Herman José, FF e ABBA MIA lideram cartaz da festa que reforça aposta na tradição e no vinho
Dentro de semanas, Palmela voltará a vestir-se de festa. O vinho, os cortejos, as bandas filarmónicas e as tradições que passam de geração em geração regressam para celebrar a 63.ª Festa das Vindimas. O cartaz traz poucos nomes sonantes da música e do espetáculo, mas continua a ser a alma de um povo o maior motivo para milhares de pessoas regressarem à vila, em nome do vinho, das rainhas das vindimas e da identidade de um povo.
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| Vindimas estão de volta entre 3 e 8 de Setembro a Palmela |
Há festas que se anunciam com um cartaz. E há festas que se apresentam com a alma. Foi isso que aconteceu no Largo de São João, em Palmela, onde o Castelo, iluminado pelo pôr do sol, voltou a ser testemunha de um dos momentos mais aguardados do ano. Centenas de pessoas responderam ao convite da Associação das Festas de Palmela para conhecer a programação da 63.ª Festa das Vindimas. Mas, mais do que descobrir os artistas que irão subir ao palco entre 3 e 8 de Setembro, quem ali esteve foi celebrar uma tradição que atravessa gerações e continua a definir a identidade de um território profundamente ligado à vinha, ao vinho e às suas gentes.
Os primeiros aplausos surgiram quando começaram a ser anunciados os nomes do cartaz principal.
Sangre Ibérico, Phill Collins Legacy, FF, acompanhado pela Banda da Sociedade Filarmónica Humanitária, a já emblemática Orquestra das Vindimas, Herman José, que partilhará o palco com a Sociedade Filarmónica Palmelense "Os Loureiros", e o espetáculo ABBA MIA, encerram uma programação pensada para diferentes públicos, cruzando música portuguesa, humor, grandes clássicos internacionais e o património musical das duas históricas filarmónicas da vila.
Mesmo perante um cenário cada vez mais exigente, sobretudo devido ao aumento dos custos da produção artística, garantiu que o compromisso permanece inalterável.
"Hoje em dia os artistas estão caríssimos e todos sabemos isso, mas estamos a fazer o melhor que conseguimos e que podemos a nível financeiro", disse André Ribeiro, presidente da Associação das Festas de Palmela - Festa das Vindimas.
Mas rapidamente se percebeu que a noite não era sobre artistas. Era sobre pessoas. Sobre quem construiu esta festa ao longo de mais de seis décadas. Sobre quem continua, de forma voluntária, a dedicar milhares de horas para que Palmela volte a vestir-se de festa. E sobre um património imaterial que permanece vivo porque nunca deixou de pertencer ao seu povo.
Se houve uma mensagem que marcou toda a apresentação foi a necessidade de preservar aquilo que distingue a Festa das Vindimas de tantos outros eventos realizados pelo país.
A pressão financeira existe. Os custos aumentam todos os anos. Os artistas são cada vez mais caros. A logística tornou-se mais exigente
Mas André Ribeiro deixou claro que a prioridade continua a ser a autenticidade.
"Mais importante do que fazer uma festa maior é garantir que continuamos a fazer uma festa fiel às nossas raízes, preservando aquilo que a torna única, porque, acima de tudo, esta festa é feita por nós e para todos".
A frase resume a filosofia da atual direção. Em vez de procurar crescer apenas em dimensão, a aposta passa por fortalecer aquilo que faz da Festa das Vindimas uma celebração única: o vinho, a tradição, o movimento associativo, o património cultural e o envolvimento de centenas de voluntários.
Novidades reforçam a ligação ao vinho
Apesar da continuidade ser a palavra de ordem, a edição de 2026 apresenta várias novidades.
A organização decidiu manter a estrutura de palcos que tem vindo a consolidar-se nos últimos anos.
"Iremos manter a estrutura que temos tido ao longo destes últimos anos de palcos"
A identidade de um território
"Hoje em dia os artistas estão caríssimos e todos sabemos isso, mas estamos a fazer o melhor que conseguimos e que podemos a nível financeiro", disse André Ribeiro, presidente da Associação das Festas de Palmela - Festa das Vindimas.
Mas rapidamente se percebeu que a noite não era sobre artistas. Era sobre pessoas. Sobre quem construiu esta festa ao longo de mais de seis décadas. Sobre quem continua, de forma voluntária, a dedicar milhares de horas para que Palmela volte a vestir-se de festa. E sobre um património imaterial que permanece vivo porque nunca deixou de pertencer ao seu povo.
Muito mais do que um cartaz
A apresentação da Festa das Vindimas nunca foi apenas um momento protocolar. É quase um ritual. É o instante em que Palmela começa verdadeiramente a sentir que Setembro está a chegar.
À medida que as cadeiras se enchiam e os rostos conhecidos se cumprimentavam, era impossível não notar o ambiente de reencontro. Entre dirigentes associativos, autarcas, antigos voluntários, jovens candidatos ao cortejo, músicos, comerciantes e famílias inteiras, respirava-se um sentimento comum: o orgulho de pertencer a uma terra que continua a preservar uma das maiores festas populares do país
Foi perante este cenário que André Ribeiro, subiu ao palco. As primeiras palavras não foram sobre espetáculos nem sobre novidades. Foram de agradecimento. "É muito bom ver este espaço cheio e contar convosco neste dia tão especial para a Associação".
A apresentação da Festa das Vindimas nunca foi apenas um momento protocolar. É quase um ritual. É o instante em que Palmela começa verdadeiramente a sentir que Setembro está a chegar.
À medida que as cadeiras se enchiam e os rostos conhecidos se cumprimentavam, era impossível não notar o ambiente de reencontro. Entre dirigentes associativos, autarcas, antigos voluntários, jovens candidatos ao cortejo, músicos, comerciantes e famílias inteiras, respirava-se um sentimento comum: o orgulho de pertencer a uma terra que continua a preservar uma das maiores festas populares do país
Foi perante este cenário que André Ribeiro, subiu ao palco. As primeiras palavras não foram sobre espetáculos nem sobre novidades. Foram de agradecimento. "É muito bom ver este espaço cheio e contar convosco neste dia tão especial para a Associação".
Ao longo da sua intervenção recordou que a Festa das Vindimas deixou, há muito, de viver apenas durante seis dias. Hoje, a associação procura estar presente durante todo o ano na vida cultural da freguesia.
Porque uma festa desta dimensão não nasce em Setembro. Constrói-se todos os dias.
Crescer sem perder a identidade
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| Um dos fundadores da festa marcou presença na apresentação |
A pressão financeira existe. Os custos aumentam todos os anos. Os artistas são cada vez mais caros. A logística tornou-se mais exigente
Mas André Ribeiro deixou claro que a prioridade continua a ser a autenticidade.
"Mais importante do que fazer uma festa maior é garantir que continuamos a fazer uma festa fiel às nossas raízes, preservando aquilo que a torna única, porque, acima de tudo, esta festa é feita por nós e para todos".
A frase resume a filosofia da atual direção. Em vez de procurar crescer apenas em dimensão, a aposta passa por fortalecer aquilo que faz da Festa das Vindimas uma celebração única: o vinho, a tradição, o movimento associativo, o património cultural e o envolvimento de centenas de voluntários.
Novidades reforçam a ligação ao vinho
Apesar da continuidade ser a palavra de ordem, a edição de 2026 apresenta várias novidades.
A organização decidiu manter a estrutura de palcos que tem vindo a consolidar-se nos últimos anos.
"Iremos manter a estrutura que temos tido ao longo destes últimos anos de palcos"
O palco principal continuará junto ao Fontanário. A Praça dos Sabores mantém-se como espaço privilegiado para as coletividades e para o movimento associativo. Mas será o Mercado do Vinho a concentrar algumas das principais novidades.
"Ao final de cada tarde, o Mercado do Vinho passa a receber sunsets, tornando-se um espaço ainda mais apelativo e reforçando-se como um dos pontos centrais da festa, dedicado à promoção dos nossos vinhos e moscatéis da região".
A intenção passa por prolongar a permanência dos visitantes naquele espaço, transformando-o num ponto de encontro onde a música, os vinhos e o convívio convivem de forma natural.
O Clube de Vinhos também regressa com uma programação reforçada.
"Vamos manter o Clube de Vinhos, reforçando a aposta nas provas comentadas e introduzindo showcookings com harmonizações vínicas, valorizando ainda mais a nossa gastronomia e os vinhos da região".
Outra das novidades prende-se com a valorização da zona envolvente à Igreja.
"A Zona da Igreja passará a acolher pequenas adegas e produtores regionais, permitindo mostrar melhor os nossos produtos, os nossos doces e os nossos salgados".
A ideia é criar uma verdadeira extensão do Mercado do Vinho, oferecendo maior visibilidade aos pequenos produtores e reforçando a ligação entre enoturismo, gastronomia e produtos tradicionais.
"Ao final de cada tarde, o Mercado do Vinho passa a receber sunsets, tornando-se um espaço ainda mais apelativo e reforçando-se como um dos pontos centrais da festa, dedicado à promoção dos nossos vinhos e moscatéis da região".
A intenção passa por prolongar a permanência dos visitantes naquele espaço, transformando-o num ponto de encontro onde a música, os vinhos e o convívio convivem de forma natural.
O Clube de Vinhos também regressa com uma programação reforçada.
"Vamos manter o Clube de Vinhos, reforçando a aposta nas provas comentadas e introduzindo showcookings com harmonizações vínicas, valorizando ainda mais a nossa gastronomia e os vinhos da região".
Outra das novidades prende-se com a valorização da zona envolvente à Igreja.
"A Zona da Igreja passará a acolher pequenas adegas e produtores regionais, permitindo mostrar melhor os nossos produtos, os nossos doces e os nossos salgados".
A ideia é criar uma verdadeira extensão do Mercado do Vinho, oferecendo maior visibilidade aos pequenos produtores e reforçando a ligação entre enoturismo, gastronomia e produtos tradicionais.
Artesanato ganha um espaço próprio
Também a Rua General Amílcar Mota sofrerá alterações significativas. Este ano deixa de receber a restauração para passar a ser inteiramente dedicada ao artesanato.
A mudança pretende reunir todos os artesãos num único espaço, facilitando a circulação do público e valorizando um setor que continua a preservar muitos dos saberes tradicionais ligados à identidade da região.
Ao mesmo tempo, a Praça dos Sabores continuará a acolher o Encontro Concelhio de Folclore, bem como dezenas de associações locais que dão vida à festa através da música, da gastronomia, da dança e da cultura popular.
São precisamente estes espaços que ajudam a explicar porque motivo a Festa das Vindimas nunca deixou de ser muito mais do que um simples cartaz de espetáculos.
É um retrato vivo daquilo que Palmela é. E daquilo que nunca quer deixar de ser.
Também a Rua General Amílcar Mota sofrerá alterações significativas. Este ano deixa de receber a restauração para passar a ser inteiramente dedicada ao artesanato.
A mudança pretende reunir todos os artesãos num único espaço, facilitando a circulação do público e valorizando um setor que continua a preservar muitos dos saberes tradicionais ligados à identidade da região.
Ao mesmo tempo, a Praça dos Sabores continuará a acolher o Encontro Concelhio de Folclore, bem como dezenas de associações locais que dão vida à festa através da música, da gastronomia, da dança e da cultura popular.
São precisamente estes espaços que ajudam a explicar porque motivo a Festa das Vindimas nunca deixou de ser muito mais do que um simples cartaz de espetáculos.
É um retrato vivo daquilo que Palmela é. E daquilo que nunca quer deixar de ser.
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| Sunset em Palmela abriu ritual das Vindimas, a festa mãe do concelho |
Mais do que um evento cultural ou turístico, considera que é "uma celebração da identidade de um povo e do trabalho de milhares de pessoas que, ao longo das décadas, fizeram da vinha e do vinho uma das maiores riquezas do território".
A autarca recordou que, desde 1963, a "Festa das Vindimas acompanha a evolução do concelho, afirmando Palmela muito para além das suas fronteiras e valorizando não apenas os seus vinhos, mas também quem diariamente trabalha na agricultura, nas adegas, nas associações e nas diversas instituições que mantêm viva esta tradição".
Porque, antes de existirem palcos, concertos ou grandes produções, existiam homens e mulheres que todos os anos celebravam o final das vindimas como um momento de agradecimento pela colheita.
É essa memória coletiva que continua a inspirar a festa.
"Palmela é um cartaz turístico nacional"
Também o presidente da Junta de Freguesia de Palmela, Jorge Mares, fez questão de destacar o enorme trabalho desenvolvido pela Associação das Festas de Palmela.
Num tempo em que organizar um evento desta dimensão implica enormes desafios financeiros e logísticos, o autarca lembrou que a "dedicação da equipa continua a ser determinante para que a Festa das Vindimas mantenha o prestígio conquistado ao longo dos anos".
Na sua intervenção, recordou igualmente que esta é "hoje uma referência nacional, distinguindo-se por momentos únicos que dificilmente se encontram noutras festas populares portuguesas".
A Pisa da Uva, a Bênção do Primeiro Mosto, antecedidas pelo tradicional Cortejo dos Camponeses, bem como os emblemáticos Cortejos das Vindimas, diurno e noturno, continuam a ser imagens de marca da Festa e um dos maiores motivos de atração para milhares de visitantes.
Mais do que simples recriações históricas, representam a ligação profunda de Palmela às suas origens agrícolas e à cultura da vinha.
Num tempo em que organizar um evento desta dimensão implica enormes desafios financeiros e logísticos, o autarca lembrou que a "dedicação da equipa continua a ser determinante para que a Festa das Vindimas mantenha o prestígio conquistado ao longo dos anos".
Na sua intervenção, recordou igualmente que esta é "hoje uma referência nacional, distinguindo-se por momentos únicos que dificilmente se encontram noutras festas populares portuguesas".
A Pisa da Uva, a Bênção do Primeiro Mosto, antecedidas pelo tradicional Cortejo dos Camponeses, bem como os emblemáticos Cortejos das Vindimas, diurno e noturno, continuam a ser imagens de marca da Festa e um dos maiores motivos de atração para milhares de visitantes.
Mais do que simples recriações históricas, representam a ligação profunda de Palmela às suas origens agrícolas e à cultura da vinha.
O coração da Festa continua a bater nas coletividades
Ao longo da cerimónia ficou igualmente evidente que, sem o movimento associativo, dificilmente seria possível imaginar a Festa das Vindimas.
As coletividades continuam a assumir um papel central, seja através das tasquinhas, da participação nos cortejos, das bandas filarmónicas, dos grupos folclóricos ou do trabalho invisível realizado durante meses.
São centenas de voluntários que dedicam noites, fins de semana e férias para preparar carros alegóricos, confeccionar trajes, organizar espaços ou garantir que tudo decorre com normalidade.
É um trabalho silencioso que raramente aparece nas fotografias, mas que sustenta toda a estrutura da Festa.
Talvez por isso André Ribeiro tenha feito questão de deixar uma palavra especial para todos os que trabalham nos bastidores. "A equipa está a fazer o melhor pelas nossas festas e pela nossa Festa das Vindimas".
Ao longo da cerimónia ficou igualmente evidente que, sem o movimento associativo, dificilmente seria possível imaginar a Festa das Vindimas.
As coletividades continuam a assumir um papel central, seja através das tasquinhas, da participação nos cortejos, das bandas filarmónicas, dos grupos folclóricos ou do trabalho invisível realizado durante meses.
São centenas de voluntários que dedicam noites, fins de semana e férias para preparar carros alegóricos, confeccionar trajes, organizar espaços ou garantir que tudo decorre com normalidade.
É um trabalho silencioso que raramente aparece nas fotografias, mas que sustenta toda a estrutura da Festa.
Talvez por isso André Ribeiro tenha feito questão de deixar uma palavra especial para todos os que trabalham nos bastidores. "A equipa está a fazer o melhor pelas nossas festas e pela nossa Festa das Vindimas".
Memórias que passam de avós para netos
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| João Pedro Leitão lembrou a infância na Festa das Vindimas |
"Quero agradecer a todos os fundadores da Festa das Vindimas, pois foi graças à vossa coragem e ambição que celebraremos mais um ano de uma festa que coloca Palmela no mapa do turismo, da cultura e da nossa identidade, trazendo milhares de pessoas ao nosso território".
Lembrou que aquilo que hoje é uma das maiores festas populares do país nasceu da visão, da coragem e da capacidade de sonhar de um conjunto de homens e mulheres que acreditaram que Palmela merecia uma celebração à altura da sua história.
Destacou igualmente que aquilo que o público vê durante seis dias é apenas a parte visível de muitos meses de preparação.
"O trabalho que hoje vemos aqui refletido corresponde certamente a muitos meses de planeamento, dedicação voluntária e abnegada, criatividade, esforço coletivo e muito sacrifício pessoal".
Numa altura em que tantas tradições desaparecem, João Pedro Leitão sublinhou o papel insubstituível das associações.
"As coletividades no nosso município são o espelho de Abril, da democracia. Refletem cultura, recreio e lazer, permitindo que possamos ter um território mais rico, com mais vida e com mais identidade".
Mas foi quando deixou de falar como autarca para falar como filho e neto de Palmela que emocionou a plateia.
"Tenho orgulho em ter crescido em Palmela, mais concretamente na Volta da Pedra, e de muito novo ter vindo a esta festa. É uma festa que carrego no coração. Lembro-me perfeitamente de aqui vir com os meus avós e essa memória continua a preencher-me o coração".
São precisamente essas recordações que explicam porque a Festa das Vindimas atravessa gerações.
Porque cada família guarda uma fotografia, uma história, uma música, um cortejo ou um cheiro a mosto acabado de fazer. Cada edição acrescenta novas memórias às que já existem.




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