Presidente trava mudança do Urbanismo para o Pinhal Novo e explica futuro da Coopinhal

Ana Teresa Vicente afasta mudanças imediatas e apresenta a estratégia para reorganizar os serviços municipais

Os serviços de Urbanismo da Câmara de Palmela vão manter-se, para já, no antigo Hospital de Palmela e não serão transferidos para o edifício da antiga Coopinhal, no Pinhal Novo, assegurou, em entrevista exclusiva à ADN-Agência de Notícias, a presidente da autarquia. Ana Teresa Vicente revelou ainda que o novo edifício funcionará inicialmente como um espaço de acolhimento para trabalhadores e serviços municipais durante as obras de requalificação de outros equipamentos do município. "Não vejo, para já, nenhuma razão para deslocalizarmos o Urbanismo", afirmou.
Antigo edifício da Coopinhal será uma "bolsa de instalações"

A reabilitação urbana e a modernização dos serviços públicos estão no centro da estratégia do Município de Palmela. Com um investimento global superior a 1,2 milhões de euros, as obras no edifício da antiga Coopinhal, no Pinhal Novo, têm gerado grande expectativa na região. Contudo, as notícias que davam como certa a transferência definitiva dos serviços de Administração Urbanística para esta infraestrutura não correspondem à realidade planeada pelo executivo.
As notícias que apontavam como praticamente certa a transferência dos serviços de Urbanismo da Câmara Municipal de Palmela para o Pinhal Novo, provocaram preocupação entre comerciantes da vila de Palmela, que chegaram a organizar um abaixo-assinado em vários estabelecimentos.
Contudo, a presidente da autarquia, Ana Teresa Vicente, garante que não existe qualquer decisão tomada, afirma que o assunto continua a ser estudado internamente e lamenta que as notícias tenham sido divulgadas sem que o executivo fosse ouvido.
"Agradeço a pergunta, porque realmente ninguém me perguntou antes de lançar as notícias. E, como ninguém me perguntou, ninguém teve resposta", afirma a autarca, sublinhando que "o tema está a ser tratado internamente no âmbito desta grande revisão do Plano Municipal de Instalações".
Embora a prioridade do executivo seja o planeamento futuro e a gestão eficaz das obras, a circulação dos rumores sobre a saída do Urbanismo chegou a gerar preocupação na vila de Palmela. Comerciantes e empresários locais chegaram a organizar um abaixo-assinado em vários estabelecimentos.
O movimento defendia a permanência destes serviços na sede do concelho, lembrando o impacto económico positivo que o fluxo diário de profissionais (como arquitetos, engenheiros e promotores) traz à restauração e ao comércio tradicional de Palmela.

Mudança do Urbanismo continua sem decisão
Ana Teresa Vicente explica que a possibilidade de instalar o Urbanismo no Pinhal Novo surgiu num contexto muito diferente do atual.
"O espaço da Coopinhal foi encontrado pelo executivo anterior num contexto muito próprio, que seria o de os serviços do Urbanismo terem de deixar o edifício onde funcionam atualmente, no antigo Hospital de Palmela. Ora, isso não se verifica neste momento e, portanto, não vejo, para já, nenhuma razão para deslocalizarmos o Urbanismo", afirma.
A presidente faz, no entanto, questão de esclarecer que isso não significa que os serviços permaneçam obrigatoriamente no atual edifício.
"Coisa diferente é eu não conseguir responder-vos ainda se o Urbanismo vai ficar exatamente naquele sítio onde está ou se vai para outro edifício. Isso depende do conjunto de edifícios e de soluções que estamos a estudar".
Segundo explica, a revisão do Plano Municipal de Instalações pretende analisar o património municipal como um todo antes de serem tomadas decisões isoladas.
"Depois de todas as soluções estarem conjugadas, elas dirão se vamos manter o Urbanismo exatamente naquele edifício ou se vamos alterar a sua localização para uma centralização junto de outros edifícios", refere.

Coopinhal será uma "bolsa de instalações"
Apesar de afastar, para já, a instalação do Urbanismo na Coopinhal, Ana Teresa Vicente considera que o investimento realizado naquele imóvel continua plenamente justificado.
"A Coopinhal faz parte da estratégia definida pelo executivo anterior e eu acho que a obra continua a ser válida. É um edifício muito versátil e continua a fazer sentido para funcionar como bolsa de instalações", defende.
A autarca explica que o município prepara um vasto programa de requalificação de edifícios municipais e que será necessário encontrar locais provisórios para acolher trabalhadores e serviços enquanto decorrem essas intervenções.
"Nós temos várias instalações onde vamos ter que fazer obras e precisamos de colocar as pessoas em algum sítio enquanto fazemos essas obras. Portanto, ter um edifício próprio para isso não é demais", afirma.
Na prática, o antigo edifício da Coopinhal, no lado sul do Pinhal Novo, funcionará como uma estrutura de apoio temporário, permitindo que os serviços municipais continuem a funcionar durante as empreitadas previstas.
"Vamos estar muitos anos a fazer obras e muitos anos a renovar instalações", acrescenta, justificando a necessidade de dispor de um edifício preparado para receber equipas e serviços de forma transitória.

Depois das obras, acolherá serviços hoje dispersos
Concluída essa fase de requalificação, o antigo edifício da Coopinhal continuará a desempenhar um papel importante na organização dos serviços municipais.
"Concluído esse processo, que vai demorar anos, a Coopinhal servirá sempre para funções que neste momento estão dispersas", explica.
Ana Teresa Vicente recorda que a Câmara possui atualmente vários serviços distribuídos por diferentes edifícios, situação que pretende corrigir.
"Nós temos muitos serviços dispersos, em Palmela e no Pinhal Novo. Portanto, a Coopinhal serve sempre". 
O objetivo passa por concentrar alguns desses serviços e reforçar a oferta municipal no Pinhal Novo.
"Nos próximos anos vai funcionar como bolsa de serviços para os sítios onde temos de fazer obras e de onde temos de deslocar pessoas. Depois, a médio e longo prazo, será um espaço de serviços colocado, obviamente, ao serviço do Pinhal Novo e da população do concelho", afirma.

"A reabilitação da zona não depende do Urbanismo"
Questionada sobre o impacto que a não instalação dos serviços de Urbanismo poderá ter na reabilitação urbana e social da zona envolvente à Coopinhal, a presidente rejeita essa associação.
"Não são os serviços que iam ajudar à reabilitação. A reabilitação do edifício ajuda à reabilitação da zona", sustenta.
Para Ana Teresa Vicente, o efeito positivo resulta sobretudo da recuperação física do imóvel e da sua utilização.
"Não é pelo facto de estar lá o Urbanismo ou outro serviço qualquer que a reabilitação acontece. O que fazia falta era recuperar aquele edifício e colocá-lo ao serviço da Câmara Municipal", refere.

Plano Municipal de Instalações é prioridade do mandato
Ana Teresa Vicente quer um novo edifício municipal neste mandato 
Mais do que decidir onde ficará instalado o Urbanismo, Ana Teresa Vicente diz que o grande objetivo do mandato passa por reorganizar todo o património municipal.
"O meu objetivo é realmente conseguirmos ter um novo grande edifício durante este mandato, mas, para além disso, redesenhar e fazer aprovar um Plano Municipal de Instalações", revela.
Segundo explica, esse plano permitirá definir uma estratégia integrada para os próximos anos.
"No fundo, queremos orientar todos os trabalhos que têm de ser feitos, todas as procuras de terrenos, todas as procuras de edifícios e os próprios estudos internos, para que tudo caminhe no mesmo sentido". 
Embora reconheça que o tema possa parecer pouco visível para a população, considera tratar-se de uma reforma estrutural da autarquia.
"Este pode não ser entendido, à primeira vista, como um grande objetivo para transformar o concelho, mas eu diria que é", afirma.
A razão, conclui, está diretamente relacionada com a qualidade do serviço prestado aos munícipes.
"Se tivermos melhores instalações municipais, conseguimos trabalhar melhor e conseguimos prestar um melhor serviço às pessoas que recorrem à Câmara Municipal em muitíssimas áreas da sua vida", conclui.

Entrevista exclusiva continua na ADN-Agência de Notícias
Esta é a primeira de várias notícias produzidas a partir de uma entrevista exclusiva concedida por Ana Teresa Vicente à ADN-Agência de Notícias. Ao longo do mês de Julho, a ADN publicará novos artigos dedicados a alguns dos principais desafios e projetos estratégicos para o concelho de Palmela, entre os quais habitação, mobilidade, desenvolvimento económico, saúde, educação, cultura, investimentos municipais, ordenamento do território, limpeza e saneamento urbano.

Paulo Jorge Oliveira 
Fotografia: Paulo Jorge Oliveira 

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