Mobilidade na Margem Sul: Seixal volta a exigir mais comboios Fertagus

Paulo Silva diz que as duas carruagens previstas para 2027 são insuficientes perante a procura atual

A chegada de duas novas carruagens da Fertagus em 2027 poderá aliviar a pressão sobre os comboios que servem o Seixal, mas está longe de significar que o problema da sobrelotação ficará resolvido. O presidente da Câmara, Paulo Silva, considera o reforço insuficiente e alerta para uma realidade que pode prolongar-se durante anos: a aquisição de mais material circulante poderá demorar cerca de sete anos. No meio desta espera, a autarquia continua a reclamar melhores transportes públicos para quem todos os dias atravessa a Margem Sul a caminho de Lisboa. A questão voltou a ganhar força durante a Semana da Mobilidade, com Paulo Silva a fazer a viagem entre Coina e Corroios para voltar a colocar a Fertagus no centro da discussão sobre a mobilidade no Seixal e, mais abrangentemente, na Margem Sul.
A sobrelotação da Fertagus preocupa a Câmara do Seixal

Há uma viagem que, para milhares de pessoas, começa muito antes de chegar ao local de trabalho. Começa na estação, muitas vezes com um comboio cheio, pouco espaço e a sensação de que a rede de transportes públicos continua a não acompanhar as necessidades de quem vive na Margem Sul e todos os dias precisa de chegar a Lisboa. No Seixal, a questão voltou a ganhar força durante a Semana da Mobilidade. 
O presidente da Câmara Municipal, Paulo Silva, utilizou a ocasião para voltar a colocar a Fertagus no centro da discussão sobre a mobilidade defendendo um reforço do serviço ferroviário e mais material circulante.
Na passada sexta-feira, o autarca entrou na composição que partiu da estação de Coina às 8h13, em direção a Lisboa, tendo saído em Corroios, onde falou aos jornalistas que acompanharam a viagem. Para Paulo Silva, a situação é clara: a Fertagus é "o meio de transporte mais utilizado pelos seixalenses", mas continua a enfrentar problemas de sobrelotação. E, perante essa realidade, deixa uma exigência direta: "É necessário mais material circulante".

Uma luta que já dura há vários anos
A reivindicação não é nova. A Câmara do Seixal e a Comissão de Utentes dos Transportes Públicos têm vindo a desenvolver esta luta há vários anos, procurando chamar a atenção para as dificuldades sentidas diariamente pelos passageiros.
A resposta, porém, tem demorado a chegar. A Fertagus adquiriu duas novas carruagens que deverão entrar em serviço em 2027. Para o presidente da Câmara do Seixal, o reforço é positivo, mas está longe de resolver o problema existente.
"É um mero paliativo perante os problemas existentes. É necessário mais material circulante, pelo que iremos continuar esta luta por melhores condições de transporte na Fertagus, para mais conforto dos habitantes do Seixal que vão para o seu local de trabalho, e não ficarem mais stressados como acontece habitualmente".
A posição do autarca coloca assim a capacidade dos comboios e a qualidade dos transportes públicos na Margem Sul no centro de uma discussão que ultrapassa a simples questão de aumentar o número de carruagens. Está em causa o conforto de quem utiliza diariamente o transporte ferroviário para trabalhar e estudar e a capacidade da rede para responder à procura.

Mais material circulante pode demorar anos
Paulo Silva diz ter indicação de que, em 2027, a Fertagus irá também "tentar comprar mais material circulante em segunda mão".
A possibilidade passa por Espanha, uma vez que, segundo o autarca, devido à bitola ibérica, será aí que poderá ser adquirido esse material. Mas mesmo essa solução não terá efeitos imediatos.
"Devido à bitola ibérica, será adquirido a Espanha", afirmou Paulo Silva, acrescentando que uma nova encomenda "demora cerca de sete anos".
É precisamente este horizonte temporal que torna ainda mais evidente a preocupação da autarquia: enquanto a procura existe hoje, as soluções estruturais podem levar anos a concretizar.

Carris Metropolitana com menos queixas
Se a Fertagus é apontada como uma das principais preocupações, a avaliação feita pelo autarca em relação à Carris Metropolitana é diferente.
Paulo Silva considera que este é um dos meios de transporte com "menos queixas", destacando o aumento da cobertura da rede e a disponibilidade da administração da empresa para introduzir adaptações à medida que chegam recomendações da população.
Entre essas alterações estão os horários e os circuitos, numa tentativa de aproximar o serviço das necessidades concretas de quem utiliza diariamente os transportes públicos.
"Tem havido um trabalho constante entre o Gabinete de Mobilidade da autarquia e a Carris Metropolitana para a melhoria de serviço".
A posição do Seixal passa, assim, por uma visão mais abrangente da mobilidade: não apenas o comboio, mas também os autocarros e o transporte fluvial têm um papel importante nas deslocações de quem vive no concelho e precisa de atravessar a Margem Sul ou chegar a Lisboa.

Transporte fluvial também pode ser reforçado
Na ligação fluvial entre Seixal e Lisboa, Paulo Silva reconhece que tem existido uma melhoria do serviço da Transtejo/Soflusa nos últimos tempos.
O autarca destaca, nomeadamente, "menos supressões de carreiras e melhor cumprimento de horários", considerando que a operação elétrica, que arrancou no Seixal, também está agora a funcionar melhor.
"Foi doloroso o arranque de toda a operação elétrica, que começou no Seixal, mas agora tem estado a funcionar melhor".
Mas também aqui Paulo Silva identifica margem para melhorar a oferta. Uma das possibilidades que defende passa pela abertura da carreira fluvial Lisboa-Seixal-Barreiro.
Para o presidente da Câmara, essa ligação "seria uma maneira de rentabilizar a infraestrutura dos barcos, porque tem uma taxa de ocupação que não é elevada e conseguir mais carreiras".

Uma questão de mobilidade para toda a Margem Sul
Comboio, autocarro e transporte fluvial não são, neste contexto, realidades separadas. São peças de uma mesma rede de mobilidade, onde uma falha ou insuficiência num dos meios acaba por aumentar a pressão sobre os restantes.
No Seixal, a discussão deixa claro que promover transportes públicos não passa apenas por incentivar as pessoas a deixar o automóvel em casa. Passa também por garantir que, quando escolhem o comboio, o autocarro ou o barco, há capacidade, frequência, conforto e fiabilidade para que essa escolha seja realmente possível.
E, para quem todos os dias atravessa a Margem Sul a caminho de Lisboa, a pergunta continua a ser muito concreta: quando é que haverá transportes públicos com capacidade para acompanhar a procura que já existe?

Agência de Notícias 
Fotografia: Design ADN 

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