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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Autarquias de Santiago do Cacém cuidam de Miróbriga

"Preservação e valorização de Miróbriga ganham uma força redobrada"

A gestão das Ruínas Romanas de Miróbriga, em Santiago do Cacém, vai ser partilhada entre a Direcção Regional de Cultura do Alentejo e a Câmara de Santiago do Cacém e a União de Freguesias, fruto de um protocolo recentemente assinado. “Esta é uma velha aspiração da Câmara, há anos que andamos a defender a necessidade de haver um protocolo para a gestão partilhada do espaço, que é único e tem de ser rentabilizado”, disse à agência Lusa Álvaro Beijinha, presidente do município de Santiago do Cacém. O sítio arqueológico de Miróbriga, classificado como Imóvel de Interesse Público desde a década de 40 do século XX, era, até agora, gerido exclusivamente pela Direcção Regional de Cultura do Alentejo. Com o novo acordo que será hoje rubricado, no Centro Interpretativo de Miróbriga, a Câmara e a União de Freguesias de Santiago do Cacém, Santa Cruz e São Bartolomeu da Serra passam também a participar na gestão e valorização das antigas ruínas romanas.
Ruínas de Miróbriga passam a ter gestão autárquica  


A Câmara de Santiago do Cacém, a União de Freguesias de Santiago do Cacém, Santa Cruz e São Bartolomeu da Serra e a Direção Regional de Cultura do Alentejo assinaram um protocolo para a gestão e valorização do Sítio Arqueológico de Miróbriga.
Álvaro Beijinha sublinha que se trata de “um trabalho que tem vindo a ser desenvolvido nos últimos tempos, mas agora, com a assinatura do protocolo, há condições para outros voos”. O presidente da Câmara de Santiago do Cacém não esquece “o trabalho muito grande que há a fazer. Por um lado, na própria valorização e preservação, que já tem sido feita, mas que é necessário efetuar de forma mais aprofundada. Por outro lado, na promoção do Sítio Arqueológico de Miróbriga, dando-lhe uma cada vez maior visibilidade, não apenas a nível nacional, mas também internacional, como fator atrativo de pessoas ao nosso Município”. 
Álvaro Beijinha recorda, também, um dos factores distintivos de Miróbriga. “Temos a felicidade de ter algo que é inédito. Além de um sítio arqueológico bem preservado, temos o único hipódromo romano em Portugal”. O novo quadro comunitário poderá ser a oportunidade para fazer alguns investimentos no local. “Um dos projetos que se vem falando há alguns anos é a construção de uma réplica daquela que era a bancada do hipódromo; outro projeto, o ‘Miróbriga Virtual’, pretende criar um cenário virtual daquilo que era o sítio há cerca de dois mil anos”, diz o autarca de Santiago do Cacém.
Potenciar a importância deste sítio no município e na região
A Diretora Regional de Cultura do Alentejo, Ana Paula Amendoeira, destaca ”o objetivo de formalizar uma relação de cooperação que já vem de trás, entre a Direção Regional, a Câmara e a Junta”, mas também de “promover atividades de colaboração que ainda não estão a ser realizadas, para potenciar a importância deste sítio no município e na região. Miróbriga é um sítio absolutamente excecional, no contexto da arqueologia e do património arqueológico nacional. Nesse sentido é desejável que nós consigamos aumentar a visibilidade da cidade romana de Miróbriga”. 
A responsável enaltece a importância de “trabalhar em conjunto, para promover um programa de atividades culturais relacionados com Miróbriga, mas que tenham o objetivo da divulgação, da disseminação, da abertura ao público e às escolas, e da educação patrimonial, para tornar o sítio, ainda mais, uma parte da vida cultural efetiva destas populações e destas comunidades”, conclui Ana Paula Amendoeira.
O presidente da Junta de Freguesia, Vítor Barata, também recordou o trabalho que foi desenvolvido ainda na fase pré-protocolo. “Temos colaborado muito com o Sítio Arqueológico de Miróbriga, naquele que é um dos grandes desideratos do poder local democrático, que é a preservação e a divulgação do nosso património cultural, da nossa memória colectiva”. 
O autarca da União de Freguesias de Santiago do Cacém, Santa Cruz e São Bartolomeu da Serra, assegura, nesta fase em que a gestão, preservação e valorização de Miróbriga ganham uma força redobrada, que esse mesmo trabalho continuará a ser feito “com todo o gosto e empenho”.

Atrair estudantes
Protocolo foi assinado na semana passada em Santiago do Cacém
A título de exemplo de iniciativas que poderão vir a ter lugar, o presidente da Câmara revelou que a autarquia pretende promover visitas regulares de alunos do concelho às antigas ruínas romanas, porque, “por incrível que pareça, há muitos estudantes que nunca visitaram o espaço”.
Miróbriga pode também voltar a acolher trabalhos arqueológicos, com a participação de estudantes de Arqueologia, e ser “palco” de iniciativas culturais e musicais, segundo a Câmara. “Não vamos, certamente, fazer tudo de um dia para o outro, mas vamos pensar em iniciativas, em articulação com todos, e, com o tempo, vamos dinamizar o espaço”, afiançou Álvaro Beijinha.
Miróbriga terá sido habitada, pelo menos, desde a Idade do Ferro, partilhando as características das cidades provinciais romanas. As ruínas são compostas por um forum com um templo dedicado ao culto imperial e um outro possivelmente dedicado a Vénus, uma zona comercial (“tabernae”), hospedaria e termas, calçadas de xisto e uma ponte. A cerca de um quilómetro de distância, encontram-se as ruínas de um hipódromo, destinado a corridas de carros puxados por dois ou quatro cavalos.
A assinatura do protocolo decorreu no Centro Interpretativo de Miróbriga, na presença de autarcas, entidades parceiras e convidados, que foram desafiados a manter e inclusive a intensificar o trabalho de parceria que tem vindo a ser desenvolvido até à data.



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