Retratos da campanha eleitoral - Fernando Nobre

As preocupações de Nobre

 
Fernando Nobre insiste na certeza de que irá à segunda volta. À medida que a campanha avança o presidente da Assistência Médica internacional (AMI) parece que ganha alento e diz ter indicações que contrariam as sondagens. "Eu também tenho informações muito fidedignas, e não são as mesmas que passam nas sondagens", disse o candidato independente, em Aveiro no fim-de-semana.

O candidato diz que “alguns órgãos de informação” andam “há meses a tentar silenciar esta candidatura”. Ora, se for eleito Presidente da República, não permitirá “nunca que essa expressão plural da democracia possa estar em causa”. O candidato independente sublinha ser “o candidato de todos os portugueses” Disse, ainda, que se for eleito irá “romper com o sistema estrangulador e decepcionante” que conduziu Portugal para “um beco tão escuro”.

Por Setúbal, por onde passou em Novembro do ano passado, Nobre defende que é necessário o país “redefinir os seus desígnios nacionais, apostando nas suas grandes riquezas como o mar. Os pescadores estão desalentados, angustiados e não vêm futuro para o sector tendo em conta os rendimentos baixos, as restrições à captura, a falta de modernização, entre outros problemas”. O candidato questionou como é que Portugal “permitiu que o número de pescadores passasse de 41 mil para 17 mil” em 20 anos, que a frota de barcos de pesca fosse reduzida “a metade” e que houvesse um défice nas pescas de “800 milhões de euros”. Se chegar a Belém, o candidato deixou a promessa: propor um plano urgente de revitalização da agricultura e pescas.

A juntar a este problema, Fernando Nobre não esquece ainda os problemas a nível de desemprego, saúde e insegurança, agravados por “escolhas políticas e decisões erradas tomadas durante os últimos 20 anos”.
Fernando Nobre garantiu que se for eleito vai fazer tudo para alargar a formação cívica a todos os graus de ensino. Avisando que é "de poucas promessas" mas que as cumpre, Nobre prometeu que se for eleito vai "incentivar para que em todas as escolas do país, se possível da pré-primária até ao pós-doutoramento haja uma formação cívica para a cidadania". Só com cidadania "forte, activa, interpelativa e exigente" se pode desenvolver o país e "afirmar a democracia", disse o candidato independente. 


O périplo que Fernando Nobre pelo distrito de Setúbal incluiu uma visita ao concelho de Palmela. Passou pela Associação de Reformados de Palmela, conversou com elementos da Adega Cooperativa de Palmela e a caminho do Montijo parou para uma curta pausa para café no centro de Pinhal Novo.
Em Pinhal Novo, entre abraços beijinhos e distribuição de panfletos, Nobre realçou que os idosos merecem a preocupação no seu programa eleitoral. “Estou triste. Há muitos idosos com reformas de 200 e até 75 euros, já encontrei situações destas. Há uma injustiça profunda perante um grupo importante da nossa população que trabalhou a vida inteira e que agora vive com reformas de mendicidade que não dá para nada”. Perante isso só há uma coisa a fazer: “melhorar a reforma dos nossos idosos e criarmos uma política demográfica que sustente o futuro da Segurança Social para todos”.

Os apelos ao empreendedorismo, isto é, à capacidade de inovar e criar nas carreiras profissionais, são recorrentes na campanha de Nobre. Mas também à prática do voluntariado e ao voto, seja em quem for: "Quando eu tinha a vossa idade, não podia votar. Votem, em liberdade, mas votem. Não preciso de piscar o olho a ninguém", diz, a propósito da possibilidade de estar a arrastar a asa ao eleitorado católico. "Esta minha campanha é uma visita que inclui toda a sociedade portuguesa ", acrescenta, reafirmando a questão dos valores em que quer centrar a campanha, comum a homens políticos que admira, como Martin Luther King JR., Nelson Mandela ou Mohandas Gandhi. 


O mandatário distrital de Fernando Nobre, Carlos de Sousa, concorda com o candidato às presidenciais e afirma mesmo que “o ser humano não foi feito para viver como vive actualmente em Portugal”. Sobre o apoio a Fernando Nobre, o ex-presidente das câmaras municipais de Setúbal e de Palmela justifica-o dado o “apartidarismo e percurso de vida, repleto de escolhas complexas”, do candidato a Belém, bem como pelo facto de não estar mais ligado ao PCP, de onde saiu, depois de um período “de imensa reflexão”, em Outubro de 2008.
Nobre voltará a Setúbal no dia 20 de Janeiro. Almada, Seixal e Azeitão estão na rota do candidato independente.  

Paulo Jorge Oliveira 

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