“Dia triste para o Barreiro”: autarquia promete lutar contra fecho da urgência de obstetrícia

Crise no SNS: urgência de ginecologia encerra e grávidas passam a ser atendidas em Almada ou Setúbal

O encerramento da urgência de ginecologia e obstetrícia no Hospital do Barreiro está a gerar forte contestação política e social na Península de Setúbal. A autarquia considera a decisão um duro golpe para a região e promete lutar para reverter o fecho, numa altura em que o tema da crise no SNS e das urgências de obstetrícia voltam ao centro do debate nacional.
Autarquia contesta decisão e promete lutar pela reabertura

A Câmara Municipal do Barreiro reagiu com preocupação ao encerramento da urgência de ginecologia e obstetrícia do Hospital Nossa Senhora do Rosário, que deixou de funcionar na semana passada com a entrada em vigor de um novo modelo regional de urgência na Península de Setúbal.
Para a vereadora com o pelouro da saúde, Sara Ferreira, a decisão representa um momento difícil para o município. A autarca descreveu o dia como "um dia triste para o Barreiro", sublinhando que o município não aceita o encerramento do serviço e que continuará a lutar para que a situação seja revertida.
Segundo a responsável municipal, a medida representa "uma grande perda para a região" e configura "um retrocesso nos direitos das mulheres, nos direitos da saúde e nos direitos da saúde materna".
Com a nova reorganização, o Hospital do Barreiro deixa de ter urgência de ginecologia e obstetrícia, passando estes atendimentos a estar concentrados numa urgência regional com dois polos.

Novo modelo concentra atendimento em dois hospitais
A nova urgência regional de ginecologia e obstetrícia da Península de Setúbal passa a funcionar em dois hospitais: o Hospital Garcia de Orta, em Almada, e o Hospital de São Bernardo, em Setúbal.
O Garcia de Orta assume o papel de hospital-sede da urgência regional, garantindo apoio perinatal diferenciado. Já o Hospital de São Bernardo ficará responsável por assegurar o atendimento de urgência para os concelhos da sua área de influência, nomeadamente Setúbal, Alcácer do Sal, Grândola, Palmela, Santiago do Cacém, Sesimbra e Sines.
Esta reorganização integra um novo modelo nacional de urgências de obstetrícia e ginecologia, sendo esta a segunda estrutura regional criada no país. A primeira entrou em funcionamento a 16 de Março no Hospital Beatriz Ângelo, em Loures.

Região com mais de 230 mil habitantes perde urgência
O Hospital Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro, integra a Unidade Local de Saúde Arco Ribeirinho e tem como área de influência os concelhos do Barreiro, Moita, Montijo e Alcochete.
De acordo com dados da Pordata, estes quatro municípios concentram atualmente 232.604 habitantes.
Já a Península de Setúbal é uma das regiões mais populosas do país. Segundo dados de 2023 do Instituto Nacional de Estatística (INE), vivem nesta região 834.599 pessoas distribuídas por nove concelhos: Almada, Seixal, Barreiro, Moita, Montijo, Alcochete, Setúbal, Sesimbra e Palmela.
Apesar do novo modelo avançar como solução para reorganizar o atendimento hospitalar, a medida tem gerado contestação entre autarcas e representantes de utentes, que alertam para o impacto do fecho de serviços hospitalares em territórios densamente povoados.
No Barreiro, a autarquia garante que continuará a pressionar o Governo para recuperar a urgência encerrada.

Agência de Notícias 
Fotografia: Design ADN 


Comentários