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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Setúbal quer recuperar Palácio da Comenda

Classificação de imóvel de interesse público vai avançar em breve 

A Casa da Quinta da Comenda, na Serra da Arrábida, vai entrar em fase de classificação, após a Câmara de Setúbal aprovar, em reunião pública ordinária, a abertura de um processo nesse sentido. A deliberação esclarece que se trata da abertura de procedimento para classificação do edifício, conhecido como Palácio da Comenda, como Imóvel de Interesse Municipal. O Palácio da Comenda era propriedade dos Condes D’Arman, amigos pessoais dos Kennedy. Aquando do assassinato do presidente dos EUA, John F. Kennedy, a viúva Jacqueline Kennedy recolheu-se com os filhos aqui no palácio junto dos seus amigos, os condes D’Arman. Atualmente o palácio está em abandono total e à venda, numa imobiliária, por 50 milhões de euros. 

Autarquia quer classificar edifício como de interesse público 

O texto sublinha, porém, existir a “expectativa de que a entidade da Administração Central competente, neste caso a Direção-Geral do Património Cultural, no âmbito da apreciação a que será chamada a fazer por força do enquadramento legal deste procedimento, venha a considerar a Casa da Quinta da Comenda como bem cultural com interesse supramunicipal e, como tal, suscetível de merecer uma classificação superior”.
O imóvel foi projetado como casa de veraneio em 1903 após encomenda do conde Abel Henri Armand, e, destaca a proposta aprovada, é “um edifício de características artísticas e arquitetónicas notáveis, com um enquadramento paisagístico único no conjunto da obra concebida pelo arquiteto Raul Lino”.
Além da qualidade estilista, a casa, atualmente em estado devoluto, motiva o processo de classificação igualmente pelos materiais e sistemas construtivos empregues, assim como pelos jogos volumétricos e códigos formais de expressão tradicionalmente portuguesa.
“Esta perspetiva e forma de projetar constitui-se, à época, profundamente inovadora, na medida em que contrariava o quadro cultural vigente, com modelos revivalistas e ‘afrancesados”, realça a resolução camarária.
Painéis azulejares da autoria do ceramista José António Jorge Pinto, muitos deles em estado de degradação, decoram diferentes áreas do edifício.
A proposta alerta que a Casa da Quinta da Comenda, além de obras “descaracterizadoras, mas completamente reversíveis”, após a transferência da propriedade nos anos 80 da família Armand para António Xavier de Lima, entrou, desde a morte deste, num “processo de abandono e degradação que se considera urgente reverter”.

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