muito especial que é o público: canta muito bem”, revelou, em entrevista à Lusa, um dos fundadores do grupo, Manuel Faria.
”Nunca fomos oito simultaneamente, fomos sendo ao longo do tempo. Fomos oito no Pavilhão Atlântico [em 1999, a convite do então Presidente da República Jorge Sampaio, por ocasião dos 25 anos da Revolução do 25 de Abril] e vamos ser oito em palco agora”, revelou o teclista.
Os concertos serão feitos apenas de músicas antigas. “Achamos que não faz sentido nenhum juntarmo-nos para compor músicas para o futuro, mas sim juntarmo-nos para tocar as coisas que tocávamos, da maneira como tocávamos” afirmou, acrescentando que irão tocar canções que ultimamente não têm tocado.



O começo...

Os Trovante surgiram no Verão de 1976. Eram cinco amigos ligados pela militância política e pelo gosto da música formam o grupo. Luís Represas na voz, o seu irmão João Nuno Represas nas percussões, João Gil na guitarra, Manuel Faria nos teclados e Artur Costa no saxofone deram início a uma longa aventura.
O primeiro disco, Chão Nosso (1977) é marcado pelo conteúdo militante das letras de Francisco Viana e pela colagem ao tipo de música de raiz etnográfica, à época muito em voga. O mesmo acontece com Em Nome da Vida (1978), álbum que surge no contexto da luta política contra a bomba de neutrões.
Em 1979 gravam o single Toca a Reunir, que conta, episodicamente, com a voz de Né Ladeiras, então em início de carreira.
Em Nome da Vida é um trabalho muito mais rico que o LP anterior, e anuncia já a densidade musical que explodiria em Baile no Bosque (1981). Com este disco, já sob a inteira direcção da banda, contando com a presença de Fernando Júdice (que passa nesse ano a fazer parte do grupo, tal como José Martins), e numa nova editora, desligados em grande parte da actividade política, os Trovante vão conseguir um grande êxito junto do público, das rádios e dos críticos.

Uma banda fresca

Era, por isso, um período fértil da banda. A frescura do trabalho, que funde diversos géneros musicais numa síntese inovadora e festiva, onde se destacava o tema Balada das Sete Saias, veio equacionar os dados da música da época, em plena euforia do rock português.
Baile no Bosque vem demonstrar, ainda, que o grupo aproveitara com grande utilidade os anos de experiência adquirida com os maiores nomes da música portuguesa: José Afonso, Vitorino, Fausto, Sérgio Godinho.
Em 1983 é editado o sempre difícil álbum a seguir ao primeiro grande êxito. Cais das Colinas não tem, é certo, o mesmo sucesso do anterior, mas ainda assim causará impacto. Nele, salienta-se Saudade, um tema de João Gil, que começa a ter um crescente papel de compositor. Do grupo passa a fazer parte o baterista José Salgueiro, substituindo João Nuno Represas. Luís Represas, Gil, Faria, Costa, Júdice, Salgueiro e Martins serão a formação definitiva dos Trovante.
No ano seguinte sai, com grande sucesso, Trovante 84, do qual se destacam temas que ficam na história do grupo, como Xácara das Bruxas Dançando, Travessa do Poço dos Negros e o popularíssimo Molinera. Nesse ano o Coliseu de Lisboa assiste a dois memoráveis espectáculos, com lotações esgotadas, a que se seguiria o Rivoli do Porto.
Sepes, de 1986, é considerado o mais difícil e introspectivo trabalho do grupo. Ainda assim, dele sairá Fizeram os Dias Assim, mais um dos seus muitos hinos cantáveis.
No 10º aniversário da banda voltarão a encher os Coliseus de Lisboa e do Porto, em cinco triunfais noites de Maio.


Ritmos mais urbanos


Em 1987 editam Terra Firme, de sonoridade marcadamente mais pop e urbana. Dele notabilizaram-se 125 Azul, Perdidamente e Bye-Bye Blackout. É muito bem acolhido pela crítica e obtém um Disco de Ouro.
Culminando uma digressão nacional de grande sucesso, dão o grande concerto do Campo Pequeno, para uma plateia de oito mil pessoas, que é registado em vídeo e dá origem ao duplo-álbum Trovante ao Vivo no Campo Pequeno (1988) e atinge o Disco de Platina.

O fim...

Um Destes Dias...(1990) o último trabalho de originais, consolida a linha de ferro Firme. Destacam-se as canções Timor, Objectos Perdidos e Baltazarblimunda.
No ano seguinte confirma-se a cisão da banda. João Gil e Artur Costa vão criar os Moby Dick, enquanto os restantes elementos (excepto José Martins, que já tinha deixado o grupo em 1988) tentam a continuidade. Mas rapidamente percebem que o projecto deixou de fazer sentido.
Em 1999 os Trovante voltam ajuntar-se para um único e memorável espectáculo, no Pavilhão Atlântico, em Lisboa, a convite do Presidente da República Jorge Sampaio. Deste concerto resulta Uma Noite Só, o último registo e ao mesmo tempo uma síntese de uma década e meia de carreira.

Os concertos de 2011


Em 2011 preparam-se para encher mais uma vez o coliseu de Lisboa e Porto. Segundo a  Lusa, a maior dificuldade esteve em conseguir reunir todos. A agenda foi complicada de gerir. “Somos oito com agendas complicadas e essa é a grande dificuldade. Passada essa dificuldade maior, é tudo fácil”.
Depois de cada um “fazer individualmente o seu trabalho de casa e ir outra vez revisitar as músicas e ir outra vez buscar os sítios onde tem mais ou menos dificuldade”, os músicos juntam-se e tudo se encaixa “como as peças de um puzzle, com as arestas bem limadas”. Isso é fácil e é bom, agora não deixa de ser difícil quando temos mais anos de vida sem Trovante do que com Trovante, e temos outros hábitos de trabalho, outras rotinas e outras relações com outros parceiros de música”, referiu Luís Represas.

Os Trovante actuaram em Setembro na Festa do Avante e em Maio do ano passado reuniram-se em palco a convite do festival Rock in Rio Lisboa.

 A medalha de mérito da cidade de Lisboa

No ano em que comemoram 35 anos de carreira com uma série de concertos, os Trovante vão receber, esta quinta-feira, a Medalha de Mérito Municipal de Grau de Ouro, numa cerimónia que contará com a presença do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa.
Segundo um comunicado divulgado esta segunda-feira, a homenagem pretende distinguir "um dos mais importantes grupos da música portuguesa". Para a Câmara Municipal de Lisboa, os Trovante, "que se mantêm vivos no coração dos portugueses", merecem esta distinção porque as suas músicas "continuam a ser presença assídua nas nossas rádios".


Vídeo: 

Trovante - Ser Poeta (Perdidamente) @ Rock in Rio 2010



















Paulo Jorge Oliveira 

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