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segunda-feira, 4 de abril de 2016

Setúbal evoca aniversário de Sebastião da Gama

Cidade celebra 92º aniversário do poeta da Arrábida 

O 92.º aniversário do nascimento de Sebastião da Gama é assinalado ao longo de Abril, no concelho de Setúbal, com um programa cultural que evoca a memória e a obra do poeta azeitonense. O programa comemorativo, promovido pela Câmara de Setúbal, pela Associação Cultural Sebastião da Gama e pela Junta de Freguesia de Azeitão, começa no dia 9 de Abril, às 15 horas, no Museu Sebastião da Gama, com a inauguração da mostra de poemas do concurso “Arrábida Poesia”, por alunos do 1.º ciclo do Agrupamento de Escolas de Azeitão.
Sebastião da Gama  nasceu há 92 anos em Azeitão 

Meia hora depois, o mesmo espaço museológico localizado em Vila Nogueira de Azeitão recebe a cerimónia de lançamento da brochura “Lugar de Bocage na Nossa Poesia de Amor”, da autoria do poeta azeitonense Sebastião da Gama.
À noite, já na cidade de Setúbal, o Salão Nobre dos Paços do Concelho é palco de um concerto evocativo pelo Coro Setúbal Voz, apontamento musical com início às 21h30.
Em dia de aniversário de Sebastião da Gama, a 10 de Abril, há a habitual deposição de flores na estátua erigida ao poeta, na Praça da República, em Vila Nogueira de Azeitão, cerimónia com início às 10 horas.
O concurso literário “Arrábida Poesia” entrega prémios aos melhores trabalhos no dia 16, às 15 horas, no Museu Sebastião da Gama, a que se segue, às 16 horas, um roteiro de poesia, com a declamação de poemas em vários pontos de Vila Nogueira de Azeitão, atividade dinamizada em parceria com a Casa da Poesia de Setúbal.
O programa comemorativo do 92.º aniversário do poeta azeitonense reserva ainda, no dia 30, às 16 horas, no Museu Oceanográfico, no Portinho da Arrábida, a palestra “Sebastião da Gama e a Serra-Mãe”, por João Ribeiro, iniciativa promovida em parceria com o Parque Natural da Arrábida.

Sebastião, o poeta da Arrábida
Sebastião da Gama foi um poeta português, natural de Vila Nogueira de Azeitão, Setúbal. Concluiu o curso de Filologia Românica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em 1947, e ainda nesse ano iniciou a sua actividade de professor, que exerceu em Lisboa, Setúbal e Estremoz. Foi colaborador das revistas Árvore e Távola Redonda.
Sebastião da Gama ficou para a história pela sua dimensão humana, nomeadamente no convívio com os alunos, registado nas páginas do seu famoso Diário (iniciado em 1949). Literáriamente, não esteve dependente de qualquer escola, afirmando-se pela sua temática (amor à natureza, ao ser humano) e pela candura muito pessoal que caracterizou os seus textos. Atingido pela tuberculose, que causaria a sua morte precoce, passou a residir no Portinho da Arrábida, com a panorâmica serra da Arrábida a alimentar o culto pela paisagem presente na sua obra. Foi, entretanto, instituído, com o seu nome, um Prémio Nacional de Poesia.
Estreou-se com Serra Mãe, em 1945. Publicou ainda Loas a Nossa Senhora da Arrábida (1946, em colaboração com Miguel Caleiro), Cabo da Boa Esperança (1947) e Campo Aberto (1951). Após a sua morte, foram editados Pelo Sonho é que Vamos (1953), Diário (1958), Itinerário Paralelo (1967), O Segredo é Amar (1969) e Cartas I (1994).
No dia 7 de fevereiro de 1952, Sebastião da Gama morre, com apenas 27 anos, vítima de tuberculose renal, doença que sofria desde a adolescência.

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