Palmela envia esperança para Cuba com contentor solidário de 29 toneladas

Solidariedade portuguesa atravessa o Atlântico para ajudar o país em plena crise do bloqueio energético 

Uma onda de solidariedade internacional está a partir de Palmela rumo a Cuba. Quase 29 toneladas de bens essenciais foram reunidas por voluntários de norte a sul do país e seguem agora para a ilha caribenha, numa iniciativa que pretende apoiar uma população confrontada com graves dificuldades económicas, energéticas e sociais.
Voluntários reuniram quase 29 toneladas de ajuda

A antiga escola primária de Algeruz, no concelho de Palmela, transformou-se nos últimos dias num centro logístico de apoio humanitário. Foi ali que decorreu o carregamento de um contentor com quase 29 toneladas de donativos destinados a Cuba, resultado de uma campanha que mobilizou cidadãos e associações de várias regiões de Portugal.
Entre os bens recolhidos encontram-se alimentos não perecíveis, vestuário, calçado, produtos de higiene e material médico, considerados fundamentais para responder às necessidades mais urgentes da população cubana.
Apesar de já terem sido realizados envios anteriores, os promotores garantem que a adesão continua elevada e que a quantidade de ajuda reunida poderá ultrapassar a capacidade deste contentor.
"É daqui até ao tecto, tudo tudo. A ideia é mandar tudo cheio. Não sei se vai caber tudo o que gente tem, mas a campanha decorre até ao fim do ano, portanto o que não couber vai no próximo", afirmou José Pedro Faia.

Ajuda simbólica perante uma crise profunda
Os responsáveis pela iniciativa sublinham que a dimensão dos problemas enfrentados por Cuba exige muito mais do que um único carregamento, mas defendem que cada gesto de solidariedade tem um impacto significativo junto das populações afetadas.
"Isto é uma gotinha de orvalho no oceano, isto não é nada. Um contentor destes para um país daquela dimensão é muito pouco, mas é aquilo que nós conseguimos fazer e que, de facto, é muito apreciado em Cuba", destacou Isalina Pereira, vice-presidente da Associação de Amizade Portugal-Cuba.
A responsável considera que a situação vivida na ilha continua a agravar-se e critica a ausência de uma resposta mais firme por parte da comunidade internacional.
"Não se percebe como é que comunidade internacional não age, porque o que está a acontecer ali, com o bloqueio energético e com o bloqueio que já vem de há 60 e tal anos. O que está ali a acontecer é um genocídio. Não se pode falar de outra forma. O que está ali a acontecer é que estão a tentar vencer um povo pela fome", acrescentou.


Sanções e falta de combustível agravam situação
Segundo os promotores da campanha, as dificuldades enfrentadas pelo povo cubano intensificaram-se após a ordem executiva imposta pela administração norte-americana a 29 de Janeiro.
A medida determinou, entre outras ações, a aplicação de tarifas comerciais elevadas e sanções contra países ou empresas internacionais que exportem petróleo e derivados para Cuba.
Com exceção de uma doação pontual da Rússia, recebida em Maio, a ilha passou vários meses sem acesso regular a crude. No mês passado, os recursos disponíveis ficaram totalmente esgotados.
As consequências têm sido severas, traduzindo-se em cortes de serviços básicos, colapso energético e no agravamento da crise de saúde pública que afeta o país.
Perante este cenário, os organizadores da campanha acreditam que a mobilização solidária que teve Palmela como ponto de partida continuará a ser essencial para apoiar a população cubana nos próximos meses.

Agência de Notícias 
Fotografia: Design ADN

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