O acordo com a EPAL prevê estudar uma nova origem de água para tornar o sistema mais resistente
Durante este verão, abrir uma torneira na Costa de Caparica nem sempre foi uma coisa garantida. A água faltou, os protestos chegaram à rua e o problema deixou de ser uma preocupação distante sobre o futuro para entrar diretamente no quotidiano de muitas famílias. Entre Junho e Agosto, Almada viveu sucessivos episódios de falhas no abastecimento, com especial impacto na Costa de Caparica, e o município manteve-se em situação de alerta desde o início de Julho até ao final de Agosto.![]() |
| O objetivo é reforçar a segurança do abastecimento no concelho |
Agora, depois de um verão que expôs de forma particularmente concreta a fragilidade do sistema, Almada procura uma segunda resposta. O município e a EPAL - Empresa Portuguesa das Águas Livres assinam esta quarta-feira um acordo para estudar uma nova origem de água para Almada, procurando trazer para o sistema água captada à superfície, em alternativa às atuais captações subterrâneas.
A intenção é clara: não substituir as captações subterrâneas que atualmente garantem o abastecimento, mas criar uma alternativa capaz de reforçar a segurança da rede e reduzir a sua dependência de uma única origem.
Um problema que deixou de ser apenas técnico
O que aconteceu durante os meses mais quentes do ano alterou a dimensão da discussão. Aquilo que durante muito tempo podia parecer uma questão de aquíferos, reservas subterrâneas e capacidade das infraestruturas passou a ter uma tradução muito mais simples: havia pessoas que abriam a torneira e não tinham água.
Na Costa de Caparica, as falhas sucessivas provocaram protestos da população e deram visibilidade a uma vulnerabilidade que, segundo a presidente da Câmara de Almada, Inês de Medeiros, já era conhecida.
A autarca considera que a crise "tornou clara para todos a fragilidade estrutural" do sistema, uma conclusão que ajuda a explicar a importância do acordo agora estabelecido com a EPAL.
Atualmente, Almada depende exclusivamente de captações subterrâneas no aquífero da Península de Setúbal, à semelhança do que acontece nos restantes municípios da região. É precisamente essa dependência de uma única origem que o município pretende começar a ultrapassar.
A solução em estudo passa, por isso, pela diversificação. Em vez de depender apenas da água subterrânea, Almada poderá vir a contar também com uma origem de água superficial.
O que aconteceu durante os meses mais quentes do ano alterou a dimensão da discussão. Aquilo que durante muito tempo podia parecer uma questão de aquíferos, reservas subterrâneas e capacidade das infraestruturas passou a ter uma tradução muito mais simples: havia pessoas que abriam a torneira e não tinham água.
Na Costa de Caparica, as falhas sucessivas provocaram protestos da população e deram visibilidade a uma vulnerabilidade que, segundo a presidente da Câmara de Almada, Inês de Medeiros, já era conhecida.
A autarca considera que a crise "tornou clara para todos a fragilidade estrutural" do sistema, uma conclusão que ajuda a explicar a importância do acordo agora estabelecido com a EPAL.
Atualmente, Almada depende exclusivamente de captações subterrâneas no aquífero da Península de Setúbal, à semelhança do que acontece nos restantes municípios da região. É precisamente essa dependência de uma única origem que o município pretende começar a ultrapassar.
A solução em estudo passa, por isso, pela diversificação. Em vez de depender apenas da água subterrânea, Almada poderá vir a contar também com uma origem de água superficial.
EPAL vai estudar duas soluções
O acordo a assinar pelo município, pela EPAL e pelos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento de Almada prevê a análise de dois cenários.
Um deles aponta para uma capacidade entre 4 e 6 milhões de metros cúbicos de água por ano. O segundo admite uma solução de maior dimensão, entre 10 e 12 milhões de metros cúbicos anuais.
São duas escalas diferentes, mas com a mesma finalidade: criar redundância no sistema e garantir que Almada dispõe de uma alternativa caso a sua principal origem de água enfrente novas limitações.
A EPAL ficará responsável pelo estudo da solução estrutural, recorrendo aos seus próprios meios técnicos e, quando necessário, a equipas externas especializadas. Os custos serão integralmente suportados pela empresa.
Depois de concluído o trabalho, as conclusões e os respetivos relatórios serão partilhados com a Câmara de Almada e com os SMAS.
O acordo a assinar pelo município, pela EPAL e pelos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento de Almada prevê a análise de dois cenários.
Um deles aponta para uma capacidade entre 4 e 6 milhões de metros cúbicos de água por ano. O segundo admite uma solução de maior dimensão, entre 10 e 12 milhões de metros cúbicos anuais.
São duas escalas diferentes, mas com a mesma finalidade: criar redundância no sistema e garantir que Almada dispõe de uma alternativa caso a sua principal origem de água enfrente novas limitações.
A EPAL ficará responsável pelo estudo da solução estrutural, recorrendo aos seus próprios meios técnicos e, quando necessário, a equipas externas especializadas. Os custos serão integralmente suportados pela empresa.
Depois de concluído o trabalho, as conclusões e os respetivos relatórios serão partilhados com a Câmara de Almada e com os SMAS.
A água subterrânea não desaparece da equação
A nova solução não significa abandonar o sistema que atualmente abastece o concelho. As captações subterrâneas continuarão a ter um papel essencial.
"Esta solução não substituirá as atuais captações. Destina-se a reforçar a segurança e a resiliência do sistema, reduzindo a vulnerabilidade que ficou tão evidente durante a crise vivida no início deste verão", explica Inês de Medeiros.
A questão vai, contudo, além das falhas registadas nos últimos meses. A pressão crescente sobre as reservas subterrâneas e os efeitos das alterações climáticas levantam também preocupações sobre a capacidade de recarga do sistema aquífero Tejo-Sado.
É neste ponto que a discussão deixa de estar limitada ao verão de 2026. Almada está a procurar uma resposta para os problemas que sentiu agora, mas também para um futuro em que a disponibilidade dos recursos subterrâneos poderá enfrentar uma pressão maior.
A nova solução não significa abandonar o sistema que atualmente abastece o concelho. As captações subterrâneas continuarão a ter um papel essencial.
"Esta solução não substituirá as atuais captações. Destina-se a reforçar a segurança e a resiliência do sistema, reduzindo a vulnerabilidade que ficou tão evidente durante a crise vivida no início deste verão", explica Inês de Medeiros.
A questão vai, contudo, além das falhas registadas nos últimos meses. A pressão crescente sobre as reservas subterrâneas e os efeitos das alterações climáticas levantam também preocupações sobre a capacidade de recarga do sistema aquífero Tejo-Sado.
É neste ponto que a discussão deixa de estar limitada ao verão de 2026. Almada está a procurar uma resposta para os problemas que sentiu agora, mas também para um futuro em que a disponibilidade dos recursos subterrâneos poderá enfrentar uma pressão maior.
Uma solução que pode ganhar dimensão regional
O estudo da EPAL surge ainda num momento em que o abastecimento da Margem Sul entrou numa discussão de maior escala.
No início de Setembro, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, anunciou que o Governo pretende encontrar, no prazo de quatro meses, uma solução para reforçar o abastecimento da denominada Margem Sul. Entre as possibilidades em análise estão a Barragem de Castelo de Bode e o rio Tejo.
Segundo a ministra, a Agência Portuguesa do Ambiente e o Grupo Águas de Portugal foram incumbidos de apresentar um projeto no prazo de 120 dias. A solução prevista será complementar às águas subterrâneas.
Para Almada, este movimento poderá criar condições para acelerar a procura de alternativas e enquadrar o estudo agora lançado num esforço mais abrangente para reforçar a segurança do abastecimento na Margem Sul.
Antes disso, porém, haverá ainda um conjunto de decisões a tomar. A EPAL deverá apresentar ao município uma proposta de contrato de fornecimento onde terão de ser definidos elementos como a configuração física do sistema, a capacidade máxima, o regime tarifário, os prazos para concretizar os investimentos, a duração do contrato e os volumes anuais de água que Almada poderá adquirir.
O estudo da EPAL surge ainda num momento em que o abastecimento da Margem Sul entrou numa discussão de maior escala.
No início de Setembro, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, anunciou que o Governo pretende encontrar, no prazo de quatro meses, uma solução para reforçar o abastecimento da denominada Margem Sul. Entre as possibilidades em análise estão a Barragem de Castelo de Bode e o rio Tejo.
Segundo a ministra, a Agência Portuguesa do Ambiente e o Grupo Águas de Portugal foram incumbidos de apresentar um projeto no prazo de 120 dias. A solução prevista será complementar às águas subterrâneas.
Para Almada, este movimento poderá criar condições para acelerar a procura de alternativas e enquadrar o estudo agora lançado num esforço mais abrangente para reforçar a segurança do abastecimento na Margem Sul.
Antes disso, porém, haverá ainda um conjunto de decisões a tomar. A EPAL deverá apresentar ao município uma proposta de contrato de fornecimento onde terão de ser definidos elementos como a configuração física do sistema, a capacidade máxima, o regime tarifário, os prazos para concretizar os investimentos, a duração do contrato e os volumes anuais de água que Almada poderá adquirir.
Depois de um verão assim, a próxima pergunta é outra
Ainda não há uma nova origem de água construída. Também não existe uma solução final escolhida.
Há, para já, um acordo para estudar possibilidades e perceber qual delas poderá reforçar o sistema de abastecimento de Almada.
Mas há uma diferença importante entre o início deste processo e o momento em que o verão começou: a segurança da água já não é apenas uma questão técnica discutida em relatórios e planos de investimento.
Ainda não há uma nova origem de água construída. Também não existe uma solução final escolhida.
Há, para já, um acordo para estudar possibilidades e perceber qual delas poderá reforçar o sistema de abastecimento de Almada.
Mas há uma diferença importante entre o início deste processo e o momento em que o verão começou: a segurança da água já não é apenas uma questão técnica discutida em relatórios e planos de investimento.
Mas há também uma certeza que ficou depois deste verão: em Almada, a segurança do abastecimento de água deixou de ser apenas uma preocupação para o futuro. Foi uma realidade sentida por muitas famílias do concelho, um dos mais populosos da península de Setúbal.
E é precisamente essa experiência que está agora a acelerar a procura por uma rede de abastecimento mais preparada para o próximo verão e para os que vierem depois.
E é precisamente essa experiência que está agora a acelerar a procura por uma rede de abastecimento mais preparada para o próximo verão e para os que vierem depois.

Comentários
Enviar um comentário