Entre associações, eventos e tradições, encontrou uma forma de contribuir para a terra onde cresceu e que não quer deixar
Leonor Saraiva, a protagonista da Geração ADN desta semana, parece ter de decidir, em alguns dias, qual dos seus muitos trajes vai vestir. O dos escuteiros, o de caramela, a roupa do Natal na Vila ou o traje do rancho. Aos 23 anos, já se habituou a esta espécie de mudança de pele, sempre com uma nova tarefa, um ensaio, uma animação ou alguém à sua espera. E, se lhe perguntarem se não é muita coisa ao mesmo tempo, a resposta provavelmente será um sorriso e a certeza de que não sabe viver de outra maneira. "É só um camaleão, estou sempre a correr de um lado para o outro, mas com muito gosto. Acho que, se viver assim, andar na correria e depois parar, até se torna estranho", conta, entre risos.Leonor é uma das jovens que encontramos repetidamente na vida associativa de Pinhal Novo. Não está apenas nos bastidores a ajudar a organizar, nem aparece somente quando chega o momento de vestir um traje ou entrar em cena. Está envolvida, participa, aprende e, sempre que pode, tenta trazer mais alguém consigo. A sua história começou cedo, muito antes de perceber a dimensão que o associativismo viria a ter na sua vida.
"Sou muito apaixonada pela cultura e pelas tradições da nossa terra. Uma pequena curiosa, se calhar até não sei muita coisa, mas gosto de aprender um pouco de tudo", apresenta-se.
As primeiras asas nasceram nos escuteiros
A história de Leonor no associativismo começou quando ainda era uma menina de cinco anos. O irmão já era escuteiro e ela queria fazer parte daquele mundo. A idade habitual de entrada era aos seis anos, mas a vontade era tanta que acabou por conseguir entrar mais cedo. O que talvez ninguém imaginasse era que aquela primeira experiência se transformaria numa ligação que atravessaria toda a sua infância, adolescência e juventude.
"Começou com os escuteiros, muito pequenininha. O meu irmão já era escuteiro e entretanto juntei-me ao movimento. Não consegui sair até agora, porque é realmente uma paixão", conta.
É uma ligação que não se explica apenas pelos anos que passaram. Quando fala dos escuteiros, Leonor reconhece que muito da mulher que é hoje começou a construir-se ali. Aprendeu a assumir responsabilidades, a resolver problemas, a confiar nas próprias capacidades e a não ficar à espera que alguém fizesse as coisas por si.
"Os escuteiros ensinaram-me a ser responsável, ajudaram-me a ser autónoma, a conseguir fazer as coisas por mim e não depender de ninguém. Acho que me deram asas para voar. Sem os escuteiros não conseguia ser a mulher que sou hoje", afirma, numa das respostas mais pessoais da entrevista.
Até coisas tão simples como cozinhar fazem parte das recordações que guarda desse percurso. Começou a aprender ainda criança, por volta dos sete anos, e hoje olha para essas pequenas aprendizagens como ferramentas que levou consigo para a vida. "Adoro cozinhar e é graças aos escuteiros que sei muita coisa de hoje em dia", revela.
A relação com o movimento também ganhou uma nova dimensão: deixou de ser apenas a menina que queria acompanhar o irmão e passou a ser alguém que pode transmitir aos mais novos aquilo que recebeu. Gosta de pensar que as crianças que agora entram nos escuteiros poderão guardar uma recordação sua e encontrar nela um exemplo de dedicação.
Quando lhe perguntamos se gostaria que esses jovens se lembrassem da Leonor, a resposta mostra o significado que atribui a essa continuidade: "Que vejam o exemplo, que fiquei desde o início até ao fim e que tenham uma história. E eles vão percebendo das coisas também". É talvez nos escuteiros que melhor se percebe uma das características que atravessa todo o percurso de Leonor: a vontade de permanecer, aprender e ajudar outros a descobrir aquilo que também a fez crescer.
Quando Leonor dá lugar a Almerinda
Quando chega o Natal, há mais uma mudança de cenário. O Natal na Vila - e já falta menos de um mês para começar - é outra das iniciativas em que participa e onde gosta especialmente de estar perto das pessoas. Não esconde o prazer de animar, conversar e ver crianças e adultos entrarem no espírito da época. "Adoro animar desde os pequenos aos adultos, falar com as pessoas e sentir que existe a magia do Natal e a magia nos nossos corações", conta.
Para Leonor, a iniciativa representa mais do que uma celebração. Acredita que ajudou a transformar a forma como a comunidade vive esta época e, sobretudo, a olhar mais para quem está à sua volta. Diz que o Natal na Vila tornou Pinhal Novo "mais mágico" e ajudou as pessoas a serem "mais sensíveis e a saber olhar para o outro".
É uma ideia que atravessa também a forma como vive as restantes iniciativas: os eventos ganham verdadeiro significado quando conseguem aproximar pessoas, criar relações e deixar alguma coisa em quem participa.
Uma dança que esperava há muito tempo
O folclore era um gosto antigo, mas durante muito tempo ficou à espera de oportunidade. Leonor gostava das danças tradicionais, mas, como acontece a tantos adultos, os dias passavam e nunca parecia haver tempo para experimentar.
Até que uma amiga a desafiou a conhecer o Rancho Folclórico Regional da Palhota e Venda do Alcaide. Começou por se aproximar através da organização e da direção, mas rapidamente percebeu que queria estar também do outro lado: queria dançar.
"Eu disse: não, eu gosto é de dançar e quero experimentar. Já que estou aqui, quero experimentar. E adorei, fiquei completamente apaixonada", recorda.
Há cerca de dois anos que integra o grupo e encontrou ali mais uma forma de se aproximar das raízes. A ligação ao folclore fez-lhe lembrar aquilo que tanto aprecia no Mercado Caramelo: a possibilidade de conhecer e trazer para o presente costumes e tradições que vêm de trás.
Não se considera uma dançarina perfeita, nem esconde que ainda tem muito para aprender. Mas isso não lhe retira vontade. "Não danço perfeitamente, mas mesmo assim tento e sou muito feliz lá. Muito mesmo", afirma.
E é precisamente esta vontade de experimentar que gostaria de ver mais vezes nos jovens. Num tempo em que os telemóveis ocupam uma parte tão grande do quotidiano, Leonor receia que se percam experiências que não podem ser substituídas por um ecrã. "Se não formos nós a tentar ir buscar o antigo, daqui para a frente não há nada. É só o telefone", alerta.
Quando lhe perguntamos o que gostaria que ficasse do seu percurso, Leonor não fala de reconhecimento nem de grandes ambições pessoais. A resposta regressa àquilo que a acompanha desde criança: a cultura e a vontade de a manter viva. "Faço tudo para que a cultura se mantenha, sendo o Mercado Caramelo, sendo o rancho", diz.
E deixa um convite aos mais novos, que também é um pouco a explicação da sua própria história: experimentar. Não ter medo de entrar num grupo, de aprender uma dança, de participar numa atividade ou de descobrir uma tradição que até então parecia distante. "Se gostas, vá, experimenta, porque nunca se sabe", aconselha.
Nos escuteiros, onde continua a acompanhar crianças que estão a iniciar o seu percurso, gostaria que o exemplo também pudesse fazer a diferença. Que os mais novos percebessem que vale a pena permanecer, aprender e construir uma história dentro de um grupo.
Aos 23 anos, Leonor ainda tem muito para descobrir e não sabe que outras portas poderá abrir. Mas já sabe aquilo que não quer perder: a ligação às pessoas, a cultura e as tradições que dão identidade à sua terra.
Entre a Leonor dos escuteiros, a Almerinda do Mercado Caramelo, a jovem que espalha magia no Natal e a dançarina que descobriu o folclore há dois anos, há uma mesma vontade de estar presente. E talvez seja essa a marca mais bonita que pode deixar em Pinhal Novo: mostrar que as tradições não sobrevivem apenas porque alguém as recorda. Continuam vivas porque há quem as vista, as dance, as ensine e, sobretudo, tenha vontade de as passar a quem vem a seguir.
"Sou muito apaixonada pela cultura e pelas tradições da nossa terra. Uma pequena curiosa, se calhar até não sei muita coisa, mas gosto de aprender um pouco de tudo", apresenta-se.
As primeiras asas nasceram nos escuteiros
A história de Leonor no associativismo começou quando ainda era uma menina de cinco anos. O irmão já era escuteiro e ela queria fazer parte daquele mundo. A idade habitual de entrada era aos seis anos, mas a vontade era tanta que acabou por conseguir entrar mais cedo. O que talvez ninguém imaginasse era que aquela primeira experiência se transformaria numa ligação que atravessaria toda a sua infância, adolescência e juventude.
"Começou com os escuteiros, muito pequenininha. O meu irmão já era escuteiro e entretanto juntei-me ao movimento. Não consegui sair até agora, porque é realmente uma paixão", conta.
É uma ligação que não se explica apenas pelos anos que passaram. Quando fala dos escuteiros, Leonor reconhece que muito da mulher que é hoje começou a construir-se ali. Aprendeu a assumir responsabilidades, a resolver problemas, a confiar nas próprias capacidades e a não ficar à espera que alguém fizesse as coisas por si.
"Os escuteiros ensinaram-me a ser responsável, ajudaram-me a ser autónoma, a conseguir fazer as coisas por mim e não depender de ninguém. Acho que me deram asas para voar. Sem os escuteiros não conseguia ser a mulher que sou hoje", afirma, numa das respostas mais pessoais da entrevista.
Até coisas tão simples como cozinhar fazem parte das recordações que guarda desse percurso. Começou a aprender ainda criança, por volta dos sete anos, e hoje olha para essas pequenas aprendizagens como ferramentas que levou consigo para a vida. "Adoro cozinhar e é graças aos escuteiros que sei muita coisa de hoje em dia", revela.
A relação com o movimento também ganhou uma nova dimensão: deixou de ser apenas a menina que queria acompanhar o irmão e passou a ser alguém que pode transmitir aos mais novos aquilo que recebeu. Gosta de pensar que as crianças que agora entram nos escuteiros poderão guardar uma recordação sua e encontrar nela um exemplo de dedicação.
Quando lhe perguntamos se gostaria que esses jovens se lembrassem da Leonor, a resposta mostra o significado que atribui a essa continuidade: "Que vejam o exemplo, que fiquei desde o início até ao fim e que tenham uma história. E eles vão percebendo das coisas também". É talvez nos escuteiros que melhor se percebe uma das características que atravessa todo o percurso de Leonor: a vontade de permanecer, aprender e ajudar outros a descobrir aquilo que também a fez crescer.
Quando Leonor dá lugar a Almerinda
| No Mercado Caramelo representa a tradição e a história |
Há uma parte de Leonor que só aparece quando veste a roupa de Almerinda. No Mercado Caramelo, a jovem de Pinhal Novo encontra espaço para brincar com a imaginação, improvisar e mergulhar numa cultura que não quer ver esquecida. A ligação começou por volta dos 16 anos, através da animação, mas depressa se transformou numa paixão que vai muito além dos dias do evento.
"É uma espécie de personagem que eu crio ali. Sou a Almerinda, não sou a Leonor. Dá-me liberdade, nem penso mas faço, e a criatividade vem ao de cima", conta. É nesse papel que se solta, entra no espírito caramelo e ajuda a dar vida a um ambiente feito de tradições, encontros e memórias de outros tempos.
Aquilo que a prende não cabe num traje nem termina quando acaba a animação. São as pessoas, as amizades construídas ao longo dos anos e a cumplicidade de quem partilha a mesma paixão. Um grupo que cresceu com ela e onde encontrou um lugar que hoje não imagina deixar. "Era uma pequena família, agora já é uma grande família, mas é uma grande família e que não largo por nada", diz, com a convicção de quem encontrou muito mais do que um espaço para participar.
A paixão acabou por chegar também a quem lhe é próximo. A mãe, a prima e até o namorado foram entrando neste universo, depois de Leonor lhes mostrar aquilo que a entusiasma tanto. Mas, antes de os trazer consigo, foi ela quem teve de encontrar maneira de se aproximar. Chegou a aparecer trajada, ainda antes de entrar oficialmente, com roupas que nem sequer eram propriamente caramelas, mas que lhe permitiam disfarçar e sentir-se um pouco mais dentro daquele mundo.
No ano seguinte, entrou por iniciativa própria, sem familiares, e começou a construir o seu próprio caminho no Mercado Caramelo. Hoje, quando fala desta experiência, percebe-se que não está apenas a recordar uma festa: fala de uma cultura com a qual se identifica, de uma comunidade que a acolheu e de uma paixão que também a leva a querer preservar e transmitir aquilo que faz parte da história de Pinhal Novo.
É também por isso que o Mercado Caramelo tem, para Leonor, um significado que ultrapassa a animação. Ali encontra uma forma de se aproximar das raízes da terra e de dar a conhecer costumes que não podem ficar apenas nas recordações dos mais velhos. Acha importante que os mais novos experimentem e percebam como se vivia antigamente: desde acender um lume sem isqueiro a cozinhar sem os utensílios de hoje. E lembra, com entusiasmo, até a aprendizagem de fazer chouriças, uma das práticas tradicionais que também merece ser recuperada.
"É uma espécie de personagem que eu crio ali. Sou a Almerinda, não sou a Leonor. Dá-me liberdade, nem penso mas faço, e a criatividade vem ao de cima", conta. É nesse papel que se solta, entra no espírito caramelo e ajuda a dar vida a um ambiente feito de tradições, encontros e memórias de outros tempos.
Aquilo que a prende não cabe num traje nem termina quando acaba a animação. São as pessoas, as amizades construídas ao longo dos anos e a cumplicidade de quem partilha a mesma paixão. Um grupo que cresceu com ela e onde encontrou um lugar que hoje não imagina deixar. "Era uma pequena família, agora já é uma grande família, mas é uma grande família e que não largo por nada", diz, com a convicção de quem encontrou muito mais do que um espaço para participar.
A paixão acabou por chegar também a quem lhe é próximo. A mãe, a prima e até o namorado foram entrando neste universo, depois de Leonor lhes mostrar aquilo que a entusiasma tanto. Mas, antes de os trazer consigo, foi ela quem teve de encontrar maneira de se aproximar. Chegou a aparecer trajada, ainda antes de entrar oficialmente, com roupas que nem sequer eram propriamente caramelas, mas que lhe permitiam disfarçar e sentir-se um pouco mais dentro daquele mundo.
No ano seguinte, entrou por iniciativa própria, sem familiares, e começou a construir o seu próprio caminho no Mercado Caramelo. Hoje, quando fala desta experiência, percebe-se que não está apenas a recordar uma festa: fala de uma cultura com a qual se identifica, de uma comunidade que a acolheu e de uma paixão que também a leva a querer preservar e transmitir aquilo que faz parte da história de Pinhal Novo.
É também por isso que o Mercado Caramelo tem, para Leonor, um significado que ultrapassa a animação. Ali encontra uma forma de se aproximar das raízes da terra e de dar a conhecer costumes que não podem ficar apenas nas recordações dos mais velhos. Acha importante que os mais novos experimentem e percebam como se vivia antigamente: desde acender um lume sem isqueiro a cozinhar sem os utensílios de hoje. E lembra, com entusiasmo, até a aprendizagem de fazer chouriças, uma das práticas tradicionais que também merece ser recuperada.
A magia também se constrói com pessoas
| Leonor também ajuda a espalhar a magia do Natal na Vila |
Para Leonor, a iniciativa representa mais do que uma celebração. Acredita que ajudou a transformar a forma como a comunidade vive esta época e, sobretudo, a olhar mais para quem está à sua volta. Diz que o Natal na Vila tornou Pinhal Novo "mais mágico" e ajudou as pessoas a serem "mais sensíveis e a saber olhar para o outro".
É uma ideia que atravessa também a forma como vive as restantes iniciativas: os eventos ganham verdadeiro significado quando conseguem aproximar pessoas, criar relações e deixar alguma coisa em quem participa.
Uma dança que esperava há muito tempo
| Leonor mostra que a tradição também tem lugar na juventude |
Até que uma amiga a desafiou a conhecer o Rancho Folclórico Regional da Palhota e Venda do Alcaide. Começou por se aproximar através da organização e da direção, mas rapidamente percebeu que queria estar também do outro lado: queria dançar.
"Eu disse: não, eu gosto é de dançar e quero experimentar. Já que estou aqui, quero experimentar. E adorei, fiquei completamente apaixonada", recorda.
Há cerca de dois anos que integra o grupo e encontrou ali mais uma forma de se aproximar das raízes. A ligação ao folclore fez-lhe lembrar aquilo que tanto aprecia no Mercado Caramelo: a possibilidade de conhecer e trazer para o presente costumes e tradições que vêm de trás.
Não se considera uma dançarina perfeita, nem esconde que ainda tem muito para aprender. Mas isso não lhe retira vontade. "Não danço perfeitamente, mas mesmo assim tento e sou muito feliz lá. Muito mesmo", afirma.
E é precisamente esta vontade de experimentar que gostaria de ver mais vezes nos jovens. Num tempo em que os telemóveis ocupam uma parte tão grande do quotidiano, Leonor receia que se percam experiências que não podem ser substituídas por um ecrã. "Se não formos nós a tentar ir buscar o antigo, daqui para a frente não há nada. É só o telefone", alerta.
No Rancho, Leonor encontra uma ligação diferente às raízes. É através da música, das danças e dos cantares que contacta com tradições que atravessaram gerações, mas também com histórias e formas de fazer que correm o risco de desaparecer. Há uma dimensão de aprendizagem que a entusiasma particularmente: perceber como os mais velhos resolviam as tarefas do quotidiano. Pequenos gestos que revelam muito sobre a vida de outros tempos e que, na sua perspetiva, não devem ficar esquecidos. Para ela, são conhecimentos que merecem continuar a ser transmitidos, porque também fazem parte do futuro.
O trabalho que fica escondido atrás dos eventos
O trabalho que fica escondido atrás dos eventos
Quem chega a um evento vê os trajes, a música, a animação e as pessoas a divertirem-se. Raramente vê tudo o que aconteceu antes. Leonor conhece bem essa realidade e não hesita quando lhe perguntamos o que gostaria que o público valorizasse mais. "Ui, o trabalho que dá! Imenso trabalho", responde.
Depois começa a enumerar aquilo que não aparece nas fotografias: a preparação ao longo de meses, a organização, a confeção ou preparação dos trajes, as refeições para tantas pessoas e todas as tarefas necessárias para que, no dia, tudo esteja pronto.
"Não é só um evento. Teve um trabalho do ano, teve toda uma dedicação de um grupo de voluntários, que é tudo voluntário. Não estamos a ser pagos por ninguém, é tudo um enorme gosto de estar aqui", sublinha.
E há um preço pessoal que nem sempre se vê. São horas retiradas ao descanso e, muitas vezes, à própria família. Um esforço que considera merecedor de reconhecimento, precisamente porque tantas pessoas continuam a fazê-lo sem esperar qualquer recompensa.
É também por conhecer este lado que acredita ser necessário mostrar melhor o trabalho das associações e criar iniciativas que despertem a curiosidade de quem ainda não participa. Mais eventos, bailes e atividades diferentes podem ajudar a aproximar a população e a mostrar que existem muitos espaços onde os jovens podem encontrar o seu lugar.
Por enquanto, não se imagina a assumir a liderança de uma associação ou a ocupar um cargo de maior responsabilidade. Prefere continuar a aprender e a participar, sem pressas. Até porque, como brinca, já tem bastante com que ocupar os dias. Entre as diferentes iniciativas, são vários os trajes que veste ao longo do ano e muitas as vezes em que anda de um lado para o outro. Mas fá-lo com gosto.
O futuro que preocupa, mas não apaga a vontade de ficar
Por detrás da jovem que está sempre a correr de uma iniciativa para outra existe também alguém que olha para o futuro com as inquietações próprias da sua geração.
A habitação é uma das preocupações que mais a afetam. Comprar uma casa, conseguir pagar uma renda, construir uma família e alcançar alguma estabilidade são objetivos que parecem cada vez mais difíceis para muitos jovens.
"É o futuro, se vamos ter um bom futuro, se vamos ter dinheiro para comprar uma casa, se vamos ter para uma renda, se vamos conseguir construir família", desabafa. Acredita que os preços e o custo de vida estão a tornar cada vez mais difícil permanecer na terra onde se cresceu. E não esconde a preocupação com aqueles que poderão ser obrigados a procurar condições melhores noutros locais, dentro ou fora de Portugal.
Quando pensa na sua própria vida, porém, a vontade é ficar. Leonor chegou a Pinhal Novo ainda era bebé. Não nasceu aqui, mas sente que a terra faz parte de si e não imagina facilmente outro lugar para chamar casa. "Eu vejo-me a ficar cá no Pinhal Novo, porque é esta terra para a qual vim com dois anos. Não sou de origem de cá, mas é como se fosse de cá, e adoro cá viver", afirma.
Gosta da dimensão da comunidade, da proximidade entre as pessoas e da possibilidade de ter quase tudo por perto. Reconhece que há aspetos a melhorar, mas sente orgulho na evolução da terra e naquilo que hoje oferece.
Há, contudo, uma preocupação que também relaciona com o futuro de Pinhal Novo: o conhecimento da sua própria história. Na sua opinião, são ainda poucos os jovens que conhecem verdadeiramente as tradições, as pessoas e os acontecimentos que ajudaram a construir a identidade local. Acredita que iniciativas como o Mercado Caramelo têm um papel importante nesta aproximação, porque permitem aprender através da experiência e não apenas ouvir falar do passado.
A marca que quer deixar
Depois começa a enumerar aquilo que não aparece nas fotografias: a preparação ao longo de meses, a organização, a confeção ou preparação dos trajes, as refeições para tantas pessoas e todas as tarefas necessárias para que, no dia, tudo esteja pronto.
"Não é só um evento. Teve um trabalho do ano, teve toda uma dedicação de um grupo de voluntários, que é tudo voluntário. Não estamos a ser pagos por ninguém, é tudo um enorme gosto de estar aqui", sublinha.
E há um preço pessoal que nem sempre se vê. São horas retiradas ao descanso e, muitas vezes, à própria família. Um esforço que considera merecedor de reconhecimento, precisamente porque tantas pessoas continuam a fazê-lo sem esperar qualquer recompensa.
É também por conhecer este lado que acredita ser necessário mostrar melhor o trabalho das associações e criar iniciativas que despertem a curiosidade de quem ainda não participa. Mais eventos, bailes e atividades diferentes podem ajudar a aproximar a população e a mostrar que existem muitos espaços onde os jovens podem encontrar o seu lugar.
Por enquanto, não se imagina a assumir a liderança de uma associação ou a ocupar um cargo de maior responsabilidade. Prefere continuar a aprender e a participar, sem pressas. Até porque, como brinca, já tem bastante com que ocupar os dias. Entre as diferentes iniciativas, são vários os trajes que veste ao longo do ano e muitas as vezes em que anda de um lado para o outro. Mas fá-lo com gosto.
O futuro que preocupa, mas não apaga a vontade de ficar
| Geração ADN: dar palco a quem faz a diferença na sua comunidade |
Por detrás da jovem que está sempre a correr de uma iniciativa para outra existe também alguém que olha para o futuro com as inquietações próprias da sua geração.
A habitação é uma das preocupações que mais a afetam. Comprar uma casa, conseguir pagar uma renda, construir uma família e alcançar alguma estabilidade são objetivos que parecem cada vez mais difíceis para muitos jovens.
"É o futuro, se vamos ter um bom futuro, se vamos ter dinheiro para comprar uma casa, se vamos ter para uma renda, se vamos conseguir construir família", desabafa. Acredita que os preços e o custo de vida estão a tornar cada vez mais difícil permanecer na terra onde se cresceu. E não esconde a preocupação com aqueles que poderão ser obrigados a procurar condições melhores noutros locais, dentro ou fora de Portugal.
Quando pensa na sua própria vida, porém, a vontade é ficar. Leonor chegou a Pinhal Novo ainda era bebé. Não nasceu aqui, mas sente que a terra faz parte de si e não imagina facilmente outro lugar para chamar casa. "Eu vejo-me a ficar cá no Pinhal Novo, porque é esta terra para a qual vim com dois anos. Não sou de origem de cá, mas é como se fosse de cá, e adoro cá viver", afirma.
Gosta da dimensão da comunidade, da proximidade entre as pessoas e da possibilidade de ter quase tudo por perto. Reconhece que há aspetos a melhorar, mas sente orgulho na evolução da terra e naquilo que hoje oferece.
Há, contudo, uma preocupação que também relaciona com o futuro de Pinhal Novo: o conhecimento da sua própria história. Na sua opinião, são ainda poucos os jovens que conhecem verdadeiramente as tradições, as pessoas e os acontecimentos que ajudaram a construir a identidade local. Acredita que iniciativas como o Mercado Caramelo têm um papel importante nesta aproximação, porque permitem aprender através da experiência e não apenas ouvir falar do passado.
A marca que quer deixar
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| Nos escuteiros, encontrou valores, amizades e um caminho para crescer |
E deixa um convite aos mais novos, que também é um pouco a explicação da sua própria história: experimentar. Não ter medo de entrar num grupo, de aprender uma dança, de participar numa atividade ou de descobrir uma tradição que até então parecia distante. "Se gostas, vá, experimenta, porque nunca se sabe", aconselha.
Nos escuteiros, onde continua a acompanhar crianças que estão a iniciar o seu percurso, gostaria que o exemplo também pudesse fazer a diferença. Que os mais novos percebessem que vale a pena permanecer, aprender e construir uma história dentro de um grupo.
Aos 23 anos, Leonor ainda tem muito para descobrir e não sabe que outras portas poderá abrir. Mas já sabe aquilo que não quer perder: a ligação às pessoas, a cultura e as tradições que dão identidade à sua terra.
Entre a Leonor dos escuteiros, a Almerinda do Mercado Caramelo, a jovem que espalha magia no Natal e a dançarina que descobriu o folclore há dois anos, há uma mesma vontade de estar presente. E talvez seja essa a marca mais bonita que pode deixar em Pinhal Novo: mostrar que as tradições não sobrevivem apenas porque alguém as recorda. Continuam vivas porque há quem as vista, as dance, as ensine e, sobretudo, tenha vontade de as passar a quem vem a seguir.
Leonor representa uma geração que não quer deixar cair as raízes, que não tem medo de arregaçar as mangas e que encontra na cultura, no associativismo e nas tradições motivos para fazer acontecer. Porque o futuro de uma terra também se constrói com jovens que têm orgulho no lugar de onde vêm e coragem para levar a sua identidade mais longe. É essa força que a ADN quer continuar a encontrar, a valorizar e a dar a conhecer. Queremos descobrir estes jovens, ouvir as suas histórias e dar-lhes o palco que merecem. Porque há uma geração inteira a mostrar que a tradição não tem idade, que a identidade não se perde e que o futuro também se dança, se canta e se constrói de mãos dadas com o passado.


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